Conheça três métodos para aprimorar a adubação com potássio em citros

Conheça três métodos para aprimorar a adubação com potássio em citros

O potássio é um dos principais nutrientes que influenciam no crescimento e na produtividade dos citros.  Culturas como a laranja, por exemplo, podem chegar a extrair quase 2kg/ha por dia de potássio durante as fases de maior exigência nutricional. Assim, é preciso cada vez mais buscar por estratégias para aprimorar a adubação com potássio em citros.

Porque fazer adubação com potássio em citros

O potássio ocupa o topo do ranking dos nutrientes mais importantes para a produção de citros, juntamente com o nitrogênio. Ele é um macronutriente primário que influencia em diversos parâmetros da cultura, que vão desde o vigor e a sanidade das árvores ao tamanho das frutas.

 

Porém, quando a disponibilidade de potássio no solo é limitada, principalmente durante as fases de floração e maturação dos frutos, a planta passa a sofrer uma série de consequências, como:

  • Menor resistência a estresses bióticos e abióticos;
  • Redução, amarelecimento e encurvamento das folhas;
  • Redução da qualidade, do tamanho e do valor nutricional dos frutos.

Para evitar essas consequências, é preciso ter um plano de manejo nutricional consistente, que inclua todas as estratégias e boas práticas de uma adubação potássica eficiente:

1. Realizar uma correção do solo eficiente e em profundidade

Os citros são culturas pouco tolerantes a solos ácidos e têm seu crescimento radicular severamente limitado pela presença de altos teores de alumínio no solo.

Essas duas condições limitam o desenvolvimento do principal órgão da planta responsável pela absorção de nutrientes e, com isso, a nutrição potássica. Consequentemente, a produtividade da lavoura pode ser muito afetada.

No artigo Produtividade de laranja correlacionada com atributos químicos do solo visando a zonas específicas de manejo, Nídia Raquel Costa e outros pesquisadores ressaltam que poderia haver um incremento de cerca de 45% da produtividade de laranja, se fosse proporcionado condições ótimas de pH do solo nas áreas de maior acidez do estudo.

Entretanto, a incorporação de corretivos de acidez, como o calcário, é mais complexa em culturas perenes do que em culturas anuais. Parte dessa complexidade é atribuída à lenta movimentação do calcário no perfil do solo e a necessidade de um longo efeito residual.

Os estudos realizados acerca do tema têm revelado que, em geral, partículas maiores de calcário têm efeito residual mais prolongado.

Quando aplicado na fase de implantação dos pomares, ele poderia permitir um melhor desenvolvimento radicular e aproveitamento mais eficiente da água e dos nutrientes ao longo do ciclo das culturas.

Já em áreas em formação ou produção, muitos agricultores tem recorrido à distribuição de corretivos sob a projeção da copa, já que o fenômeno da acidificação do solo geralmente é mais intenso nessa região.

Junto ao uso do calcário, também é importante ressaltar os benefícios do gesso agrícola, que consegue penetrar mais facilmente no perfil do solo, neutralizar o alumínio e fornecer cálcio para as plantas em profundidade.

2. Ajustar a dosagem adequada de potássio em função da idade e do tipo de porta-enxerto do pomar

Definir a dosagem adequada de potássio ainda é um desafio para muitos citricultores, por serem plantas com um longo ciclo produtivo e que ainda contam com dois momentos distintos de exigência nutricional: a formação vegetal e a produção de frutos.

O primeiro aspecto a ser considerado pelo citricultor deve ser a idade do pomar, para entender se a lavoura se enquadra dentro de um programa de adubação para formação ou para produção.

A adubação de formação em citros prioriza a construção e melhoria da fertilidade do solo para o desenvolvimento pleno da arquitetura da planta. Já a adubação de produção visa a manutenção da fertilidade do solo, atendendo os momentos de maior exigência nutricional do pomar.

De acordo com a Embrapa, um pomar de laranja em formação exige doses crescentes de potássio com o passar dos anos e quando ele alcança seu estádio produtivo, as dosagens passam a ser aplicadas em quantidades mais estáveis.

Nesse contexto, o citricultor também deve considerar os diferentes porta-enxertos que compõe o seu pomar, já que também é outro parâmetro importante para o ajuste das doses de potássio.

No material Citros: Manejo da Fertilidade do solo para alta produtividade, Dirceu Mattos Junior e outros pesquisadores destacam, por exemplo, que para adubação de formação de pomares com porta-enxerto citrumelo Swingle, é preciso aumentar em 20% a dose de K2O.

O porta-enxerto em citros, também conhecido como cavalo, corresponde a base do tronco e as raízes da planta, sendo usado em uma técnica de propagação vegetativa conhecida como enxertia.

Nela, duas partes de plantas diferentes, mas compatíveis, a copa e o porta-enxerto, são unidas manualmente para potencializar as características da cultura, aliando a boa capacidade de enraizamento e resistência a estresses do cavalo a uma elevada produtividade da copa.Incompatibilidades mais comuns entre copas e porta-enxertos. (Fonte: CARLOS et al., 1997)

Incompatibilidades mais comuns entre copas e porta-enxertos. (Fonte: CARLOS et al., 1997)

3. Considerar os diferentes benefícios e limitações na hora da escolha da fonte de potássio

Quando falamos em aprimorar a adubação com potássio para citros, não há como deixar de citar a influência da escolha do fertilizante potássico para a produtividade e qualidade do pomar.

Segundo o International Potash Institute (IPI), o potássio tem demonstrado amplamente seu papel nos parâmetros de qualidade, valor nutricional e tempo de prateleira no pós-colheita dos citros.

Por isso, a nutrição potássica eficiente está diretamente relacionada ao valor final que os frutos adquirem no mercado. Mas, para alcançá-la é preciso ir além das fontes convencionais de potássio.

Os fertilizantes potássicos convencionais, geralmente, são altamente solúveis, o que faz com que todo o potássio contido neles seja liberado no momento da aplicação. Ou seja, eles serão mais indicados apenas para suprir demandas imediatas de potássio da lavoura, pois são muito suscetíveis a sofrer perdas por lixiviação.

Para fornecer o potássio ao longo da formação e produção dos citros o mais indicado são as fontes de liberação gradual de potássio, que repõem os “reservatórios” de potássio do solo de liberação mais lenta.

Entretanto, vale ressaltar que as análises de solo de rotina, quase sempre não quantificam os “reservatórios” de potássio de liberação mais lenta e com isso, não refletem o estado real de fertilidade do solo.

Por isso, também é muito importante que o citricultor busque pelos melhores métodos de análise de potássio para garantir a manutenção e construção da fertilidade de potássio da lavoura.

O método de análise de potássio do solo adequado é imprescindível para aprimorar a adubação com potássio para citros

A escolha dos métodos de análise de potássio do solo pode fazer muita diferença para alcançar ou não uma condução eficiente do manejo da fertilidade do solo do pomar.

Para isso, Michael J. Bell e seus colegas no capítulo Considering Soil Potassium Pools with Dissimilar Plant Availability do livro Improving Potassium Recommendations for Agricultural Crops, sugerem ampliar a visão do ciclo do potássio no solo e também dos métodos de análise, que vão muito além de Mehlich e resina.

Só assim o citricultor será capaz de alcançar uma agricultura de alta performance e aprimorar a adubação com potássio para citros.

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