Impactos da remoção da palha em lavouras de cana para produção de bioetanol

Impactos da remoção da palha em lavouras de cana para produção de bioetanol

Por muito tempo, a produção de etanol impulsionou a produção de cana-de-açúcar no Brasil. Entretanto, com o advento da criação do bioetanol muitos agricultores se encontram em um dilema de manter ou não a palhada de cana-de-açúcar no campo. Isso porque ela pode ser tanto mantida na área para melhorar a qualidade física, química ou biológica do solo, ou pode ser removida e encaminhada para usinas, para complementar a renda da propriedade. Qual, então, é a escolha mais assertiva?

Para falar sobre esse assunto, o Doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ/USP e Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Campus Florestal, Dr. Dener Marcio da Silva Oliveira participou do “Encontro com Gigantes – Impactos da remoção da palha em lavouras de cana para produção de bioetanol”.

O evento foi promovido pela Verde Agritech, empresa que produz os fertilizantes BAKS®, K Forte® e Silício Forte, no dia 02 de junho de 2022.

Você pode conferir a conversa, mediada por Rafael Bittencourt, na íntegra pelo link:

 

Para que serve a palha da cana?

Até 2017, o manejo da palha da cana era uma prática muito simples. Isso porque a prática de queimada dos canaviais era a opção feita para facilitar o procedimento da colheita, melhorar a segurança dos trabalhadores e aumentar o rendimento da atividade.

Entretanto, o alto impacto ambiental que essa prática causava levou à proibição da queimada da cana em grande parte do território nacional. E, como resultado, o agricultor agora precisa buscar alternativas para manejar o grande volume de resíduos culturais gerados, conforme explica o Dr. Dener Marcio:

“Desde a abolição da queima em áreas de cana-de-açúcar no Brasil, o agricultor passou a ter um acúmulo muito grande de resíduos culturais após a colheita das lavouras, que chegam a cerca de 10 a 20 toneladas por hectare de matéria seca de palha (folhas secas, ponteiro e restos de colmo).”

Duas das principais formas de manejo da palha da cana consistem na sua remoção e encaminhamento para as usinas, com o objetivo de complementar a produção de bioetanol da propriedade, ou a permanência desse material no campo.

Geralmente, a primeira alternativa acaba sendo inicialmente mais atrativa para o agricultor, já que a curto prazo ele consegue aumentar a produção de bioetanol sem precisar expandir a sua área cultivada.

Entretanto, segundo o Dr. Dener Marcio nem sempre essa é a melhor escolha, porque a remoção da palha da cana pode levar a exportação de nutrientes na lavoura e aumentar os custos referentes à adubação.Quantidade de nutrientes (N-P2O5-K2O) e custo de fertilizantes necessários para compensar a remoção de nutrientes nos cinco cenários de remoção de palha de cana-de-açúcar

Quantidade de nutrientes (N-P2O5-K2O) e custo de fertilizantes necessários para compensar a remoção de nutrientes nos cinco cenários de remoção de palha de cana-de-açúcar. (Fonte:Cherubin et al., 2019)

Além disso, a palhada é responsável por 70% do aporte de carbono no solo, desempenhando um papel muito importante na mitigação do efeito estufa e no aumento do teor de matéria orgânica do solo.

“Quando falamos em qualidade do solo, a matéria orgânica pode ser considerada como uma engrenagem central que vai interferir de forma direta em diferentes atributos físicos, químicos e microbiológicos. Atributos estes que vão ser determinantes para produtividade e competitividade agrícola da propriedade”, explicou o Dr. Dener Marcio.

Dessa forma, quando a palha da cana é mantida na área, ela é capaz de melhorar a qualidade do solo ao contribuir para o favorecimento da(o):

Como, então, fazer o bom manejo da palha de cana na lavoura?

O que fazer com a palha da cana?

Segundo o Dr. Dener Marcio, a remoção de palha pode afetar a produtividade tanto da cana-planta, como da cana-soca. Entretanto, é possível trabalhar com diferentes taxas de remoção de palha, dependendo de fatores como:

  • As condições climáticas regionais;
  • A época e modo de colheita;
  • As características do solo;
  • As condições das plantas;
  • A variedade de cana;
  • A idade das plantas.

Além disso, ele sugere que outras práticas agrícolas podem ajudar a manter a produtividade do canavial, mesmo com a retirada da palha.

Esse é o caso da adoção do preparo reduzido, que busca reduzir o número de operações na área, e a incorporação de fontes alternativas de carbono disponíveis na própria cadeia produtiva da cana, como a torta de filtro e a vinhaça.

Por fim, o Dr. Dener Marcio em suas considerações finais reafirmou a importante contribuição que a palha de cana-de-açúcar tem para a qualidade do solo. Ele ainda ressaltou a importância da adoção de algumas práticas para favorecer a produtividade da cana, mesmo em condições em que é necessário a remoção parcial da palha no campo.

“A palha é a principal fonte de matéria orgânica em áreas de cana, e pode alterar a dinâmica de carbono no solo e o balanço das emissões na produção da cultura. Logo ela vai interferir diretamente na qualidade do solo e na produtividade da cana. Assim medidas para reduzir os efeitos negativos da remoção, como preparo reduzido e a introdução de outras fontes de carbono, são imprescindíveis para manter a produtividade da cana mesmo em condições com remoção parcial da palhada.”

Para entender mais sobre os impactos da remoção da palha em lavouras de cana para produção de bioetanol, confira o vídeo do Encontro com Gigantes na íntegra!

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