Saiba Como Lidar Com A Deficiência De Potássio Em Hortaliças

Saiba como lidar com a deficiência de potássio em hortaliças

Atualizado em::

A nutrição adequada de potássio em hortaliças tem se tornado um desafio para muitos olericultores, visto a ampla diversidade de espécies existentes na horticultura e os sistemas produtivos nos quais elas podem ser cultivadas. Entenda sobre os principais aspectos da nutrição para saber lidar com a deficiência de potássio na olericultura.

Qual a importância da nutrição mineral de hortaliças?

A nutrição mineral de hortaliças envolve o conhecimento de diferentes processos relacionados aos nutrientes, que precisam ser integrados ao programa de manejo da adubação e do sistema de produção da hortaliça considerando a interação clima-solo-genótipo-horticultor.

Na década de 80, foram publicados inúmeros artigos técnicos e científicos sobre curvas de acúmulo de nutrientes de diversas culturas de hortaliças. Entretanto, a partir da década de 90, ocorreram significativas mudanças na cadeia produtiva de olerícolas que levaram a redução de materiais de referência para condução do manejo da fertilidade dessas culturas.

Essas mudanças envolveram principalmente a substituição das cultivares de polinização aberta pelos híbridos e a diversificação dos sistemas de produção. Isso tornou possível optar entre os sistemas de cultivo em campo aberto, feito de forma convencional ou sobre palha (plantio direto), em ambiente protegido ou ainda hidropônico.

Mas, como esses fatos impactam no manejo de nutricional das lavouras de hortaliças?

As cultivares de hortaliças modernas aproveitam melhor os nutrientes disponíveis, aumentando seu potencial produtivo e consequentemente levando a alteração da necessidade nutricional dessas plantas.

Somado a isso, os diferentes sistemas de cultivo também têm impacto na demanda nutricional das cultivares, como evidenciado por Jamil Abdalla Fayad e outros pesquisadores, no artigo Absorção de nutrientes pelo tomateiro cultivado sob condições de campo e de ambiente protegido.Conteúdo De Macronutrientes Na Parte Aérea Total Do Tomateiro Cultivado No Campo (Esquerda) E Em Ambiente Protegido (Direita).

Conteúdo de macronutrientes na parte aérea total do tomateiro cultivado no campo (esquerda) e em ambiente protegido (direita). (Fonte: FAYAD, 2002)

Considerando esse cenário, qual a melhor forma de trabalhar a nutrição potássica nas culturas de hortaliças para lidar com os sintomas de deficiência de potássio?

A ferramenta para lidar com os sintomas de deficiência de potássio na olericultura

Segundo o pesquisador Paulo C. R. Fontes, autor do artigo Nutrição mineral de hortaliças: horizontes e desafios para um agrônomo, a linha de detecção precoce de deficiência ou de insuficiência é um dos caminhos mais promissores da olericultura.

Muitas vezes, o diagnóstico tardio inviabiliza o investimento na correção do problema nutricional e serve somente para monitorar o programa de adubação potássica e alimentar o banco de dados da propriedade, sem cumprir seu principal propósito.

A avaliação precoce dos sintomas de deficiência de potássio não é focada na diagnose visual dos sintomas na planta, e sim com as análises de solo e foliares durante o ciclo da cultura. A adoção dessa prática permite a realização de ações corretivas na safra atual ou quando ainda é economicamente viável e possível corrigir a deficiência mineral.

O pesquisador Paulo C. R. Fontes ainda destaca que essa ferramenta também pode ser utilizada para prognóstico de algumas características que ocorrerão na futura colheita, tais como produtividade, teor de proteínas na semente, teor de matéria seca nos tubérculos, entre outros.

Mas, a interpretação do resultado das análises como ferramenta de prognóstico depende da existência de valores referenciais apropriados. E isso tem levado ao desenvolvimento de diversos novos estudos sobre a absorção de nutrientes ao longo do ciclo de cultivo das hortaliças, como:

  • Alho: Andrioli et al. (2008);
  • Alface: Alvarenga (1999) e Albuquerque e Albuquerque Neto (2008);
  • Almeirão: Novo et al. (2003);
  • Batata: Yorinori (2003);
  • Batata-doce: Ercher et al. (2009);
  • Chicória: Feltrim et al. (2008);
  • Couve-flor: Takeishiet al. (2009);
  • Melão: Kano (2002);
  • Melancia: Grangeiro (2004);
  • Pimentão: Marcussi et. al (2003);
  • Tomate: Fayad (2002) e Villas Bôas et al. (2002).

Pedro Roberto Furlan e Luis Felipe Villani Purquerio, autores do capítulo Avanços e Desafios na Nutrição de Hortaliças do livro Nutrição de Plantas Diagnose Foliar em Hortaliças, destacam que avanço dos estudos das curvas de absorção de nutrientes vão refinar as recomendações de adubação existentes para cada espécie de hortaliça, bem como, para cada material genético dentro da mesma espécie:

“As curvas de absorção de nutrientes e acúmulo de massa de matéria seca em função da idade da planta possibilitam conhecer os períodos de maior exigência dos nutrientes e de produção de massa de matéria seca, obtendo-se informações seguras quanto às épocas mais convenientes de aplicação de fertilizantes.”

Apesar de na literatura ainda não existir uma grande quantidade de trabalhos científicos sobre demanda nutricional de hortaliças em diferentes sistemas de cultivo, os poucos trabalhos existentes devem ser utilizados para auxiliar na melhoria da recomendação de adubação para cada cultura.

Mas, quais os principais cuidados que o olericultor deve ter na hora de escolher e aplicar fontes de potássio em hortaliças?

O manejo da adubação potássica em hortaliças

No Brasil, um dos maiores entraves para o sucesso da adubação em hortaliças, especialmente em ambientes protegidos, é a falta de conhecimento técnico acerca do uso dos fertilizantes e do solo.

O manejo “às cegas” tem levado a inviabilização de áreas de cultivo após cerca de três anos de exploração, principalmente devido aos problemas de desequilíbrio entre os nutrientes e a salinização dos solos.

Como grande parte dos fertilizantes potássicos são muito solúveis e tem um elevado índice salino, a constante reaplicação desses insumos leva ao acúmulo de sais no solo. E a elevação da salinidade do solo traz prejuízos para os microrganismos do solo e as raízes das plantas, principalmente em suas fases mais juvenis.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por Verde AgriTech (@verdeagritech)

É possível enfrentar o estresse salino na lavoura adotando algumas práticas de manejo.

Nesse sentido, o olericultor deve preferencialmente buscar por fontes de potássio com baixo índice salino e usar análises de solo como uma ferramenta preditiva para lidar com a salinidade e a deficiência de potássio em hortaliças.

Compartilhe esta publicação