Entenda como as raízes ajudam a tornar o uso do solo mais sustentável

Folhas, galhos, caules, flores, frutos. Essas são, geralmente, as partes das plantas mais aparentes e às quais prestamos mais atenção. Mas, escondidas debaixo da terra estão estruturas muito importantes para o desenvolvimento de qualquer planta: as raízes. Entenda seu papel e importância para a planta e como através delas é possível tornar o uso do solo mais sustentável.

A origem das raízes e o seu papel na planta

As raízes fazem parte de um dos grupos básicos de organização das plantas vasculares terrestres conhecido como órgãos vegetativos, juntamente com o caule e as folhas. Sinônimo de firmeza e segurança, as raízes muitas vezes são vistas apenas como algo fixo e passivo diante dos processos que a planta realiza para crescer e se desenvolver.

Mas na verdade elas são parte da dinâmica e do esforço dos vegetais para absorver os nutrientes essenciais para sua sobrevivência e impactam diretamente o solo ao seu redor. Esse processo se inicia com a emergência da raiz embrionária da semente, denominada radícula.

A radícula é a primeira parte a emergir da semente, responsável por fixar a plântula ao solo e iniciar o processo de absorção e condução dos nutrientes minerais. Ela também assume grande parte da absorção de água, que inicialmente era realizada pelo próprio tegumento da semente.

Em muitas espécies, a radícula desenvolve-se na raiz primária da plântula, que pode assumir durante seu crescimento dois tipos principais de configurações: as raízes pivotantes e fasciculadas.

As raízes pivotantes, também conhecidas como axiais, se caracterizam pela presença de uma raiz principal da qual as demais saem e se ramificam. Já as raízes fasciculadas, conhecidas popularmente como cabeleiras, ocorre quando as raízes partem de um único ponto e geralmente apresentam o mesmo diâmetro.

O sistema radicular do café é um exemplo de raiz pivotante altamente ramificada. (Fonte: ALVES e LIVRAMENTO, 2003)

O sistema radicular do café é um exemplo de raiz pivotante altamente ramificada. (Fonte: ALVES e LIVRAMENTO, 2003)

Além das  principais funções desempenhadas pelas raízes, fixação, absorção e condução, elas também podem se adaptar e exercer algumas funções específicas dependendo das espécies das plantas, como:

  • Armazenamento: conhecidas também como tuberosas, são as raízes caracterizadas pelo espessamento devido grande acúmulo de substâncias de reserva. Ocorre em plantas como a mandioca;
  • Sustentação: conhecidas também como adventícias, elas são responsáveis por auxiliar na sustentação de plantas em solos que não são firmes ou ainda para plantas que apresentam tamanho muito elevado. Ocorre em plantas como o milho;
  • Aeração: conhecidas também como pneumatóforos, elas estão presentes principalmente em plantas que vivem em regiões alagadas, como os manguezais, auxiliando na realização de trocas gasosas.

Mas as raízes não estão restritas a suas funções desempenhadas nas plantas, uma vez que elas estão inseridas em um grande ecossistema, o solo. Quais então são as relações que as raízes estabelecem com ele e como elas tornam o seu uso mais sustentável?

As interações entre as raízes e o solo

Um dos primeiros impactos que as raízes geram no solo foi descrito pelo professor de gestão de nutrientes do solo e recursos hídricos da Texas A&M University, o Dr. Jake Mowrer, no artigo How does root depth affect the nearby soil?.

A conclusão do Dr. Mowrer é de que as raízes das plantas realizam um ciclo completo no solo: enquanto vivas e ativas, elas auxiliam na redistribuição de carbono e outros nutrientes importantes para o solo. Depois que morrem, elas apodrecem e se tornam parte da  matéria orgânica do solo, o que beneficia a próxima geração de plantas.

Ou seja, as raízes estão inseridas dentro do processo da ciclagem de nutrientes, carbono e matéria orgânica no solo. Em especial o último processo garante também a criação de um outro tipo de interação, entre as raízes e os microrganismos.

A presença de matéria orgânica no solo é um dos fatores que propiciam o desenvolvimento de comunidades de microrganismos muito importantes para o desenvolvimento das plantas, como bactérias e fungos.

Dentre as bactérias, destaca-se o uso das rizobactérias para o combate de doenças. A interação estabelecida é de que os fotoassimilados liberados pelas raízes das plantas servem de alimento para as comunidades de rizobactérias.

Elas então colonizam as raízes e formam uma camada protetora com um material denominado biofilme, capaz de proteger contra a infecção pelos fitopatógenos. Logo, quanto mais rica for a microbiota do solo, mais saudáveis e profundas serão as raízes.

E o papel das rizobactérias vai além, uma vez que elas também são conhecidas como promotoras de crescimento das plantas por aumentar:

  • A disponibilização de nutrientes;
  • A fixação de nitrogênio;
  • A tolerância ao estresse hídrico, salinidade e toxicidade de metais.

Também encontramos alguns tipos de associações com outras espécies que são importantes para os vegetais, como é o caso das micorrizas, associação entre a raiz e fungos. Neste caso o fungo converte matéria orgânica em inorgânica e em troca a raiz fornece aminoácidos e outros elementos produzidos pelo vegetal.

Estudos conduzidos pelos pesquisadores Yong-Guan Zhu e R. Michael Miller, no artigo Carbon cycling by arbuscular mycorrhizal fungi in soil-plant systems, mostram ainda o potencial das micorrizas arbusculares na fixação de carbono no solo, que ajuda a combater as mudanças climáticas que afetam o planeta.

E assim como o grupo das rizobactérias, os fungos classificados como entomopatogênicos podem desempenhar um papel essencial no controle biológico de pragas, como explica a Engenheira Agrônoma e Mestre em Produção Vegetal, Andressa Monteiro:

Mas para manter todas essas relações ativas e tornar o uso e manejo do solo mais sustentável, é preciso conhecer o efeito de todas as práticas agrícolas sobre esses aspectos e em especial o uso de fertilizantes.

Como os fertilizantes afetam as interações entre as raízes e o solo

A salinização e a esterilização do solo estão entre os efeitos mais indesejados causados pela escolha e manejo inadequado de fertilizantes..

Enquanto a salinização é um processo limitante para o crescimento e desenvolvimento radicular, e pode gerar situações de estresse hídrico e eventual morte da planta, a esterilização do solo está ligada principalmente com a morte da microbiota do solo.

Ambos são processos ainda muito recorrentes na agricultura, já que muitas fontes convencionais de adubação apresentam alto índice salino e  com a presença de cloro, como é o caso do  Cloreto de Potássio (KCl), que possui um índice salino de 116% e tem em sua composição 47% de cloro.

Com isso, a planta além de ter seus processos fisiológicos limitados, ela não consegue estabelecer relações benéficas com os microrganismos presentes no solo e consequentemente são intensificadas algumas práticas agrícolas, como por exemplo o aumento do controle químico para combate de pragas e doenças.

Dessa forma, com o uso intensificado dessas práticas o agricultor pode não apenas ter prejuízos com a produtividade da sua lavoura, mas também maiores gastos com os manejos da sua propriedade e prejuízos ambientais.

Escolher fertilizantes que preservem as raízes é essencial para uma agricultura mais sustentável

Assim, pensar o papel integral e ativo de todas as partes da planta é essencial para promover um uso sustentável do solo, que traga mais rendimento para a cultura e, em consequência, mais retorno energético e financeiro.

Isso inclui uma gestão e conhecimento adequados dos insumos utilizados no cultivo, para garantir escolhas de fertilizantes que sejam a favor para conservação, recuperação ou ainda produção sustentável dentro do agroecossistema.

É o caso, por exemplo, dos fertilizantes que usam o Siltito Glauconítico, que é livre de cloro e preserva os microrganismos benéficos do solo, como matéria-prima.

Ter um pensamento global e fazer boas escolhas de produtos usados para nutrir o solo é muito importante para alinhar segurança alimentar de longo prazo e sustentabilidade, com benefícios importantes como fixação do excesso de carbono da atmosfera no solo.

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