Sete benefícios da compostagem para a produção agrícola

Além da matéria inorgânica, ou seja, os compostos minerais, o solo precisa da matéria orgânica (MO). Para introduzir maiores teores desse composto no solo, são utilizadas técnicas como a compostagem. Conheça os sete benefícios da compostagem para a produção agrícola.

Como a compostagem melhora a produção agrícola

A compostagem é uma importante técnica que pode melhorar a produção agrícola através de benefícios para o solo, para as plantas e para os microrganismos do solo. No artigo Uso da Compostagem em Sistemas Agrícolas Orgânicos, o Mestre em Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Francisco Nelsieudes Sombra Oliveira, lista os principais benefícios dessa técnica para a agricultura:

1. Fornece elementos nutritivos ao solo

O processo de compostagem é uma técnica que envolve decomposição controlada de matéria orgânica rica em elementos nutritivos, como resíduos animais e vegetais, por meio dos microrganismos. Nesse processo os microrganismos apresentam duas atuações principais para disponibilizar os elementos nutritivos ao solo:

  • Decomposição e estabilização biológica da matéria orgânica durante a compostagem: processo que pode ser otimizado através do uso de bioinsumos contendo bactérias, fungos e leveduras classificados como microrganismos eficazes (ME);
  • Estabelecimento de relações benéficas com as plantas, atuando em diversos processos essenciais para a promoção do crescimento vegetal: com a mobilização e transporte de nutrientes para a planta pela fixação de nitrogênio e disponibilização de nutrientes, como o fósforo.

Com isso, ao se aplicar no solo o composto orgânico produzido, macronutrientes – como potássio, nitrogênio e fósforo – e micronutrientes – como zinco e boro – ficam disponíveis para as plantas.

Além disso, é possível enriquecer a compostagem, tornando-a mais nutritiva por meio da incorporação de matérias-primas multinutrientes, como o Siltito Glauconítco.

2. Promove a elevação da capacidade de troca de cátions do solo

A Capacidade de Troca Catiônica (CTC) é um dos parâmetros que consegue medir a capacidade de disponibilidade de nutrientes no solo. Para isso, é avaliada a quantidade de cargas negativas presentes no solo, que são responsáveis por reter e disponibilizar grande parte dos nutrientes para as plantas.

No solo, as cargas negativas geralmente são representadas em sua maioria pelas partículas orgânicas, ou seja, ao se incorporar o produto da compostagem ao solo é possível garantir um aumento da CTC e consequentemente aumentar a capacidade de retenção de nutrientes do solo.

Esquema demostrando como a CTC influencia na retenção de nutrientes com cargas positivas no solo.

Esquema demostrando como a CTC influencia na retenção de nutrientes com cargas positivas no solo.

3. Melhora o nível de aproveitamento dos adubos minerais

Um dos principais fatores limitantes para o melhor aproveitamento dos adubos minerais está relacionado com a elevada solubilidade de grande parte desses insumos. Isso faz com que, ao serem aplicados, altas concentrações de nutrientes fiquem disponíveis no solo, fazendo com que eles não sejam totalmente absorvidos e aproveitados pelas plantas. 

O excesso de nutrientes livres no solo torna perdas como lixivação muito mais suscetíveis. Dessa maneira, os nutrientes podem ser perdidos para as camadas mais profundas do solo, fora do alcance das raízes. 

Uma das formas de mitigar esse processo é através da melhoria da CTC do solo pela manutenção e incorporação de matéria orgânica.

O composto orgânico gerado pelo processo de compostagem interage com as partículas do solo e aumenta o número de cargas negativas, que atraem as cargas positivas presentes em grande parte dos nutrientes dos adubos minerais.

Assim, a compostagem aumenta a eficiência dos fertilizantes minerais utilizados na lavoura por meio de uma maior retenção dos nutrientes que eles fornecem, o que potencializa seus benefícios.

4.  Promove a disponibilização de nutrientes em solos

Dentre os nutrientes essenciais para a plantas, alguns deles, como o fósforo, apresentam uma certa limitação de mobilidade no solo. Essa limitação é atribuída principalmente por ficarem fixados e adsorvidos de forma muito intensa na fração de argila do solo.

Os solos tropicais, em geral, apresentam um elevado teor de argila, e consequentemente elevados teores de óxidos de ferro e de alumínio, fator muito limitante para o manejo de nutrientes. 

Uma das formas de reduzir os efeitos de fixação desses nutrientes e disponibilizá-los para as plantas é através do fornecimento de ácidos orgânicos, como os ácidos húmicos.  As substâncias húmicas são formadas a partir da degradação de resíduos orgânicos vegetais e animais, ou seja, estão presentes como um dos compostos finais produzidos pelo processo da compostagem.

Além de possuírem uma alta CTC e favorecerem a retenção de nutrientes no solo, elas são capazes de complexar os óxidos de ferro e alumínio, que retém os íons de fósforo, em solos ácidos e os óxidos de cálcio em solos alcalinos. E para nutrientes como o potássio, as substâncias húmicas podem liberar esse elemento para a planta caso se encontre em sua forma estrutural não trocável, denominado potássio não-trocável.

Assim, os ácidos húmicos presente na compostagem, promovem uma maior disponibilização de nutrientes no solo para a planta, que antes estariam retidos no solo.

5. Melhora a estrutura do solo

A estrutura do solo se refere ao tamanho, formato e disposição das partículas do solo. Elas se apresentam em um sistema trifásico, já que os espaços criados entre os elementos da fase sólida (mineral) são preenchidos por água e elementos gasosos.

Essa composição faz com que, ao se melhorar a estrutura do solo, fatores como a velocidade de infiltração e capacidade de retenção de água, aeração e desenvolvimento radicular sejam otimizados.

Os engenheiros agrônomos Claudia Klein e Vilson Antonio Klein na revisão Estratégias para potencializar a retenção e disponibilidade de água no solo destacaram que a matéria orgânica pode reter até vinte vezes a sua massa em água e é influenciada pela textura do solo ou ainda pelo método de aplicação (superficial ou incorporada em profundidade).

Já a aeração está diretamente ligada aos efeitos diretos da matéria orgânica na formação de agregados e, portanto, na distribuição do tamanho de poros presentes nas partículas do solo.

No livro Matéria Orgânica e seu Efeito na Física do Solo, os autores apontam que é necessária a existência de uma porosidade de aeração mínima média de 10 % para o pleno crescimento das raízes, número que pode ser variável dependendo das plantas e solo do local.

Dessa forma, compostagem dá ao solo mais capacidade de retenção de água, além de melhorar a aeração, o que promove um desenvolvimento melhor das raízes.

6. Favorece a atividade microbiana no solo

Os microrganismos possuem uma grande importância e influenciam a qualidade do solo por meio das 5 principais funções que eles desempenham:

  • Decomposição;
  • Ciclagem de nutrientes;
  • Manutenção do carbono;
  • Simbiose com as raízes;
  • Promoção de crescimento vegetal.

Ao favorecer a atividade microbiana é possível melhorar a qualidade do solo. A Doutora em Microbiologia Aplicada e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Márcia Maria Rosa Magri, explica mais sobre o assunto:

Um dos meios para então favorecer o crescimento e desenvolvimento desses microrganismos que promovem a melhoria da qualidade do solo é através da introdução da matéria orgânica.

Ela é capaz de criar um ambiente adequado para a microbiota, com níveis adequados de umidade e aeração, e fornecer um meio rico em compostos que servem de alimento para essas comunidades microscópicas.

7. Melhoria da capacidade tampão do solo

A capacidade tampão é a capacidade que o solo tem de resistir a mudanças de pH, que são prejudiciais ao seu potencial produtivo. Isso acontece porque o pH do solo tem influência sobre:

  • Solubilidade dos nutrientes;
  • Transformações químicas que acontecem no solo;
  • Populações de microrganismos, em especial aqueles que fazem parte do ciclo do nitrogênio.

A adição de matéria orgânica aumenta o potencial de tamponamento do solo, através da sua capacidade de doar e receber íons de hidrogênio (H+). Essa característica faz com que ela seja capaz de restringir, até certo ponto, variações abruptas no pH no solo.

Isso garante uma otimização dos fatores que o pH tem influência no solo, além de reduzir custos com a correção do solo e minimizar os danos causados por elementos e compostos tóxicos às plantas.

A compostagem é um dos caminhos para uma agricultura mais sustentável

A compostagem além de ser uma excelente alternativa para o aproveitamento dos resíduos, é um dos caminhos para uma agricultura mais sustentável. Ela tem se mostrado uma ferramenta capaz de contribuir efetivamente para a construção e recuperação dos solos brasileiros.

Através dela, é possível cada vez mais viabilizar uma agricultura mais sustentável, com o aumento da produtividade e redução dos índices de expansão da área agrícola. Ainda, fontes como o Siltito Glauconítico têm auxiliado a otimizar e explorar todo o potencial e benefícios que essa técnica é capaz de proporcionar.

Além disso, os seus diferentes benefícios não se limitam apenas ao solo, mas se estendem à toda cadeia produtiva agrícola. Através dela diferentes oportunidades para o setor podem ser geradas, que vão desde reduzir a dependência por fontes externas de fertilizantes a ser tornar uma atividade capaz de agregar mais valor aos produtos do campo e gerar mais emprego e renda para os agricultores.