Cinco dicas para encontrar o fertilizante rico em potássio ideal para a adubação da sua lavoura

Cinco dicas para encontrar o fertilizante rico em potássio ideal para a adubação da sua lavoura

Os gastos com fertilizantes podem representar cerca de metade dos custos de plantio, segundo um levantamento feito pelo Canal Rural. Esse grande investimento tem levado cada vez mais agricultores a buscar por alternativas no mercado, principalmente por fontes de nutrientes que não tenham seu preço afetado por condições socioeconômicas internacionais, como o potássio. Mas, como encontrar o fertilizante potássico ideal para a adubação da lavoura?

Como escolher o fertilizante rico em potássio para usar na adubação?

A variedade de opções de fertilizantes potássicos disponíveis no mercado, que vão desde fontes químicas a orgânicas, ainda dificulta a decisão de compra de muitos agricultores.

Em geral, os investimentos estão concentrados em fontes de potássio importadas, que podem chegar a representar mais de 95% do consumo do país.
Entretanto, os momentos de instabilidade socioeconômicas internacionais têm criado um cenário de insegurança entre os agricultores brasileiros e levado muitos a procurar outras fontes ricas em potássio.

Veja, a seguir, 5 dicas para escolher o fertilizante potássico ideal para a adubação da sua lavoura:

1. Avaliar o potencial da matéria-prima utilizada na produção do fertilizante potássico

Um dos principais aspectos que mais influenciam a escolha de muitos agricultores é o teor de potássio do fertilizante, já que o potássio é um macronutriente primário exigido em grandes quantidades pelas plantas.

Ou seja, forma-se a percepção de que quanto maior a concentração de potássio, menor será a necessidade de aplicar grandes volumes e, consequentemente, menores serão os gastos com a nutrição vegetal.

Entretanto, essa aparente economia nem sempre se traduz em um benefício direto para maior resposta da cultura. Isso acontece, porque a planta não depende apenas do potássio para expressar seu potencial produtivo, mas sim do equilíbrio adequado dos 13 elementos minerais essenciais.

Segundo a Lei de Liebig, o desenvolvimento de uma planta será limitado pelo nutriente disponível em menor quantidade, mesmo que todos os outros elementos ou fatores estejam presentes.

A Lei de Liebig, também conhecida como Lei do Mínimo, ressalta que se um nutriente específico estiver em falta, por menor que seja a quantidade demandada, essa falta irá limitar o bom desenvolvimento da cultura.

Dessa forma, é interessante avaliar o potencial da matéria-prima utilizada na fabricação do fertilizante para fornecer outros nutrientes além do potássio. Além disso, fertilizantes que ofereçam elementos requeridos em menores quantidades como os micronutrientes e macronutrientes secundários, como o boro e o enxofre, respectivamente, também são uma boa opção.

2. Valorizar as fontes de potássio de liberação gradual

A taxa de liberação, como o próprio nome sugere, refere-se à quantidade do nutriente disponibilizada para o solo e para as plantas dentro de um determinado período de tempo.

Apesar de ser uma informação relevante, muitas vezes ela acaba sendo negligenciada, já que a maior parte das fontes de potássio são muito solúveis, ou seja, apresentam uma liberação rápida ou imediata de todo o conteúdo de potássio do adubo.

Essa liberação imediata de nutrientes, apesar de ser desejada em alguns momentos do programa de adubação, traz consigo algumas limitações relacionadas principalmente com a capacidade de absorção e aproveitamento do potássio pelas plantas.

Apenas parte do potássio aplicado consegue ser absorvido e aproveitado pelas plantas no momento em que fontes muito solúveis são aplicadas.  Isso faz com que o restante do conteúdo de potássio do solo acabe ficando muito suscetível a sofrer perdas por lixiviação e fixação.

No livro Fertilizantes de eficiência aprimorada, os pesquisadores Márcio Valderrama e Salatiér Buzetti estimam que 40% a 70% dos fertilizantes usados no manejo agrícola podem se perder por lixiviação e volatilização.

Uma das formas de se evitar os processos de perda é com a escolha de fertilizantes de liberação gradual de potássio, que apresentam um melhor equilíbrio entre a taxa de absorção de potássio pelas plantas e a taxa de disponibilização dos nutrientes pelo fertilizante.

3. Observar o índice salino da fonte de potássio

O índice salino é uma medida da tendência do fertilizante para aumentar a pressão osmótica da solução do solo, uma propriedade imutável descrita em cada fertilizante.

Como a pressão osmótica está muito relacionada com o fluxo de água do solo, quanto mais alto for o índice salino, maiores poderão ser as consequências negativas para o sistema de produção.

O uso constante de fertilizantes potássicos com elevado índice salino pode aumentar as concentrações de sais no solo, prejudicando a sua fertilidade, potencial produtivo das culturas e a microbiota do solo. Essas consequências são resultado do fenômeno chamado de plasmólise, que é a perda da água contida nas plantas e nos microrganismos do solo.

Apesar de ser possível mitigar alguns dos efeitos negativos da salinização do solo com o parcelamento da aplicação dos fertilizantes, a longo prazo isso também traz aumento de custos para o agricultor.

Assim, a escolha de fontes de potássio com baixo índice salino traz mais benefícios no longo prazo, do que a adoção de práticas para combater condições de salinidade já estabelecidas no solo posteriormente.

4. Evitar usar fertilizantes com altas concentrações de cloro

Diversos estudos e pesquisas realizadas nas últimas décadas tem reforçado o quão prejudiciais são as altas concentrações de cloro presentes em alguns fertilizantes potássicos, como o Cloreto de Potássio (KCl).

As altas concentrações de cloro, além provocarem a manifestação sintomas de toxicidade nas plantas, são responsáveis por diversos outros efeitos indesejados no solo, nos microrganismos e na própria rentabilidade, qualidade e produtividade das culturas.

Por exemplo, o Doutor em Ciência do Solo Enilson de Barros Silva, no seu estudo Qualidade de grãos de café beneficiados em resposta à adubação potássica, demonstrou que o cloro provoca a redução da atividade da polifenoloxidase, uma enzima que está ligada à qualidade do café.

Além disso, o excesso de cloro tem potencial para afetar severamente o sistema radicular das culturas, já que ele promove a compactação do solo.

Um sistema radicular pouco desenvolvido não só reduz a eficiência do uso de água e nutrientes pelas plantas, mas também reduz as populações de microrganismos do solo que crescem sobre a sua superfície.

Os microrganismos do solo também são afetados pelo efeito biocida do cloro, que elimina essas comunidades microscópicas e junto a elas seus diversos benefícios, que vão desde a promoção de crescimento das culturas à biorremediação de poluentes no solo.

5. Buscar por benefícios que vão além da nutrição vegetal

Por fim, é necessário cada vez mais buscar nos fertilizantes potássicos benefícios que vão além da nutrição vegetal, quando pensamos em construção e manutenção da fertilidade e da saúde do solo.

A intensificação do uso do solo nos sistemas agrícolas vai exigir cada vez mais dos agroecossistemas. E para suportar essa carga produtiva, o agricultor deve procurar por fontes de potássio que favoreçam outras características do solo, como:

Investir em fontes de potássio com boas características pode ser a chave para melhorar o manejo

Em resumo, buscar fontes de potássio com boas características, como aqueles que são multinutrientes, de liberação gradual, com baixo índice salino e teor de cloro e que também alcancem benefícios que vão além da nutrição vegetal pode ser a chave para melhorar o manejo agrícola.

Além disso, fontes de potássio nacionais podem ser um diferencial no sucesso do manejo agrícola. Isso porque elas, diferentemente dos fertilizantes potássicos importados, não têm seu preço afetado por condições socioeconômicas internacionais, ajudando a otimizar os custos da produção.

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