Os microrganismos do solo são vilões ou aliados do agricultor

Os microrganismos do solo são vilões ou aliados do agricultor?

Geralmente, os microrganismos costumam ser associados a problemas e doenças na agricultura. Mas, você sabia que esses seres são importantes para manter a saúde do solo e garantir a produtividade das plantas? Descubra como os microrganismos nem sempre são vilões e podem ser aliados do agricultor.

Os diferentes tipos de microrganismos presentes na agricultura

O termo microrganismos engloba seres microscópicos, que não podem ser vistos a olho nu. Eles estão presentes em praticamente todo o planeta, desempenhando diversos papéis no ecossistema do qual fazem parte.

A quantidade e diversidade desses pequenos seres é tão grande que somente o solo pode ser considerado o ecossistema mais diverso do planeta. Estima-se que em apenas 1 colher de chá de solo possam existir cerca de 50 bilhões de microrganismos, representados principalmente pelos:

  • Vírus;
  • Bactérias;
  • Protozoários;
  • Fungos;
Mesmo em uma pequena quantidade de solo, como apenas uma colher de chá, existem cerca de 50 bilhões de microrganismos.

Mesmo em uma pequena quantidade de solo, como apenas uma colher de chá, existem cerca de 50 bilhões de microrganismos.

Em cada um dos grupos de microrganismos do solo, são encontradas espécies capazes de gerar tanto benefícios quanto malefícios para agricultura. Porém, é importante ressaltar que a falta de equilíbrio entre os diferentes componentes do agroecossistema  é o que geralmente leva a maior incidência e severidade dos efeitos negativos dos microrganismos.

As viroses, por exemplo, são um sério problema para a agricultura, sendo disseminadas principalmente através de insetos vetores, como a cigarrinha-do-milho. Ou seja, para que elas sejam capazes de gerar danos econômicos para uma cultura, a presença por si só do vírus não é suficiente.

Também é necessário o envolvimento de outros fatores, como descontrole populacional dos insetos vetores, para que os vírus sejam capazes de se multiplicar e disseminar em uma lavoura.

Em contrapartida, os vírus também já estão sendo utilizados para o controle biológico de pragas. É o caso da lagarta-do-cartucho do milho, como demonstrado na pesquisa Controle biológico de Spodoptera frugiperda: eficiência do uso de Baculovirus spodoptera e outras técnicas.

No estudo, as autoras Isabella Cardoso Cunha e Monica Hitomi Okura concluíram que o uso do Baculovirus como bioinseticida é um método de controle biológico eficaz, apesar de ainda existirem limitações para a produção em escala industrial.

Os fungos também são outro grupo muito presente no controle biológico de pragas e inclusive podem ser vistos como um dos métodos mais eficazes. Diferentemente dos predadores e parasitoides que controlam as pragas em estágios específicos, os fungos entomopatogênicos agem por contato e atuam praticamente durante todo o ciclo de vida dos insetos.

Atuação do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana sobre a broca da haste da mandioca (Sternocoelus sp.). (Fonte: LIMA, A. L. - Embrapa Amapá)

Atuação do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana sobre a broca da haste da mandioca (Sternocoelus sp.). (Fonte: LIMA, A. L. – Embrapa Amapá)

E os microrganismos não ficam limitados apenas ao controle de pragas e doenças. Eles são responsáveis por prestar diversos serviços ambientais, que são aqueles serviços que a natureza oferece ao homem e estão associados à qualidade de vida e bem estar da sociedade:

  • Processos de formação do solo;
  • Decomposição de resíduos orgânicos;
  • Fixação de carbono;
  • Ciclagem e disponibilização de nutrientes;
  • Biorremediação de poluentes e agrotóxicos.

Grande parte desses serviços ambientais não são concretizados apenas pela atuação isolada dos microrganismos e sim pela sua ação conjunta e relações que estabelecem com outros elementos do ecossistema o qual fazem parte, como as plantas.

As relações simbióticas dos microrganismos com as plantas

As relações simbióticas que os microrganismos estabelecem com as plantas são um tipo de relação entre dois organismos de espécies diferentes, que permite uma convivência a longo prazo que pode gerar benefícios para ambos.

Enquanto as plantas são capazes de fornecer alimento (exsudatos radiculares) para as diferentes comunidades de microrganismos que habitam o solo, eles retribuem, por exemplo, oferecendo proteção e otimizando a absorção de água e nutrientes da planta.

O processo de proteção pode ser evidenciado com o uso de produtos biológicos a base de rizobactérias para o tratamento de sementes. Elas são utilizadas por apresentarem uma elevada taxa de colonização, além de apresentarem um efeito de longo prazo que perdura com o crescimento da planta.

Já a otimização da absorção de água e nutrientes acontece principalmente por meio da associação entre as raízes das plantas e os fungos. Essa associação permite que as raízes entrem em contato com uma maior porção do solo e consequentemente explorem uma maior área para captação de água e nutrientes.

Além disso, o fato de que muitos microrganismos também estão  associados com a maior disponibilização de nutrientes no solo, como relatado no artigo  Potassium Solubilizing Microbes: Diversity, Ecological Significances and Biotechnological Applications, os torna uma ferramenta em potencial para otimizar o uso de fertilizantes.

Contudo, o biólogo Dr. Merlin Sheldrake no livro Entangled Life: How Fungi Make Our Worlds, Change Our Minds and Shape Our Futures observa que a agricultura industrial moderna desenvolveu grande parte dos insumos e práticas agrícolas sem considerar a vida do solo.

Com isso, muitas práticas agrícolas e insumos convencionais, como a utilização em excesso do Cloreto de Potássio, tem potencial para matar os microrganismos presentes no solo e gerar diversos efeitos indesejáveis na busca por uma agricultura mais eficiente e sustentável.

A escolha dos insumos agrícolas influencia na vida do solo

Para garantir o desenvolvimento de comunidades de microrganismos benéficas no solo e estabelecer um ecossistema equilibrado, o agricultor deve estar atento a dois principais processos que levam ao desaparecimento dos microrganismos do solo: a salinização e a esterilização.

O processo de salinização ocorre com o incremento constante de sais solúveis ao solo por meio da aplicação recorrente de insumos agrícolas com elevado índice salino. Em um ambiente mais salino, a osmose faz com que os microrganismos percam água para o meio e morram durante o processo.

Além disso, de forma mais direta, os microrganismos são eliminados na presença de compostos nocivos para o seu metabolismo, como o cloro, tornando o solo estéril.

Dessa forma, é imprescindível que o agricultor sempre esteja atento às formulações dos insumos aplicados na sua lavoura e busque por fontes alternativas de nutrientes, livres de cloro e com baixo índice salino, como o Siltito Glauconítico.

Gostou deste assunto? Veja como o Sr. Adriano Martins Barbosa, Agricultor e engenheiro agrônomo, do município de Pires do Rio, Goiás, no triângulo mineiro, utiliza produtos que preservam a microbiota do solo e tem resultados positivos na lavoura.

Leia o depoimento: Agricultor de Pires do Rio – GO fala como melhorou a microbiota do solo e a produtividade e com o K Forte®