Potássio para abóbora: entenda como fazer a adubação

Potássio para abóbora: entenda como fazer a adubação

A cultura da abóbora é exigente em solos com boa fertilidade para alcançar altas produtividades, especialmente de nutrientes exigidos em grandes quantidades, como o potássio. Entenda mais sobre a relação desse nutriente com a cultura da abóbora e como fazer a adubação com potássio para abóbora de maneira correta!

Os benefícios do potássio para a cultura da abóbora

A abóbora corresponde aos frutos maduros produzidos pelas aboboreiras, estando, juntamente com as morangas, entre as 10 hortaliças mais cultivadas e consumidas no Brasil. Mesmo assim, no país é encontrada uma ampla diversidade de tipos de abóbora, que incluem variedades como:

  • “Menina-gigante”;
  • “Gigante”;
  • “Amarela”;
  • “Caravelle”;
  • “Menina brasileira”;
  • “Canhão”;
  • “Baianinha”.

Essas diversas variedades diferem entre si pela avaliação de várias características físico-químicas dos frutos, que são fortemente influenciadas por nutrientes como o potássio.

O potássio é reconhecido por ser o nutriente da qualidade na produção agrícola e, no caso da cultura da abóbora, está relacionado diretamente com atributos como cor, tamanho, acidez, valor nutritivo e a resistência dos frutos.

A ampla atuação desse nutriente em diferentes atributos da cultura, faz com que o potássio seja o nutriente absorvido em maior quantidade pela abóbora e outras cucurbitáceas, como a melancia.

Tal condição foi observada por Sanzio Mollica Vidigal na abóbora híbrida Tetsukabuto, no estudo Crescimento e acúmulo de nutrientes pela abóbora híbrida tipo Tetsukabuto.

No caso das abóboras híbridas, diversos estudos mostram que o potássio, juntamente com o nitrogênio, enxofre e cobre, se acumula especialmente nos frutos. Já na parte vegetativa, estão presentes em maiores quantidades nutrientes como fósforo, cálcio, magnésio, zinco, ferro e manganês.

D. K. Salunkhe menciona, em seu livro Storage processing and nutritional quality of fruits and vegetables, que o potássio é um dos principais componentes nos frutos de abóbora, representando mais de 200 miligramas para cada 100 gramas de fruto, assim como no caso dos frutos do tomate.

O maior acúmulo de potássio nos frutos está relacionado principalmente com as funções que ele desempenha na planta, com destaque para regulação do processo de absorção de água e nutrientes e o transporte de fotoassimilados da planta.

Essas duas funções acabam favorecendo uma maior entrada de água e de fotoassimilados nos frutos, podendo influenciar no tamanho e no teor de outros componentes que se encontram dissolvidas na água dos frutos, conhecidos como sólidos solúveis totais.

No estudo Efeitos da adubação potássica sobre os frutos da abobrinha caserta, Rebeca Dorneles de Moura e outros pesquisadores observaram que o aumento do teor de potássio aumentou o teor sólidos solúveis totais da abobrinha, o fruto imaturo da aboboreira.Sólidos Solúveis Totais da abobrinha caserta, em função das doses 1=0, 2=90, 3=180, 4=270 e 5=360 kg/ha de potássio (K2O). (Fonte:MOURA et al., 2019)

Sólidos Solúveis Totais da abobrinha caserta, em função das doses 1=0, 2=90, 3=180, 4=270 e 5=360 kg/ha de potássio (K2O). (Fonte:MOURA et al., 2019)

Como o teor dos sólidos solúveis totais está relacionado com o sabor doce dos frutos, consequentemente a adubação potássica do trabalho proporcionou frutos mais doces e menos ácidos.

Como então, realizar uma adubação com potássio para abóbora de forma adequada e garantir todos os benefícios que o potássio pode proporcionar para essa cultura?

Dicas para fazer a adubação com potássio para abóbora

A adubação pode representar até 30% do custo total de produção no cultivo da abóbora. Dado este que revela a importância de se alcançar a máxima eficiência de nutrientes extraídos em grandes quantidades, como é o caso do potássio.

A aplicação dos fertilizantes potássicos sempre deve anteceder o aparecimento de qualquer sintomas de deficiência na abóbora, como redução da taxa de crescimento e amarelecimento e necrose das folhas mais velhas, uma vez que nesse ponto já houve comprometimento da produtividade.

Dessa forma, a etapa de análise e correção do solo se tornam práticas essenciais para se ter sucesso na atividade e tem um impacto significativo na lavoura.

Segundo o Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT) os custos com as análises de solo representam apenas cerca de 1% do total de gastos para o plantio, entretanto a sua realização pode aumentar os lucros com a lavoura em até 50%.

 

O uso do método de análise de potássio correto é muito importante.

Isso se torna possível porque, ao entender a dinâmica de potássio no solo e o seu real estado de fertilidade, é possível ajustar as doses e aplicar quantidades adequadas na abóbora considerando os “reservatórios” de potássio do solo ou mesmo o efeito residual de adubações anteriores.

Para o Estado de São Paulo, por exemplo, são recomendadas doses de 100 a 200,0 kg/ha de potássio (K2O) no plantio da abóbora, e de 60 a 120 kg/ha de potássio (K2O) em cobertura, após a floração. Isso considerando sempre no momento de aplicação:

Resultados semelhantes foram observados por Humberto Sampaio Araújo e outros pesquisadores no artigo Doses de potássio em cobertura na cultura da abóbora. No estudo, eles obtiveram a maior massa total de frutos estimada por planta (9,68 kg) ao aplicar 199 kg/ha de potássio (K2O).Produção por planta de abóbora (híbrido Mirian), em função das doses de potássio (K2O) em cobertura. (Fonte: ARAUJO et al., 2012)

Produção por planta de abóbora (híbrido Mirian), em função das doses de potássio (K2O) em cobertura. (Fonte: ARAUJO et al., 2012)

Mas, para obter boas respostas da cultura da abóbora à adubação potássica, é preciso estar atento no momento da escolha das fontes de potássio.

Dicas para escolher bem a fonte de potássio para abóbora

A principal recomendação quanto à escolha da fonte de potássio para abóbora envolve evitar a utilização de  fertilizantes com elevados teores de cloro e índice salino.  

O cloro é um micronutriente que, naturalmente, já está disponível em quantidades adequadas para as plantas. Assim, qualquer adição no sistema de produção, através dos fertilizantes ou outros insumos agrícolas, pode levar a consequências negativas no ecossistema do solo.

No solo, o cloro tem potencial para causar a compactação e ainda reduzir as populações de microrganismos benéficos.

Os principais impactos negativos da compactação são sentidos no sistema radicular das culturas e redução da microbiota do solo, ocasionando perdas de diversas interações estabelecidas entre as plantas e os microrganismos.

Além disso, o cloro está relacionado com a elevação da salinidade do solo, que é considerada um dos principais fatores que tem levado à queda de rendimento das culturas de abóbora.

Isso porque elevados teores de salinidade podem provocar problemas de fitotoxicidade nas plantas, redução da taxa fotossintética e a própria absorção de alguns nutrientes pelas plantas.

Nesse sentido, a escolha de fertilizantes potássicos com baixo índice salino se torna uma estratégia importante para obter as melhores respostas das lavouras de abóbora e aumentar a produtividade.

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