Saiba como melhorar o manejo de potássio para eucalipto

Saiba como melhorar o manejo de potássio para eucalipto

O eucalipto é uma cultura que pode acumular mais de 150 quilos de potássio por hectare ao final de uma rotação de 7 anos. E esse fato tem levado muitos agricultores a encontrar formas de melhorar o manejo de potássio no sistema de produção, a fim de reduzir os gastos com a adubação potássica do eucalipto.

Os impactos da adubação potássica para eucalipto

A nutrição e adubação potássica para eucalipto é um elemento chave para qualquer agricultor que almeje um povoamento florestal de alta performance, já que ela tem potencial para aumentar em até 200% a produtividade da cultura.

 

Apesar da elevada resposta do eucalipto à adubação potássica, estima-se que a maioria dos solos brasileiros são intemperizados, apresentando baixos teores de potássio, cálcio e magnésio e elevadas quantidades de ferro e alumínio.

Além disso, grande parte das lavouras de eucalipto estão plantadas em solos marginais, que são aqueles solos que possuem uma menor fertilidade e não costumam ser aptos para cultivos anuais.

A fertilidade do solo também pode ser ainda mais comprometida no momento da colheita. Celso Foelkel, autor do estudo Minerais e nutrientes das árvores dos eucaliptos, afirma que a extração da madeira, casca e copa da árvore pode levar a exportação de praticamente todo o potássio assimilado pelo eucalipto.

Ou seja, quando não há a reposição dos nutrientes exportados pela colheita e perdidos por outros processos, existe a degradação da fertilidade do solo.

Esse fenômeno foi observado por Geraldo Erli de Faria e outros pesquisadores no artigo Produção e estado nutricional de povoamentos de Eucalyptus grandis, em segunda rotação, em resposta à adubação potássica.

Nas condições do estudo, os pesquisadores observaram que houve decréscimo médio de mais de 50% da produtividade da primeira para a segunda rotação do povoamento florestal.

O resultado foi atribuído à exportação de nutrientes, em especial de potássio, na rotação anterior, ocasionando a redução na fertilidade do solo.

Então, para evitar a degradação da fertilidade e alcançar elevadas produtividades, o agricultor deve contar com ferramentas para melhorar o manejo de potássio para eucalipto. Mas, como quais são essas ferramentas?

Ferramentas para o manejo eficiente da nutrição potássica para povoamentos florestais

A primeira ferramenta para o manejo eficiente da nutrição potássica para povoamentos florestais é o preparo do solo, já que tanto a presença de alumínio quanto a acidez do solo podem comprometer a eficiência da adubação potássica.

A correção da acidez, com a aplicação de calcário, traz o pH do solo para uma condição mais neutra, aumentando:

  • Disponibilidade de potássio e outros nutrientes essenciais;
  • A atividade dos microrganismos, inclusive daqueles capazes de solubilizar e disponibilizar os nutrientes para as plantas;
  • Disponibilidade de cálcio no solo, o nutriente mais exigido pela cultura.

É importante ressaltar que os métodos de correção do solo, bem como as práticas de adubação, devem seguir estritamente as recomendações feitas a partir da análise de solo. Isso porque as interações entre os nutrientes influenciam a dinâmica do potássio do solo.

Em condições de supercalagem, por exemplo, o excesso de cálcio e magnésio dificultam a absorção do potássio, principalmente, nos estágios iniciais de desenvolvimento das raízes das plantas.

Depois das operações de correção de solo, segue-se para a etapa de adubação, que consegue alcançar maiores respostas do eucalipto antes do fechamento do dossel, quando as copas das árvores se encontram.

Nesse momento, muitos agricultores acabam recorrendo a combinação dos resultados das análises de solo com as tabelas de recomendação.

Entretanto, essa combinação nem sempre traz um manejo eficiente da nutrição potássica, porque ambos geralmente fornecem dados apenas sobre o potássio mais prontamente disponível no solo, desconsiderando um aspecto muito importante da cultura: o longo ciclo produtivo do eucalipto.

O longo ciclo produtivo do eucalipto proporciona condições para que as raízes das árvores também acessem os “reservatórios” de potássio de liberação mais lenta, que dão aporte para sustentar as exigências nutricionais ao longo do ciclo produtivo.Diferentes reservatórios de potássio compõe a dinâmica do nutriente no solo. (Fonte: Bell et al., 2021)

Diferentes reservatórios de potássio compõe a dinâmica do nutriente no solo. (Fonte: Bell et al., 2021)

Nesse sentido, o cálculo de adubação deve considerar qual “reservatório” de potássio está sendo avaliado nas análises de solo e tabelas de recomendação.

Quase sempre, o agricultor vai precisar solicitar a análise do solo com base no método de análise de potássio que mais se adeque às condições do seu sistema de produção, para conseguir entender o real estado de fertilidade do solo.

O maior entendimento do real estado de fertilidade solo vai não só refinar o manejo do potássio no eucalipto, mas como também ajudar na escolha do fertilizante potássico.

A escolha da fonte de potássio para eucalipto

Muitos agricultores questionam: qual o melhor fertilizante para adubar a plantação de eucalipto?

A resposta mais assertiva sempre será: o fertilizante potássico que atenda às exigências nutricionais tanto nos momentos de maior demanda nutricional, quanto durante todo o ciclo produtivo do eucalipto.

Para isso, será preciso encontrar um equilíbrio entre fontes de potássio para eucalipto de liberação rápida e de liberação gradual, partindo do princípio de ser necessário garantir a construção e manutenção dos vários “reservatórios” de potássio do solo.

Como o próprio nome sugere, as fontes de liberação gradual possuem uma taxa mais lenta de disponibilização dos nutrientes e fazem com que as plantas tenham acesso ao potássio por um tempo prolongado. E elas possuem diversos benefícios, como:

  • Mantêm os níveis de potássio no solo estáveis por mais tempo;
  • São menos suscetíveis a sofrer perdas por lixiviação;
  • Auxiliam na construção da fertilidade do solo;
  • Podem otimizar a adubação nitrogenada;
  • Podem reduzir custos com aplicação.

Assim, as técnicas de correção do solo e a análise eficiente da fertilidade do solo se tornam ferramentas essenciais para uma melhor escolha e uso eficiente dos fertilizantes potássicos, aprimorando, dessa maneira, o manejo de potássio para eucalipto.

 

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