Saiba como a técnica da biorremediação do solo torna a agricultura mais sustentável

A contaminação do solo e da água é um problema que desafia a sociedade atual. Uma das ferramentas para superar esse desafio é a biorremediação, uma técnica que utiliza microrganismos benéficos na eliminação materiais poluentes, melhorando a qualidade do solo. Saiba mais sobre essa técnica e como ela pode ajudar a tornar a agricultura mais sustentável.

O que é a biorremediação do solo?

A biorremediação é o uso de processos biológicos para degradar, ou seja, eliminar ou remover, substâncias contaminantes de recursos ambientais, como a água ou o solo. Ela acontece naturalmente através dos processos metabólicos de bactérias, fungos e plantas que transformam os materiais contaminantes em fontes de carbono e energia.

O processo de urbanização e o consequente crescimento da população mundial trouxe a necessidade de produzir mais alimentos, que por sua vez levou a um processo de industrialização da agricultura.

Segundo a pesquisadora Arlete Moyses Rodrigues, no artigo Produção do espaço e ambiente urbano, entre as consequências dessa industrialização agrícola estão o aumento dos sistemas agrícolas e dos fluxos de resíduos, bem como o aumento da frequência de acidentes com diferentes poluentes.

Assim, o uso da biorremediação como uma técnica que acelera e otimiza os processos biológicos de descontaminação se torna uma alternativa para mitigar os danos causados pelos poluentes no solo e na água.

A biorremediação pode ser realizada de duas formas: “in situ”, no local onde ocorreu a contaminação, ou “ex situ”, quando a porção contaminada do solo ou da água são levados para tratamento em outro lugar. Existem diversas maneiras de implementar a biorremediação nos processos agrícolas. Entre elas, estão:

  • Bioestimulação: na bioestimulação, o objetivo é aumentar a atividade microbiana da população nativa do solo. Isso é possível com a adição de nutrientes como nitrogênio e fósforo. Além disso, podem ser utilizados surfactantes ou tensoativos, substâncias que aumentam a biodisponilidade do material contaminante para que os microrganismos possam degradá-lo. Parte da bioestimulação também consiste em promover melhorias em parâmetros como a aeração do solo e monitorar e corrigir a umidade e o pH do solo.
  • Bioaumentação: na bioaumentação, são introduzidos microrganismos cultivados dentro do ecossistema natural contaminado. Esses microrganismos degradam as cadeias de hidrocarbonetos do material contaminante, transformando em fonte de carbono e reduzindo a sua concentração ao longo do tempo.
  • Fitorremediação: na fitorremediação, é utilizado um sistema vegetal e sua microbiota para acelerar o processo de degradação do material contaminante. Porém, é preciso que a planta seja específica para aquele contaminante, além de observar características como boa capacidade de absorção, sistema radicular profundo, taxa de crescimento acelerada e resistência ao material poluente.
  • Bioventilação ou bioaeração: na bioventilação, é adicionado oxigênio no solo contaminado, para estimular o crescimento dos microrganismos naturais presentes no sistema ou que tenham sido introduzidos nele. Essa técnica de biorremediação tem a vantagem de poder ser implementada facilmente e atuar em locais de difícil acesso. Entretanto, tem eficácia limitada em solos com baixa umidade, pouca permeabilidade ou quando o contaminante não se degrada em meio aeróbio.

 

Fabíola Tomassoni e outros pesquisadores, no estudo Técnica de biorremediação do solo destaca que as vantagens da biorremediação são a degradação das substâncias contaminantes do ecossistema, ao invés da simples transferência das porções contaminadas para outro lugar, o que não resolve o problema.

Entretanto, os pesquisadores chamam a atenção para o fato de que o sucesso da técnica depende das condições locais e regionais, como clima, tipo de solo, parâmetros como pH, concentração de matéria orgânica, aeração e a presença dos microrganismos decompositores.

Mas, quais são as espécies de microrganismos que podem ser utilizadas na biorremediação?

Os microrganismos que podem ser usados na biorremediação do solo

Existe uma variedade de microrganismos e até mesmo plantas que podem ser utilizadas na técnica da biorremediação do solo. Entre eles, podemos destacar:

–  As bactérias:

  • Pseudomonas sp.
  • Azoarcus sp.
  • Bacillus sp.
  • Shpingomonas paucibomobilis
  • Geothrix fermentans
  • Xanthomonas sp.
  • Rastonia sp.

–  Os actnomicetos:

  • Nocardiopsis sp.

–  Os fungos:

  • Phaneroqueta sp.
  • Pleurotus ostreatus
  • Coriolus versicolor
  • Candida albicans
  • Candida tropicalis

Cada microrganismo age em um determinado tipo de contaminante e é preciso avaliar quais são os mais adequados para cada situação. A Doutora em Microbiologia Aplicada e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Dra. Márcia Maria Rosa Magri, explica um pouco sobre a biorremediação, além de outras funções benéficas dos microrganismos para o solo:

Entre essas funções benéficas dos microrganismos, também chamadas de serviços ambientais, estão:

  • os processos de formação do solo;
  • a decomposição de resíduos orgânicos;
  • a fixação de carbono;
  • a ciclagem e disponibilização de nutrientes;

Assim, devido ao seu uso na técnica da biorremediação e aos serviços ambientais que eles realizam, é importante preservar os microrganismos do solo, utilizando-os como uma ferramenta para uma agricultura mais saudável. E os fertilizantes utilizados no manejo agrícola podem contribuir nisso.

Por que é importante preservar os microrganismos benéficos do solo?

Propiciar um ambiente que favoreça o desenvolvimento das comunidades microbianas benéficas é essencial para o agricultor que quer ter um ecossistema do solo saudável e que garanta que os serviços ambientais dos microrganismos vão ser desempenhados.

Para isso, é preciso estar atento aos dois principais processos que causam o desaparecimento dos microrganismos do solo: a salinização e a esterilização.

A salinização ocorre quando há um aumento constante de sais solúveis ao solo por meio da aplicação recorrente de insumos agrícolas, como fertilizantes, com elevado índice salino. Em um ambiente mais salino, a osmose faz com que os microrganismos percam água para o meio e morram durante o processo.

Além disso, de forma mais direta, os microrganismos são eliminados na presença de compostos nocivos para o seu metabolismo, como o cloro, tornando o solo estéril.

O papel dos fertilizantes na preservação dos microrganismos benéficos do solo

Por isso, é importante que o agricultor sempre esteja atento às formulações dos fertilizantes utilizados no manejo agrícola. Além de insumos que possam nutrir adequadamente as plantas, é preciso buscar fontes de nutrientes que favoreçam as comunidades microbianas do solo.

É o caso, por exemplo, dos fertilizantes produzidos a partir do Siltito Glauconítico. Essa matéria-prima é livre de salinidade e é rica em glauconita, um mineral que melhora as propriedades do solo e ajuda a criar um ecossistema saudável no solo, que permite que os microrganismos benéficos exerçam todo o seu potencial.

Compartilhe esta publicação