Preservar a microbiota do solo ajuda a sua lavoura a ser mais rentável e produtiva

Cuidar da saúde do solo é uma tarefa essencial para que a atividade agrícola seja mais rentável e produtiva.

Por isso, é importante que a microbiota do solo receba atenção na hora de pensar o planejamento do manejo da produção.

Um passo importante para a preservação da microbiota saudável do solo é evitar o uso de insumos que matem os microrganismos.

É o caso, por exemplo, do Cloreto de Potássio (KCl).

O KCl tem um teor elevado de cloro, já que é composto por 47% desse elemento.

Quando aplicado no solo, o cloreto tem o poder de matar microrganismos. Assim, os altos níveis de cloreto acumulados no solo com o uso do KCl têm um impacto negativo na sua microbiota.

A microbiota é o conjunto de microrganismos que vivem no solo: fungos, bactérias, protozoários, etc.

Embora, em um primeiro momento, o pensamento seja de que eles são um mal a ser combatido, esse conjunto de seres microscópicos têm um papel muito importante na atividade agrícola.

Eles participam de diversos processos, desde a atividade de decomposição da matéria orgânica que fornece nutrientes às plantas, passando por processos bioquímicos relacionados ao intemperismo dos minerais presentes no solo e a atuação como reguladores dos processos biológicos das plantas.

O pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rual de Santa Catarina, o Dr. Faustino Andreola, diz no artigo A Microbiota do Solo na Agricultura Orgânica e no Manejo das Culturas, publicado no livro Microbiota do Solo e Qualidade Ambiental:

“Os microrganismos fazem parte do solo de maneira indissociável […] Assim, os microrganismos do solo desempenham papel fundamental na gênese do solo e ainda atuam como reguladores de nutrientes, pela decomposição da matéria orgânica e ciclagem dos elementos, atuando, portanto, como fonte e dreno de nutrientes para o crescimento das plantas”.

Nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas, como o nitrogênio, são fixados da atmosfera no solo através de microrganismos. Algumas plantas, como as leguminosas, são especialmente beneficiadas por essa atividade fixadora dos microrganismos.

Mas manter a microbiota do solo saudável é importante não somente por causa do potencial que os microrganismos têm de armazenar e circular nutrientes entre o solo e as plantas.

Existem outros efeitos benéficos que os microrganismos trazem para as plantas.

Uma comunidade de microrganismos saudável pode ajudar as plantas a combater de maneira mais eficiente os patógenos que causam doenças.

No artigo Fighting Microbes with Microbes, o pesquisador e biólogo especialista em plantas e microbiologia, Dr. Alexander Jousset, faz uma comparação entre a importância dos microrganismos para o corpo humano e para o solo:

“Uma comunidade diversa é especialmente importante para manter os patógenos afastados – isto é verdade tanto no organismo humano quanto no solo”.

Muitas vezes, as plantas desenvolvem relações simbióticas com os microrganismos do solo. É o caso, por exemplo, das micorrizas arbusculares.

Essas estruturas são uma simbiose entre alguns tipos de fungo e as raízes das plantas. As micorrizas arbusculares participam de atividades importantes de ciclagem do carbono. Como resultado, elas ajudam a fixar esse o carbono da atmosfera no solo. Vale lembrar que o carbono é um dos principais causadores da mudança climática.

Logo, preservar as micorrizas arbusculares ajuda a combater os efeitos da mudança climática no planeta.

Além disso, as micorrizas arbusculares trazem outros benefícios para diversas culturas agrícolas. No artigo Micorrizas Arbusculares em Plantas Tropicais: Café, Mandioca e Cana-de-açúcar, o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, o Dr. Arnaldo Colozzi Filho, diz que:

“Plantas micorrizadas apresentam maior atividade fotossintética, maior atividade enzimática e de produção de substâncias reguladoras de crescimento. Essas alterações metabólicas conferem às plantas maior resistência aos efeitos provocados por estresses de natureza biótica (pragas e doenças) ou abiótica (déficits hídricos e nutricionais ou estresses térmicos)”.

Repensar o manejo do solo, os insumos utilizados e a função dos microrganismos têm no ciclo de produção agrícola é a chave para uma agricultura mais rentável, saudável e sustentável.