Três melhores estratégias de correção do solo para otimizar a adubação potássica

O potássio geralmente é o segundo macronutriente mais exigido pelas plantas. Entretanto, ele pode ter sua disponibilidade comprometida se as condições do solo não forem adequadas. Entenda quais são as melhores estratégias de correção do solo para otimizar o desempenho da adubação potássica na sua lavoura.

A disponibilidade de potássio e as estratégias de correção do solo

As melhores práticas de correção do solo para otimizar a adubação potássica são aquelas que conseguem mitigar ou eliminar os fatores que limitam a disponibilidade de potássio no solo. Os principais fatores limitantes são:

  • Natureza e quantidade de minerais de argila;
  • pH;
  • Natureza dos cátions trocáveis.

Grande parte desses fatores estão envolvidos com o equilíbrio entre íons no solo e as práticas de correção do solo, então são aquelas que visam restabelecer esse equilíbrio. Nesse sentido, algumas estratégias podem ser adotadas:

1) Promover o aumento da atividade microbiana do solo

O potássio é um nutriente catiônico, ou seja, apresenta uma carga positiva na solução do solo. Essa característica faz com que ele possa ficar retido nas partículas do solo, num fenômeno conhecido como adsorção. Além disso, naturalmente quase totalidade do potássio dos solos está na fase mineral, principalmente nos minerais de argila.

Os minerais de argila são um dos elementos que fazem parte da composição do solo. Eles são formados por partículas de dimensões muito pequenas e são os produtos finais e estáveis do processo de intemperismo das rochas.

Os argilominerais são classificados de acordo com a sua composição química e a sequência do agrupamento das lâminas tetraédricas e octaédricas. Aquelas denominadas 1:1 tem uma menor capacidade de adsorver (reter) as moléculas dos elementos presentes no solo, do que as argilas denominadas 2:1.

Ou seja, solos com maiores teores de argilas 2:1, em especial aquelas com alta densidade de carga negativa, tem uma maior reserva de médio e longo prazo de potássio.

Segundo os resultados da pesquisa de Vander de Freitas Melo e demais pesquisadores no artigo Importância das espécies minerais no potássio total da fração argila de solos do Triângulo Mineiro, a contribuição dos minerais primários facilmente intemperizáveis (mica e feldspato-K) foi importante para a reserva de potássio da fração argila dos solos do Triângulo Mineiro.

Mas, como os microrganismos são capazes de atuar na liberação do potássio adsorvido e retido no solo? Alguns autores sugerem que os ácidos orgânicos produzidos pelos microrganismos do solo acidificam o meio e podem desestabilizar os minerais presentes e liberar o potássio.

Esse efeito é visto no estudo Interação de microrganismos na solubilização de fósforo e pótássio de rochas para produção de biofertilizantes da autora Valéria Nogueira Silva.
Nele, foi avaliado o potencial da inoculação de diferentes bactérias na solubilização de fósforo e potássio, uma vez que elas são produtoras de uma grande variedade de metabólitos, incluindo ácidos orgânicos.
Curva de liberação de potássio em pó de rocha potássica inoculada com Paenibacillus polymyxa + Ralstonia solanacearum.

Curva de liberação de potássio em pó de rocha potássica inoculada com Paenibacillus polymyxa + Ralstonia solanacearum. (Fonte: Silva, 2013)

2) Ajustar o pH do solo através da calagem

O pH, também conhecido pelo termo potencial hidrogeniônico, é um indicador de acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução. Através de uma escala logarítmica que varia de 0 a14, ele fornece um parâmetro para avaliar se a solução do solo é:

  • Ácida: pH menor que 7;
  • Neutra: pH igual a 7;
  • Básica: pH maior que 7.

A limitação da disponibilidade de potássio e outros nutrientes geralmente acontece quando os solos são ácidos. Nessas condições os altos teores de alumínio acabam limitando a disponibilidade de macronutrientes e micronutrientes.Efeito do pH na disponibilidade dos nutrientes no solo.

Efeito do pH na disponibilidade dos nutrientes no solo. (Fonte: MALAVOLTA, 1980)

A Embrapa Arroz e Feijão ainda destaca que os solos ácidos têm, em geral, baixa capacidade de troca de cátions, baixa saturação por bases e baixa capacidade de retenção de água, o que provoca a deficiência hídrica das plantas.

A condição de acidez se estabelece quando o pH da solução do solo é menor que 7 e pode ser induzida por condições que alguns manejos agrícolas propiciam, como

  • Exportação e pela lixiviação de nutrientes do solo (bases trocáveis);
  • Intensificação do ciclo da matéria orgânica do solo;
  • Aplicação de fertilizantes com efeito acidificante.

Além de ser necessário evitar essas condições, na maioria das vezes a condição de acidez já está presente no local. Nesses casos, é preciso corrigir o pH do solo com a utilização de insumos agrícolas, como o calcário.

Quando aplicado no solo, o calcário entra em contato com a umidade e libera íons, que serão responsáveis tanto pela reposição de nutrientes essenciais para as plantas, quanto pela sua finalidade mais conhecida: a correção da acidez na camada arável do solo.

A correção acontece quando os ânions liberados reagem com os cátions de hidrogênio livres, reduzindo a acidez do solo. O mecanismo de neutralização dos cátions, também tem um papel essencial na estrutura do solo, reduzindo a compactação através do mesmo mecanismo de neutralização dos cátions.

Essa alteração física se torna possível pois os cátions responsáveis pela acidez e toxidade nos solos ácidos são os principais agentes floculantes dos coloides. É o que explicam os pesquisadores M. Morelli e E.B. Ferreira, no artigo Efeito do carbonato de cálcio e do fosfato diamônico em propriedades eletroquímicas e físicas de um Latossolo, publicado na Revista Brasileira de Ciência do Solo.

3) Neutralizar elementos tóxicos que inibem a absorção de potássio pelas plantas com a aplicação de gesso

São considerados elementos potencialmente tóxicos todos aqueles capazes de gerar efeitos negativos na planta com o seu acúmulo, como o alumínio. Um dos principais efeitos negativos gerados pela presença do alumínio no solo é a redução do potencial produtivo das plantas por inibir a principal via de assimilação de nutrientes: as raízes.

No artigo Fitotoxicidade do alumínio: efeitos, mecanismo de tolerância e seu controle genético, as pesquisadoras Cinara L. Echart e Suzana C.-Molina destacam que a inibição do crescimento da raiz é o sintoma visível mais rápido da toxicidade do alumínio em plantas, podendo conduzir à deficiência mineral e estresse hídrico.

As pesquisadoras explicam que a presença do alumínio no solo ainda é potencializada pelas condições de acidez no solo, em que o hidrogênio (H+) atua sobre as partículas de argila do solo, liberando íons alumínio (Al3+) que ficam predominantemente retidos nelas.

Uma das formas de se reduzir a quantidade de alumínio ao longo do perfil do solo é com a aplicação do gesso agrícola, também conhecido como sulfato de cálcio. O gesso agrícola quando entra em contato com a água, libera íons de cálcio e sulfato.

Pelo princípio da Lei de Coulomb, os íons de alumínio que possuem carga positiva vão se ligar com os íons de sulfato que possuem cargas negativas. Essa reação resulta na formação de sulfato de alumínio, uma forma pouco absorvida pelas raízes das plantas.

Assim como outros insumos e fertilizantes utilizados na lavoura, a aplicação do gesso agrícola exige uma análise prévia das condições em que o solo se encontra. Os principais fatores que indicam a necessidade dessa aplicação são:

  • Os teores de cálcio de alumínio;
  • A saturação por alumínio;
  • A saturação por bases do solo, que é ligada a fertilidade do solo.

Mas, existem cuidados a serem tomados com o emprego dessas diferentes estratégias de correção do solo.

Os cuidados com o manejo da gessagem e calagem

Tanto a calagem, quanto a gessagem, podem gerar condições indesejadas no solo se o manejo não for adequado. Os principais problemas relacionados ao uso excessivo do gesso agrícola e calcário são:

  • Gesso agrícola: potencial para contaminação do lençol freático e o risco de lixiviação de nutrientes indesejados;
  • Calagem: mineralização excessiva da matéria orgânica, redução da disponibilidade de fósforo e propiciação de condições de deficiência de manganês nas plantas.

Dessa forma, a adubação potássica com fontes adequadas deve estar aliada ao uso consciente e técnico das estratégias de correção do solo para otimizar a disponibilidade e desempenho do potássio no solo.