Conheça as 3 principais fontes de potássio para as plantas

Conheça as 3 principais fontes de potássio para as plantas

Você já se perguntou qual a função do potássio para as plantas? O potássio desempenha múltiplas funções, que vão desde a ativação enzimática ao transporte de compostos nos tecidos vasculares das plantas. Mas, quais são os principais fertilizantes capazes de fornecer esse nutriente tão essencial para a qualidade, desenvolvimento e produtividade das culturas? É possível utilizar outras fontes de potássio na lavoura?

Quais as fontes de potássio para as plantas?

As principais fontes de potássio para as plantas utilizadas na agricultura são o Cloreto de Potássio (KCl), sulfato de potássio (K2SO4) e nitrato de potássio (KNO3). Apesar de todas serem fontes de potássio para as plantas, esses três fertilizantes potássicos apresentam diferentes aspectos, vantagens e desvantagens em um sistema produtivo. Veja a seguir quais são eles:

1. Cloreto de Potássio (KCl)

O Cloreto de Potássio (KCl), é um haleto metálico salino composto por aproximadamente 47 % de cloro e 53% de potássio, muito usado na agricultura como fonte de potássio. Ele é extraído de minerais como a silvita e a carnalita, mas também pode ser obtido através de outros processos.

Quase a totalidade do KCl usado no Brasil tem sua origem no exterior. Dados do Ministério da Agricultura mostram que 96,5% de todo KCl é importado de países que compõem o oligopólio de produção do fertilizante no mundo: Rússia, Bielorrússia e Canadá.

As principais vantagens do Cloreto de Potássio como fertilizante são o seu alto teor de potássio e a sua rápida disponibilização para as plantas. Em determinados contextos, isso é vantajoso para o agricultor que precisa atender a demanda nutricional imediata da lavoura.

Entretanto, essas mesmas características, quando somadas ao elevado índice salino (116%) e de cloro do Cloreto de Potássio, também trazem diversas limitações do seu uso excessivo como fonte de potássio, como:

  1. Redução da produtividade e de rendimento das culturas;
  2. Necessidade de parcelar a aplicação;
  3. Prejuízo às populações de microrganismos do solo;
  4. Redução da qualidade dos produtos agrícolas;
  5. Comprometimento da qualidade do solo.

A doutora e especialista em Solos e Nutrição de Plantas, Dra. Michele Megda, explica um pouco mais sobre essas limitações:

 

2. Sulfato de potássio (K2SO4)

O sulfato de potássio (K2SO4) pode ser produzido de diferentes formas, que envolvem reações químicas com o ácido sulfúrico (H2SO4), resinas de troca iônica, decomposições minerais e até pela evaporação solar de lagoas salinas que contenham os íons potássio e sulfato.

Ele é muito utilizado como fonte de potássio e enxofre para as plantas. Isso por causa da sua alta concentração desses nutrientes:  ele contém cerca de 50% de potássio sob a forma de K2O e 17% de enxofre sob a forma SO42-.

A principal diferença entre o KCl e o sulfato de potássio, é que o sulfato de potássio é uma das fontes de potássio livre de cloro.

Isso evita o surgimento de problemas relacionados ao excesso de absorção de cloro pelas plantas e seus efeitos negativos na qualidade dos produtos agrícolas e do solo.

Entretanto, assim como o KCl, o sulfato de potássio é bem solúvel e possui um elevado índice salino, de 46%.

Enquanto a alta solubilidade pode trazer problemas para a lavoura como a perda de nutrientes para as camadas mais profundas do solo, o elevado índice salino pode limitar o desenvolvimento das plantas e dos microrganismos e levar a salinização do solo.

3. Nitrato de potássio (KNO3)

Também conhecido como Salitre, o nitrato de potássio (KNO3) é um dos fertilizantes utilizados para suprir as demandas de nitrogênio e potássio das plantas, dois dos três macronutrientes mais exigidos pelas culturas.

De acordo com a Embrapa, ao final do processo de purificação o nitrato de potássio apresenta em sua composição 13% de nitrogênio e 44% de potássio, com pequenas variações entre os fabricantes.

A presença de nitrogênio, combinada a elevada solubilidade do nitrato de potássio, faz com que ele seja um dos fertilizantes potássicos mais versáteis, já que a aplicação poder ser feita em diferentes momentos do ciclo produtivo.

Além dos benefícios do nitrato de potássio para nutrição vegetal, ele também tem um papel importante em sistemas sob estresse salino, reduzindo a absorção de sódio e aumentando a absorção de outros cátions, como cálcio e potássio.

Já quando pensamos em desvantagens, o nitrato de potássio apresenta o mesmo problema com a lixiviação de nutrientes e elevado índice salino, também presentes no cloreto e no sulfato de potássio.

A dependência dessas três fontes de potássio do mercado externo também é outro problema latente. No caso dos dois macronutrientes que compõem o nitrato de potássio, a importação de fontes de nitrogênio chega a representar mais de 80% e de fontes de potássio a mais de 95% do consumo brasileiro.

Isso faz com que se crie um cenário de insegurança entre os agricultores brasileiros, uma vez que vão existir momentos de instabilidade socioeconômicas internacionais que podem influenciar no preço das principais fontes de potássio importadas.

Mas, existem outras fontes de potássio que não sejam tão fortemente impactadas pela dinâmica do mercado internacional e que não tenham as desvantagens apresentadas?

Como escolher fontes alternativas de potássio para as plantas

Para substituir os fertilizantes potássicos convencionais da lavoura, o primeiro aspecto a ser considerado deve ser a origem do produto. Fontes de potássio nacionais, por exemplo, tendem a apresentar uma melhor estabilidade de preços no mercado brasileiro.

Já para evitar problemas relacionados a lixiviação de nutrientes, perdas de produtividade e qualidade da lavoura e a degradação da saúde do solo, os principais aspectos a serem considerados para a escolha das fontes de potássio são:

Um exemplo de fonte de potássio que pode substituir as convencionais é o Siltito Glauconítico, uma rocha sedimentar rica em minerais potássicos, encontrada na região de São Gotardo, Minas Gerais. Ele pertence a um grupo de rochas conhecido como siltito e é composto por:

  • 72% de glauconita;
  • 17% de K-feldspato;
  • 8% de muscovita-sericita;
  • 2% de biotita;
  • Menos de 1% de óxido de manganês;
  • Menos de 1% de manganês;
  • Elementos-traço e terras raras.

Geralmente, o Siltito Glauconítico se apresenta de forma laminada, alternando níveis de quartzo-feldspático, que são mais claros, e níveis ricos em glauconita, de coloração verde escura.

Nos Estados Unidos, a glauconita é utilizada como fertilizante desde 1760, onde é chamada de Greensand por causa da sua cor esverdeada. Seu uso era particularmente popular no estado de Nova Jersey, se devendo às propriedades benéficas da glauconita para o solo.

No estudo Greensand and Grensand Soils of New Jersey: A Review, o pesquisador Dr, John Tedrow, relaciona as propriedades benéficas da glauconita com a capacidade de reter água e nutrientes de cargas positivas do solo, como é o caso do potássio e nitrogênio, reduzindo as perdas desses nutrientes por lixiviação e volatilização.

Parte da redução das perdas de potássio para as camadas mais profundas do solo também pode ser atribuída ao local que ele se encontra fixado nas partículas dos minerais do Siltito Glauconítico, permitindo a sua liberação gradual para o solo.

Quando o Siltito Glauconítico é utilizado como matéria-prima de fertilizantes, a liberação gradual de potássio ajuda a reduzir as reaplicações de insumo.

Isso significa menos entradas na lavoura, otimizando o processo de adubação e, a longo prazo, reduzindo os custos operacionais.

Outro aspecto importante do Siltito Glauconítico que faz com que ele seja uma fonte nutricional eficiente na agricultura é que ele é livre de cloro em sua composição.

E isso é muita vantajoso, a toxidez do cloro pode prejudicar o desenvolvimento das plantas e dos microrganismos do solo, graças ao seu alto potencial biocida.

Escolher bem os fertilizantes potássicos e melhorar o sistema produtivo é a chave para alcançar bons resultados

Por fim, vale-se ressaltar que é muito importante que o agricultor não invista somente em fertilizantes potássicos de qualidade, mas também em todos os demais aspectos do seu sistema produtivo para alcançar bons resultados com a adubação potássica na lavoura.

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