17-08-2020_A importância da comunicação e educação na sucessão e governança familiar do agronegócio

A importância da comunicação e educação na sucessão e governança familiar do agronegócio

No dia 21 de maio, Ollavo Queiroz Tinoco, Marcus Falleiros e Daniel Pagotto, se reuniram em um evento online gratuito para debater sobre sucessão e governança familiar no agronegócio: a importância de manter a história e tradição sem atrasar a transição das novas lideranças.

A conversa ocorreu durante o evento “Encontro com Gigantes – Sucessão e Governança Familiar no Agronegócio”. O debate foi promovido pela Verde, empresa que produz o fertilizante K Forte®.

A conversa pode ser vista na íntegra aqui:

O produtor agropecuário Ollavo Queiroz Tinoco, terceira geração da família que tem 35 anos de história dentro do agronegócio, contou que esse tema da sucessão e governança familiar veio através de um programa de bolsas, estudo no qual o trouxe a grande oportunidade de visitar propriedades rurais de 13 países diferentes.

Ao falar do momento de crise ocasionado pelo coronavírus, Ollavo destacou que o setor agro foi um dos menos afetados.

E que apesar disso, devido ao ambiente de incertezas, seria muito difícil fazer um planejamento a longo prazo.

Com a pandemia mundial, perder algum ente familiar, ainda mais se ele for o patriarca e a liderança nos negócios não é um fator controlável. Por isso é preciso planejar a sucessão e governança familiar:

“A governança interna precisa ser pensada e conversada, para que não peguem a todos familiares, herdeiros e sócios de surpresa. Se a comunicação não estiver ok, imagina em um momento de crise ou transição”.

Na sua opinião a mentalidade fora do Brasil é completamente diferente. Como citou, na Austrália, por exemplo, os filhos dos governantes do agronegócio costumam estar a par de tudo, mesmo não atuando ativamente. Diferentemente do nosso país, que se o patriarca vir a falecer os filhos nem sempre saberiam tocar o negócio.

Quando ele iniciou seus estudos sobre o tema sua vontade maior era de conhecer sobre as leis e tributos de cada país sobre sucessão familiar, para entender em quais essas negociações funcionam da melhor maneira. Para a sua surpresa, hoje ele sabe que o que importa mais é como acontece a dinâmica familiar, de que é possível encontrar esse alinhamento através da educação:

“Na Austrália, a sucessão e governança familiar é pragmática, eles sabem separar a emoção da razão. O pai, do patriarca. A sucessão, na verdade, é quando o patrimônio se mantém junto, como se fosse a mesma empresa. Apesar de ter duas ou três gerações”.

Na Alemanha, como destacou Ollavo, ao norte a sucessão geralmente fica com o filho mais velho, já no sul é dividida entre os filhos. Aqui no Brasil, segundo ele, a melhor maneira de resolver os conflitos entre herdeiros e sucessores é contratando um consultor, uma pessoa neutra, para ajudar a desenrolar da melhor forma esse “grande estresse” entre todos os envolvidos.

Marcus Falleiros, produtor agropecuário e Diretor da Sociedade Rural Brasileira, é da nona geração da família. Para ele a comunicação interna é fundamental, mas além disso, ter uma governança administrativa na ponta do lápis, detalhada, evitando uma sucessão traumática, quanto a delicadeza do momento e questões tributárias.

“Esse é um dos temas discutidos no comitê jovem liderança da Sociedade Rural Brasileira: contar sobre boas estratégias de sucessão, entre outras questões, um grupo espalhado do norte ao sul do país”.

Para Daniel Pagotto, CEO da Tratto Consultoria, especializada em sucessão familiar, o seu trabalho e propósito é apoiar as famílias dos produtores rurais e trabalhar a gestão da transição de geração para que perdure e siga por várias outras gerações.

Como engenheiro agrônomo e filho de produtores consegue entender e auxiliar melhor nesse assunto, que apesar de delicado e envolver dor, é comum acontecer e precisa cada vez mais ser falado:

“Esse assunto é um mito, a questão da pandemia só veio ajudar a esclarecer que os riscos podem ocorrer em diversos negócios, por conta de eventuais faltas de sócios e patriarcas”.

Ele indica a preparação correta das famílias, através da criação um modelo de gestão para ser seguido, para que a transição acabe sendo mais simples e fácil.

“A lei brasileira é menos intensa com tributação, varia de 2 a 8% dependendo o estado, doação e falecimento. O valor não é sobre o imposto de renda, é sobre o valor de mercado, território. Não podemos deixar que a paixão pelo agro seja maior do que pela administração da empresa. O líder tem que ser um executivo de fazenda, entender de produtividade, estratégia e assuntos jurídicos”.

Segundo o CEO, um dica é criar ambientes formais, de discussão e questionamentos, para que a família converse sobre negócios, não apenas em reuniões de almoços. É preciso criar momentos para juntar quem está atuante na fazenda e quem não está. Criando mais clareza e previsibilidade para a chegada do momento adequado.

“A sucessão começa desde o nascimento do filho. É preciso que ele entenda o propósito e o porquê de fazer aquilo, prepará-lo para enfrentar os negócios da família. Se isso não é feito desde o início pode ser criado um modelo de governança. Esse processo pode levar de 2 a 5 anos, através da mudança de hábitos e criação de conselhos”.

Ollavo Queiroz Tinoco é produtor agropecuário, da terceira geração da família, que são produtores no interior de SP, com foco em avicultura e agropecuária. Ollavo é bolsista 2019 Nuffield Farming Scholar, apoiado pelo TIAA-CREF, com o tema de “Sucessão Familiar e Governança no Agronegócio”.

Ollavo Queiroz Tinoco é formado em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP).

Marcus Falleiros é um jovem produtor rural em SP e MG, fazendo parte da 9ª geração no agronegócio. A sua empresa familiar produz café, grãos e gado Gir.

Ele é presidente do Clube das Cavalhadas da Franca. Também é presidente do Conselho Municipal Agrícola de Restinga/SP. Diretor da Sociedade Rural Brasileira.

Daniel Pagotto lidera a operação na Tratto Consultoria. Desde 1997, Daniel atua na cadeia agropecuária com consultoria técnica, passando pela gestão de empresas estrangeiras que investem no Brasil.

Participou também, por seis anos, do desenvolvimento de um banco focado em agronegócio, interagindo diretamente com grupos familiares por todo o país. Daniel Pagotto é engenheiro agrônomo (Esalq-USP) com pós graduação em produção animal e pastagens (Esalq-USP) e em gestão de empresas (FGV).

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