Entenda como funciona a nutrição e o metabolismo do potássio na bananeira

Com um consumo médio per capta de 25kg/ano, a banana é uma das frutas mais populares no Brasil e faz parte da dieta alimentar das mais diversas classes sociais. A cultura é altamente exigente em nutrição, especialmente o potássio. Entenda como funciona a nutrição e o metabolismo do potássio na bananeira e como a deficiência em nutrientes causa prejuízos sérios à sua produtividade.

A importância do potássio para a cultura da banana

A banana está presente no dia a dia da maioria dos brasileiros, já que, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o consumo dessa fruta atinge as mais diversas camadas sociais, com um consumo per capta em torno de 25kg/ano.

Um nutriente chave na bananicultura é o potássio (K), uma vez que é altamente absorvido e um dos mais importantes elementos para a obtenção de frutos de qualidade. Estando presente predominantemente na forma iônica K+, ele não tem função estrutural na bananeira. Mas, isso não significa que ele não exerça funções importantes no ciclo de vida da planta.

O potássio é um nutriente importante na produção e qualidade de frutos, aumentando a quantidade de sólidos solúveis totais e açúcares e diminui a acidez da polpa, propriedades que melhoram o sabor.

Além disso, o nutriente também está relacionado com a translocação de fotoassimilados e balanço hídrico nas plantas, como também aumenta a resistência ao transporte dos frutos.

É importante ressaltar que o potássio é um dos nutrientes mais abundantes nos solos e representa de 0,3g a 30g/kg. Entretanto, as regiões tropicais têm menores quantidades: de 0,9g/Kg a 19 g/Kg.

Além disso, a maioria dos solos brasileiros têm pouca disponibilidade de potássio. A Embrapa, no estudo Aspectos relacionados ao mapeamento da disponibilidade de potássio nos solos do Brasil, afirma que:

  • 43,3% dos solos brasileiros têm disponibilidade baixa ou muito baixa de potássio;
  • E somente 4,4% têm disponibilidade muito alta.

Assim, para obter aumento na produtividade e frutos de boa qualidade, a bananicultura exige a aplicação de doses elevadas de K, que correspondem a 62% dos macronutrientes e 41% do total de nutrientes da bananeira.

Mas, como funciona o metabolismo do potássio na cultura da banana e quais as consequências da deficiência desse nutriente?

O metabolismo do potássio na banana e as consequências da deficiência desse nutriente

Para entender quais são as consequências da deficiência de potássio na cultura da banana é preciso entender como funciona o metabolismo desse nutriente na bananeira. As regiões da bananeira que mais acumulam potássio, considerando o início do desenvolvimento da planta, são:

  • O pseudocaule, que é o maior depositário deste nutriente;
  • As folhas, logo em seguida;
  • E por fim o rizoma.
Já na floração, os órgãos com maior concentração de K são: o pseudocaule, as folhas, os rizomas e o ráquis.
As principais partes da bananeira

As principais partes da bananeira (Fonte: CASTRO et al. apud OLIVEIRA, 2010).

O cacho é a parte mais afetada pelo baixo suprimento de K, já que há a diminuição da produção de matéria seca e a translocação de carboidratos das folhas para os frutos. E mesmo quando os açúcares atingem os frutos, sua conversão em amido é restrita, produzindo bananas pequenas e impróprias para comercialização, com maturação irregular e polpa pouco saborosa.

As cultivares mais utilizadas para exportação, extraem para os frutos 5,6 Kg de potássio ou seja mais de 35% do potássio absorvido são exportados para o fruto.

Portanto, 2/3 da parte área da bananeira no período vegetativo são devolvidos ao solo sob a forma de pseudocaule e folhas que são mineralizadas. Vale lembrar que a biomassa da bananeira que retorna ao solo contém em torno de 3% de K2O.

Diante disso, como fazer a adubação potássica da bananeira de maneira eficiente?

Como fazer a adubação potássica de maneira eficiente?

Para que a adubação potássica da bananeira seja mais eficiente, é preciso que ela seja feita de forma equilibrada e pensando no manejo nutriciional de forma mais ampla. O efeito positivo das aplicações altas de K somente ocorre quando os teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) estão adequados no solo.

Os cátions potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) devem estar balanceados para serem melhor absorvidos pelo sistema radicular da bananeira. Portanto para manter o equilíbrio entre os cátions K e Mg é importante aplicar Mg no solo, devido às altas doses de K aplicadas durante os ciclos de produção da bananeira.

Assim, evita-se o surgimento do “azul da bananeira”, que é a deficiência de Mg induzida pelo excesso de K, quando se faz irrigação com águas calcárias.

Entretanto, pode haver também a deficiência de potássio, que tem como sintomas mais comuns o amarelecimento rápido e murcha precoce das folhas mais velhas e o limbo se dobra na ponta da folha, aparentando aspecto encarquilhado e seco.

Visão geral dos sintomas de deficiência de potássio na bananeira (A) e visão mais detalhada das folhas (B)

Visão geral dos sintomas de deficiência de potássio na bananeira (A) e visão mais detalhada das folhas (B) (Fonte: Pinho, 2007)

Esses sintomas de deficiência de K são observados, normalmente, quando os níveis Ca e Mg são altos, sendo a relação necessária no solo de K:Ca:Mg na faixa de 0,3:2,0:1,0 a 0,5:3,5:1,0.

Outro ponto a ser observado na hora de realizar a adubação com potássio é a quantidade de adubo a ser utilizada. Por exemplo, solos com mais de 60 cmol dispensam a aplicação desse nutriente. Assim, para saber exatamente quanto de adubo deve ser utilizado, o primeiro passo é amostrar o solo para análise química.

Esse resultado fornecerá a quantidade de nutrientes e/ou elementos tóxicos presentes no solo. Dessa maneira, por meio de tabelas de adubação, constantes nos manuais de cada estado, ou por extração da cultura é possível fazer a recomendação dos fertilizantes a serem utilizados.

Além disso, é necessário saber a dose correta e o momento de aplicação e ainda a influência de fatores como tipo de solo para manejar bem a nutrição. O fornecimento de nutrientes pode ser pelo solo e pela reciclagem no sistema solo-planta.

Entretanto, para uma boa produtividade é imprescindível a aplicação de fertilizantes em quantidades e proporções adequadas as extraídas pela bananicultura.

Normalmente, a quantidade desse elemento, aplicada nos solos varia de 100 a 1200 kg de K2O/ha ao ano. As fontes utilizadas são o cloreto de potássio, sulfato de potássio e magnésio, nitrato de potássio e até mesmo as cinzas de madeira.

Geralmente são feitas de 3 a 4 aplicações pois o potássio é facilmente perdido no solo, principalmente nos solos arenosos. Além disso, os adubos potássicos mais utilizados quando aplicados ao solo, estão sujeitos a perdas diversas, como lixiviação e arrastamento superficial.

Para reduzir essas perdas, recomenda-se o parcelamento ou fracionamento da adubação para que as plantas possam tirar o máximo proveito do potássio incorporados ao solo. Altas aplicações causam deficiência de potássio e solos ácidos tem baixa absorção, aumentando a permeabilidade da membrana.

Outro desafio relacionado à adubação da bananeira é o desbalanço entre nitrogênio (N) e potássio (K). Quando ele acontece, o produtor pode ter problemas na pós-colheita, já que ele leva à queda de frutos amadurecidos no cacho, sobretudo em bananeiras do subgrupo Cavendish.

Além disso, o desbalanceamento de nutrientes também pode predispor as plantas a doenças, reduzindo tanto a produção quanto a qualidade dos frutos.

A escolha do fertilizante é essencial

A adubação potássica adequada é essencial para que a bananicultura tenha bons níveis de produtividade e para que os frutos tenham mais qualidade.

A presença de potássio em quantidades adequadas inclusive influencia a atividade de certas enzimas e pode levar à diminuição de compostos solúveis de baixo peso molecular, ou seja, compostos que quando presentes, proporcionam meio favorável ao desenvolvimento de vários parasitas.

Por isso, é preciso não somente entender as características do solo e da planta, como escolher o fertilizante adequado.

Uma fonte de potássio que tem sido muito interessante e que não tem problemas com lixiviação, reduzindo a necessidade de parcelamento na bananicultura, é o Siltito Glauconítico.

Essa rocha sedimentar é utilizada como matéria-prima de fertilizantes como os produzidos pela Verde e é rica em glauconita, que tem efeitos benéficos para o solo. Além disso, ele possui 10% de K2O disponível, também fornece silício, magnésio e manganês e possui liberação gradativa.

Dessa maneira, a boa escolha de fertilizantes potássicos e das práticas de nutrição ajuda a melhorar a bananicultura, visto a relevância desse nutriente no ciclo de vida bananeira e sua importância para se obter aumento na produtividade e frutos de boa qualidade.