Autoridades do mercado de cana-de-açúcar falam sobre uma nova oportunidade para diminuir custos e aumentar a produtividade

Produzir mais e com menores custos, tendo assim uma lavoura mais rentável. Em tempos de crise que ameaça vários setores da economia, esse é um dos maiores anseios dos produtores de cana-de-açúcar no Brasil.

Para falar sobre esse assunto, Carlos Alexandre Costa Crusciol e Luiz Antônio Paiva, especialistas do mercado de cana e sucroalcooleiro, se reuniram em um evento online gratuito.

A conversa ocorreu durante o evento “Encontro com Gigantes – Cana: É possível aumentar produtividade e ainda reduzir custos?”.

O debate foi promovido pela Verde, empresa que produz o fertilizante K Forte®, no dia 05 de maio de 2020.

Sob a mediação do fundador e CEO da Verde, Cristiano Veloso, os palestrantes conversaram sobre a importância de mudar os métodos de manejo e produção e de incorporação das novas soluções tecnológicas disponíveis aos produtores de cana para que eles alcancem mais rentabilidade.

Carlos Crusciol, Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) de Botucatu, falou sobre como os produtores devem repensar a adubação, que muitas vezes é focada apenas na tríade de macronutrientes Nitrogênio-Fósforo-Potássio (NPK).

Para Crusciol, é preciso levar em consideração outros nutrientes que as plantas e a microbiota do solo também precisam para se desenvolverem mais e de forma mais saudável, como o boro, o cobre e o silício. Ele aponta que assim, até mesmo a adubação com o NPK pode ser reduzida, diminuindo os custos de produção:

“O meu limitante de aumentar a produtividade muitas vezes não está na adubação de NPK, mas na deficiência de micronutrientes. Eu posso reduzir um pouco a adubação NPK e fornecer elementos como o silício, que muitos solos são pobres, e traz um aumento da resistência, melhora a questão da microbiota”.

Luiz Antônio Paiva, diretor executivo da LAPAIVA Consultoria e Assessoria em Agronegócios, também ressaltou a necessidade de uma mudança de mentalidade na hora de pensar o manejo das culturas de cana:

“É possível aumentar a produtividade, mas a gente precisa mudar a nossa forma de enxergar a lavoura. Nós temos uma cultura de olhar a doença, e não cuidar da saúde. É preciso uma mudança de foco de melhorar o ambiente de produção”.

Para os especialistas, um dos pontos essenciais dessa mudança de mentalidade é a valorização do microbioma do solo, que tem influência direta na qualidade e produtividade das plantas, e a incorporação do uso de biológicos.

O uso dos insumos biológicos, no entanto, precisa de cuidados aprimorados:

“Quando se trata de introduzir microrganismos, não é tão simples. Nós temos que procurar fazer dentro do melhor timing, das melhores recomendações. Tudo tem um momento, tem um como. Isso é importante: se preocupar que o ambiente esteja preparado, porque o microrganismo introduzido vai ter competição e a gente precisa garantir que ele tenha condições de sobreviver e alcançar os resultados que queremos”, explica Luiz Paiva.

O uso de novas tecnologias e fontes de nutrição, como os fertilizantes minerais, também é uma ferramenta que pode ajudar no aumento da produtividade da cana-de-açúcar.

O professor Alexandre Crusciol ressalta que as fontes convencionais, solúveis em água, funcionam bem em solos de países de clima temperado, mas não nos solos tropicais.

No entanto, é preciso o uso dessas fontes seja feito com bases de pesquisa científica sólidas, para que elas alcancem maior resultado:

“Não é qualquer rocha que dá resultado. Qualquer um que tem uma mina, acha pode moer e dar resultado. A pesquisa, a ciência precisam criar os critérios e apontar: essa rocha funciona bem nesse tipo de solo, etc. É preciso fazer um mapeamento das jazidas que tem no Brasil e em que tipo de solo elas funcionam. Isso tiraria [os fertilizantes minerais] do místico, daria um embasamento melhor”, afirma Crusciol.

Na avaliação dos especialistas, esse conjunto de mudança de mentalidade, de formação de um sistema de produção mais equilibrado, com técnicas como a compostagem, a rotação de cultura, o uso dos biológicos e fontes de nutrição insolúveis em água, criam um ambiente para que as plantas cresçam e produzam mais e com mais qualidade.

Em sua atuação no corpo UNESP de Botucatu, Carlos Alexandre Costa Crusciol já foi Chefe do Departamento de Produção e Melhoramento Vegetal da Universidade.

Além disso, Carlos Alexandre tem experiência na área de Agricultura, com ênfase em sistemas de produção agrícola, manejo da fertilidade do solo e fisiologia aplicada, atuando em culturas graníferas anuais e na cultura da cana-de-açúcar.

Também é Membro do Conselho Editorial da European Journal of Agronomy (Revista oficial da Sociedade Europeia de Agronomia) e Membro do Integrated Crop-Livestock Systems Network of the GRA Croplands Research Group (USDA/USA).

Carlos Alexandre Costa Crusciol tem graduação em Agronomia pela UNESP de Ilha Solteira, e mestrado e doutorado em Agronomia (Agricultura) pela UNESP de Botucatu, além de pós-doutorado pela Universidade da Flórida (EUA).

Luiz Antônio Paiva, além do trabalho na diretoria da LAPAIVA e mais de 30 anos de trabalho no setor sucroalcooleiro, desenvolveu um modelo de produção mais sustentável. Para isso, utiliza os conceitos clássicos, como parte de um sistema maior, tendo como princípio a melhoria do solo, como um todo.

Formado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), Luiz Antônio entende que a parte viva do solo, a sua biota é o que lhe pode diferenciar e alavancar o sistema de produção.

Para ele, otimizar e racionalizar recursos é a bola da vez, porém temos que adotarmos uma mudança cultural: o foco na saúde e vigor, que nos leva a adotarmos mudanças mais relevantes; deixando de lado nossa Raíz cultural que nos induz a cuidar da doença.

A conversa com Carlos Alexandre Costa Crusciol e Luiz Antônio Paiva pode ser vista na íntegra aqui:

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https://www.kforte.com.br/encontrocomgigantes/