Enxofre Para Plantas Adubação E Sintomas De Deficiência

Enxofre para plantas: adubação e sintomas de deficiência

Segundo o renomado engenheiro agrônomo Eurípedes Malavolta, as respostas de algumas culturas brasileiras à adubação com enxofre podem chegar a representar aumentos de até 50% da produção. Por isso, é essencial que o agricultor conheça como monitorar os sintomas de deficiência de enxofre na lavoura e como preveni-los através da adubação. Entenda como deve ser feita a adubação com enxofre para plantas e conheça mais sobre os sintomas de deficiência desse nutriente!

A importância da adubação com enxofre para plantas

A adubação com enxofre para plantas é uma prática que tem, até hoje, um grande impacto na agricultura brasileira.

Somente na última década, ela foi responsável por protagonizar o aumento do rendimento e da qualidade de culturas de grande importância econômica. Isso está relacionado aos benefícios do enxofre para as lavouras são um reflexo das diversas funções vitais que o enxofre participa para o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Tais funções vão desde a formação de aminoácidos e proteínas, até o controle hormonal e fotossíntese, além da participação em mecanismos de defesa das plantas contra pragas e doenças.Resumo Das Funções Do Enxofre Nas Plantas.

Resumo das funções do enxofre nas plantas. (Fonte: Malavolta et al.,1997).

A grande participação do enxofre no metabolismo vegetal também resulta, muitas vezes, em uma demanda elevada desse nutriente pelas plantas. Para algumas culturas, como o café, a cana-de-açúcar, o algodão, a banana e a laranja, a demanda por enxofre pode, inclusive, chegar a ser maior que a de fósforo.

Por isso, o enxofre situa-se no grupo de macronutrientes secundários, junto com o cálcio e o magnésio, e é considerado o 4º nutriente mais absorvido pelas culturas agrícolas.

A absorção de enxofre pelas plantas, geralmente, acontece por meio da absorção radicular do enxofre na forma de sulfato. Entretanto, as folhas também conseguem absorver pequenas quantidades de enxofre na forma do gás dióxido de enxofre (SO2).

Uma vez dentro da planta, o enxofre, na forma de sulfato (SO4-2), é translocado e distribuído pelo seu sistema vascular. E, uma vez incorporado aos compostos orgânicos, o enxofre se torna pouco móvel no floema, um dos tecidos condutores do sistema radicular.

Essas características do comportamento do enxofre na fisiologia vegetal ajuda a entender melhor os sintomas de deficiência desse nutriente nas plantas.

Os sintomas de deficiência de enxofre nas plantas

A baixa mobilidade e capacidade de redistribuição do enxofre absorvido nas plantas, tem relação direta com a região da manifestação dos sintomas de deficiência de enxofre, que incluem:

  • Clorose uniforme, seguida do aparecimento de tons arroxeados a avermelhados nos órgãos vegetativos mais jovens;
  • Redução do tamanho das folhas mais novas e encurtamento dos internódios;
  • Produtos agrícolas com proteína de baixo valor biológico;
  • Atraso na floração e na maturação das sementes e dos frutos;
  • Menor nodulação em leguminosas.

Geralmente, os órgãos vegetativos mais jovens das plantas são aqueles que vão manifestar os sintomas de deficiência primeiro.

Isso porque eles não conseguem encontrar uma fonte de enxofre para suprir suas demandas nutricionais, já que todo a maior parte do enxofre se encontra retido nas estruturas vegetativas mais velhas das plantas.

 

A região de manifestação dos sintomas de deficiência nas plantas é um importante indicativo a ser avaliado no momento de identificação e recomendação das melhores práticas para correção da deficiência nutricional.

Alguns dos sintomas de deficiência também são um reflexo direto das funções que o enxofre desempenha nas plantas.

No processo de fotossíntese, por exemplo, o enxofre participa da síntese do principal pigmento fotossintético envolvido com a captação da energia solar e que dá a cor característica verde as plantas: a clorofila.

É por esse motivo que, em condições de baixa disponibilidade de enxofre, a planta apresenta uma síntese limitada desse pigmento e, consequentemente apresentará a coloração amarelada uniforme nas folhas.

Outro exemplo é a participação do enxofre na fixação não fotossintética de CO2, onde é incorporado nos esqueletos de carbono formados. Isso explica porque as plantas que não conseguem ter a nutrição adequada de enxofre apresentam uma redução do tamanho das folhas mais novas e encurtamento dos internódios.

Dessa forma, é essencial que o agricultor saiba como evitar os sintomas de deficiência para manter a qualidade e produtividade da sua lavoura. Mas, por onde começar?

Como usar enxofre como adubo?

Para manter uma nutrição adequada de enxofre nos talhões e evitar os impactos dos diferentes sintomas de deficiência de enxofre, é preciso começar entendendo toda a dinâmica desse nutriente no solo e como ele afeta cada tipo de manejo.

No momento inicial de análise do solo é preciso considerar, por exemplo, que existem duas principais frações de enxofre no solo: o enxofre lábil e o enxofre não-lábil. E saber analisar corretamente cada uma delas, permite um ajuste mais fino da recomendação de adubação.

Já no momento da escolha do fertilizante, o conhecimento da dinâmica do enxofre no solo nos permite entender que cada fonte de enxofre pode passar por diferentes transformações no solo. Transformações essas que, se bem otimizadas, podem favorecer um maior efeito residual e uma taxa de liberação mais progressiva do enxofre no solo.

No mercado, existem diferentes fontes de enxofres disponíveis, cada uma com características próprias e que estão relacionadas à dinâmica do nutriente no solo. É o caso por exemplo:

Assim, quanto maior forem os conhecimentos adquiridos acerca da dinâmica desse nutriente no solo, mais eficiente poderá se dar o uso das diferentes fontes de enxofre disponíveis no mercado.

Além disso, é de igual importância entender os diferentes benefícios e limitações de cada uma delas. Dessa maneira, o agricultor consegue realizar um manejo que se adeque às necessidades e particularidades da sua lavoura.

A adubação é um importante recurso para se evitar os efeitos da deficiência de enxofre nas plantas

Tendo em vista os muitos benefícios para a qualidade e produtividade das culturas que o benefício pode trazer para as plantas, é importante que o agricultor esteja sempre atento à adubação com esse nutriente na lavoura.

Isso inclui realizar o manejo do enxofre de forma correta, com fertilizantes sulfatados adequados, para evitar os diversos efeitos negativos que a deficiência de enxofre pode causar nas lavouras!

Compartilhe esta publicação