Entenda os malefícios da absorção excessiva de cloro pelas plantas

Entenda os malefícios da absorção excessiva de cloro pelas plantas

Apesar de ser um micronutriente importante para o metabolismo da planta, o cloro em excesso causa problemas tanto para o solo quanto para as plantas. Isso acontece porque algumas fontes convencionais de adubação, como o Cloreto de Potássio (KCl), apresentam altas concentrações do elemento. Entenda mais sobre os efeitos do cloro e alternativas para minimizar a absorção excessiva do micronutriente pelas plantas.

O cloro é um micronutriente naturalmente presente na água e no solo

O cloro é um micronutriente, ou seja, é um elemento essencial para o crescimento e desenvolvimento da planta requerido em pequenas quantidades. Junto a ele, estão inclusos nesse grupo:

  • Boro;
  • Molibdênio;
  • Cobre;
  • Ferro;
  • Zinco;
  • Níquel;
  • Manganês.

Ele é comumente encontrado combinado com outros elementos, principalmente na forma de Cloreto de Sódio (NaCl). Na fração mineral do solo é encontrado em minerais potássicos como a Silvinita e Carnalita.

O Brasil ocupa a 7ª colocação no ranking mundial em termos de reservas de potássio, sendo as reservas de silvinita e carnalita concentradas nos estados de Sergipe e Amazonas. (Fonte: CETEM)

O Brasil ocupa a 7ª colocação no ranking mundial em termos de reservas de potássio, sendo as reservas de silvinita e carnalita concentradas nos estados de Sergipe e Amazonas. (Fonte: CETEM)

Por se tratar de um micronutriente, geralmente as quantidades de cloro encontradas naturalmente no solo são suficientes para suprir as demandas nutricionais das plantas. Com isso, situações de carência são  pouco recorrentes.

Em geral, as plantas que não conseguem um suprimento adequado de cloro apresentam folhas com manchas amarelas e pode acontecer a necrose dos tecidos vegetais.

Os sintomas se refletem pela atuação do cloro no processo de fotossíntese. É através desse processo que as plantas convertem a luz solar e os nutrientes absorvidos em energia necessária para a produção de flores, frutos e grãos.

Se os malefícios do cloro não estão  ligados a deficiências nutricionais, onde eles estão?

Os malefícios do cloro são relacionados com toxidez por excesso do elemento

Os malefícios do cloro estão relacionados principalmente com o excesso de absorção do elemento pelas plantas. Isso acontece porque naturalmente esse nutriente já está disponível em quantidades adequadas para as plantas.s. Assim, o excesso de cloro pode acarretar danos ao desenvolvimento das plantas.

O Cloreto de Potássio apresenta alta concentração de cloro em sua composição

Fontes convencionais de nutrientes, como o Cloreto de Potássio, apresentam quase metade da sua formulação composta por cloro.

Na cultura do café, os pesquisadores tem relacionado diretamente a toxidez do cloro com a queima das margens das folhas e redução da qualidade da bebida. No artigo Toxidez de Cloro em Mudas de Café Arábica Cultivadas em Vasos, o Dr. Cesar Abel Krohling e outros pesquisadores, verificaram a necrose de folhas e outros tecidos.

Já no estudo Qualidade de grãos de café beneficiados em resposta a adubação potássica, o Doutor em Ciência do Solo Enilson de Barros Silva demonstrou a interferência do cloro na atividade da enzima polifenoloxidase, ligada à qualidade da bebida do café.

Também foi estabelecido pelo professor de Geologia e Ciência Agrícola da Universidade de Illinois, Dr. Timothy Ellsworth juntamente com outros pesquisadores, uma relação entre as plantas sensíveis à toxicidade do cloro e a produtividade. Eles verificaram essa relação principalmente nas leguminosas e gramíneas, através do estudo The Potassium paradox: Implications for soil fertility, crop production and human health.

Entretanto, os malefícios do cloro não ficam limitados aos prejuízos diretos às plantas. Segundo o Engenheiro Agrônomo Ericson Marinho, o sorgo com excesso de cloro diminui em até 90% a vida útil do maquinário utilizado no processamento das plantas.

No solo, o cloro tem potencial para causar a compactação e ainda reduzir as populações de microrganismos benéficos. Os principais impactos negativos da compactação são sentidos no sistema radicular das culturas e redução da microbiota do solo, ocasionando  perda de diversas interações estabelecidas entre as plantas e os microrganismos.

A ausência dessas relações afeta diversos processos envolvidos com a promoção do crescimento vegetal, como:

  • Mobilização e transporte de nutrientes para a planta;
  • Fixação de nitrogênio;
  • Disponibilização de nutrientes;
  • Aumento da área de absorção das raízes;
  • Produção de fito-hormônios e de compostos orgânicos voláteis que estimulam o desenvolvimento vegetal;
  • Proteção das plantas contra estresses bióticos e abióticos.

Além disso, a doutora e especialista em Solos e Nutrição de Plantas Michele Megda, alerta que o excesso de cloro pode diminuir a eficiência de outros insumos agrícolas, como os produtos biológicos:

Para mitigar os malefícios da absorção excessiva de cloro nas plantas é necessário buscar por fontes alternativas de nutrientes que substituam parcialmente ou totalmente fertilizantes com teores muito elevados de cloro.

Fontes alternativas mitigam os efeitos da absorção excessiva de cloro

Buscar por fontes alternativas de nutrição vegetal que reduzam parcialmente ou completamente o uso de fertilizantes ricos em cloro é uma das estratégias que pode ser adotada pelo agricultor que busca uma maior produtividade, qualidade e economia no seu empreendimento.

Para isso, o primeiro passo é identificar nas formulações dos fertilizantes que são utilizados na propriedade aqueles que apresentam elevados teores de cloro, como o Cloreto de Potássio.

Uma vez identificados os compostos dos fertilizantes com a ajuda de um profissional especializado, o agricultor deve buscar por insumos alternativos que sejam capazes de suprir as demandas nutricionais da sua lavoura sem adicionar altos teores de cloro ao solo.

Uma das alternativas de amplo espectro nutricional são os fertilizantes da Verde, como o: BAKS, K Forte®K Forte Boro e o Silício Forte. Eles são produzidos a partir do Siltito Glauconítico, uma rocha sedimentar capaz de:

Algumas das formulações do BAKS, ainda contam com duas fontes de potássio: uma de liberação imediata e outra de liberação gradual. Assim, o agricultor mantém a produtividade, mas equilibra os níveis de fertilidade do solo, reduzindo ao longo do tempo a necessidade da aplicação de fontes com excesso de cloro.

Além disso, o BAKS traz outras matérias-primas com propriedades igualmente benéficas, como a ulexita e o enxofre elementar micronizado.

Buscar por novas tecnologias com baixas concentrações de cloro são o futuro para desenvolver uma agricultura mais eficiente, rentável e sustentável!