Microrganismos do solo podem ser a solução no combate ao aquecimento global

Microrganismos do solo podem ser a solução no combate às mudanças climáticas

Com o advento da industrialização e intensificação do uso de combustíveis fósseis, o homem passou a ser um dos principais responsáveis pela intensificação do efeito estufa. Ele é um fenômeno natural que promove o aquecimento do planeta, mas que entrou em desequilíbrio nos últimos anos e se tornou uma das principais causas das mudanças climáticas. Entenda como o uso dos microrganismos do solo na agricultura pode ser a solução para o combate dos efeitos dessas mudanças.

Como as mudanças climáticas afetam a agricultura

A agricultura pode ser uma das melhores alternativas no combate às mudanças climáticas. Com quase 2 bilhões de hectares destinados a atividade espalhados pelo mundo, a atividade apresenta um grande potencial para regulação e armazenamento dos gases responsáveis pela intensificação do efeito estufa.

O efeito estufa é um dos fenômenos naturais responsáveis por manter as temperaturas do planeta estáveis, evitando grandes amplitudes térmicas.  Ele faz isso através dos gases de efeito estufa, que possuem a capacidade absorver a radiação solar, estando entre eles o dióxido de carbono.

Com o advento da industrialização e intensificação do uso de combustíveis fósseis, houve um aumento significativo das emissões do dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico.

Com um maior volume desses gases de efeito estufa presentes na atmosfera, a Terra passa a reter e absorver uma maior parcela da radiação solar e consequentemente se tornou uma das principais causas da elevação das temperaturas globais.

O serviço europeu Corpenicus aponta que, apesar das condições atípicas, 2020 foi o mais quente no mundo junto a 2016, registrando um aumento da temperatura média de 1,25 ºC em relação à era pré-industrial. (Fonte:Danting Zhu - Unsplash)

O serviço europeu Corpenicus aponta que, apesar das condições atípicas, 2020 foi o mais quente no mundo junto a 2016, registrando um aumento da temperatura média de 1,25 ºC em relação à era pré-industrial. (Fonte:Danting ZhuUnsplash)

Isso tem gerado instabilidades climáticas, sendo um motivo de preocupação para o agricultor contemporâneo. Agora além de precisar buscar por variedades de cultivares que tolerem essas novas condições, também têm que lidar com a irregularidade das chuvas no planejamento do seu plantio.

Fenômenos climáticos, como o El Niño e La Niña, tem sido um dos principais responsáveis pela alteração do volume e o período de chuvas no Brasil.

Uma das alternativas para, então, mitigar a intensificação das mudanças climáticas é com a redução dos gases do efeito estufa, seja com a redução direta das emissões, seja com a promoção de mecanismos capazes de reter e absorver esses gases.

E é nesse último aspecto que a agricultura desempenha seu papel, por meio da relação estabelecida entre as plantas e os microrganismos presentes no solo.

Os microrganismos potencializam a captura dos gases do efeito estufa

O principal gás de efeito estufa retido e ciclado pela agricultura é o gás carbônico (CO2). Descoberto pelo escocês Joseph Black em 1754, ele é o mais abundante entre os gases do efeito estufa, visto que pode ser emitido a partir de diversas atividades humanas.

Sua origem está centrada principalmente com o uso de combustíveis fósseis, como carvão mineral e petróleo. Estima-se que desde o período da era industrial que teve início no século XVIII, já houve um aumento de 35% da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.

Esquema do ciclo do carbono em um ecossistema. Ele pode ser incorporado na agricultura no solo, através dos microrganismos, e nas plantas, através da fotossíntese. (Fonte: Adaptado de EVANS, J. M. e PERLMAN. H. P. - OpenStax College, CC BY 4.0)

Esquema do ciclo do carbono em um ecossistema. Ele pode ser incorporado na agricultura no solo, através dos microrganismos, e nas plantas, através da fotossíntese.
(Fonte: Adaptado de EVANS, J. M. e PERLMAN. H. P. – OpenStax College, CC BY 4.0)

O ciclo do carbono se inicia com a absorção e retenção de CO2 pelas plantas através da fotossíntese, que ao final do seu ciclo de vida depositam esse carbono no solo. A partir daí, entram em ação os principais microrganismos que protagonizam ciclagem de carbono:  os fungos.

No artigo Carbon cycling by arbuscular mycorrhizal fungi in soil-plant systems, os pesquisadores Yong-Guan Zhu e R. Michael Miller, discutiram a ideia de que relações fúngicas no solo podem transformar-se de maneira que o fluxo de carbono seja rapidamente ciclado de volta para a atmosfera.

Trata-se das hifas vivas que fazem parte das chamadas Micorrizas Arbusculares. As hifas são filamentos de células que fazem parte de fungos que atuam na digestão extracelular, reprodução e outros aspecto desses microrganismos.

Quando as hifas se encontram associadas simbioticamente com as raízes das plantas, elas são denominadas Micorrizas Arbusculares (MA). Elas têm a capacidade de otimizar a absorção de nutrientes pela planta.

Os autores afirmam que a quantidade de carbono orgânico no solo é um regulador crucial de fluxos de Carbono entre a biosfera e atmosfera.

A quantidade e tamanho da biomassa microbiana regula a acumulação de carbono via mineralização e imobilização de resíduos vegetais e microbianos do solo. Ou seja, quanto maior diversidade microbiana, maior é a atividade referente ao carbono.

Zhu e Miller também indicaram que a quantidade exata de ciclagem depende de práticas de manuseio da terra, fatores edáficos, clima e quantidade e qualidade de insumos agrícolas e microbianos.

Outro fator é que as Micorrizas Arbusculares participam da regulação da fotossíntese, processo pelo qual as plantas convertem a luz solar e os nutrientes absorvidos em energia necessária para a produção de flores, frutos e grãos.

Isso acontece porque a quantidade de fungos no sistema radicular é ligada ao ganho de carbono pelo hóspede. Tais efeitos podem melhorar o sequestro de carbono, especialmente em ambientes com nutrientes limitados. Os pesquisadores afirmam:

“É aceito que as MA recebem todo o seu carboidrato da planta e que a associação de MA com raízes pode criar uma demanda por carboidratos (aumentando a força de escoamento), o que poderia resultar em um dreno de carbono de 4 a 20% da planta hospedeira e influenciar indiretamente o armazenamento de carbono nos solos”.

O incentivo à diversidade microbiana é essencial em qualquer cultivo. Os microrganismos não participam apenas na ciclagem de carbono, como também no controle pragas e doenças e até mesmo na biorremediação de poluentes do solo, como explica a Doutora em Microbiologia Aplicada e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Márcia Maria Rosa Magri:

O uso de fertilizantes químicos convencionais prejudica o desenvolvimento e diversidade da microbiota no solo. No Brasil, o fertilizante mais amplamente usado é o Cloreto de Potássio (KCl), produto com alta concentração de cloro (47%) e sal que leva a morte dos microrganismos, o que inclui as Micorrizas Arbusculares.

Isso impede que o solo seja produtivo e faça a importante ciclagem de carbono, que, de acordo com os pesquisadores, é uma opção potencial para mitigar as mudanças climáticas globais.

O que levar então em consideração na hora de escolher fertilizantes que não só preservem a microbiota do solo, mas como também promovam o seu crescimento?

A escolha dos fertilizantes é essencial para garantir a preservação e crescimento da microbiota do solo

Para garantir a preservação e crescimento da microbiota do solo, é preciso se atentar principalmente para a formulação dos fertilizantes e observar o potencial desses insumos para acidificar, salinizar e esterelizar o solo.

A acidificação é causada principalmente pela liberação de íons de hidrogênio muito presente em fontes nitrogenadas. Esses íons causam a elevação do pH do solo e consequentemente limitam a diversidade dos microrganismos capazes de sobreviver em ambientes alcalinos.

A salinização é um fenômeno mais recorrente, uma vez que diversas fontes de nutrientes apresentam um elevado índice salino. Em solos com maiores teores salinos, tanto as plantas quanto os microrganismos sofrem diversos malefícios, com a:

  • Redução do potencial de crescimento das plantas;
  • Redução de atividades enzimáticas que levam a perdas de produtividade e rentabilidade;
  • Redução da respiração do solo;

Por fim, o solo perde grande parte dos seus microrganismos quando altas concentrações de compostos microbicidas são encontrados nos fertilizantes, como a presença de cloro em quase metade da formulação do Cloreto de Potássio.

Preserve os microrganismos do solo com o BAKS® e o K Forte®

Dessa forma, o agricultor deve buscar por fertilizantes com baixo índice salino e compostos microbicidas, além de evitar aquelas com potencial para acidificar o solo. Uma dessas alternativas é o BAKS® e o K Forte®, dois fertilizantes multinutrientes da Verde.

Eles, além de preservarem a microbiota presente no solo, são capazes de promover crescimento das populações de microrganismos através dos diversos benefícios fornecidos pela sua matéria prima: o Siltito Glauconítico.E algumas das formulações do BAKS®, ainda contam com fontes de potássio de liberação imediata e gradual, equilibrando os níveis de fertilidade do solo durante todo o ciclo da cultura.

Ao garantir uma microbiota saudável e diversa no solo com os manejos e insumos adequados, o agricultor não só está gerando diversos benefícios para sua lavoura, mas como também contribuindo no combate às mudanças climáticas para uma agricultura mais sustentável.

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