3 Dicas Para Evitar A Deficiência De Enxofre No Eucalipto

3 dicas para evitar a deficiência de enxofre no eucalipto

A ocorrência de deficiência de enxofre no eucalipto tem aumentado em várias áreas plantadas no Brasil. É o que afirmam José Henrique Tertulino Rocha e outros pesquisadores, no artigo Nutrição e fertilização com enxofre e uso de gesso em plantações de eucalipto. Dessa forma, é imprescindível que o agricultor conheça quais práticas agrícolas podem ser usadas para se evitar os principais impactos negativos da deficiência de enxofre nessa cultura!

A importância de se evitar os sintomas de deficiência de enxofre no eucalipto

O enxofre desempenha diversas funções importantes no eucalipto, que vão desde a síntese de diversos compostos orgânicos estruturais e metabólicos das plantas ao estabelecimento de interações positivas com outros nutrientes no solo, como o fósforo e o nitrogênio.

Por isso, condições de baixa disponibilidade desse nutriente no solo podem levar a manifestação de sintomas de deficiência de enxofre no eucalipto, condição que tem um impacto significativo no crescimento e produtividade da cultura.

Tais sintomas podem ser identificados no eucalipto com a inibição do crescimento das árvores e do amarelecimento das folhas mais novas, que evolui para avermelhamento generalizado e aparecimento de pontos necróticos nas bordas.Sintomas Visuais De Deficiência De Enxofre No Eucalipto (Eucalyptus Grandis).

Sintomas visuais de deficiência de enxofre no eucalipto (Eucalyptus grandis). (Fonte: Circular técnica IPEF, 2015)

Nesse sentido, é essencial que o agricultor conheça algumas boas práticas agrícolas para evitar as consequências da deficiência de enxofre no eucalipto. São elas:

1. Favorecer o aumento da disponibilidade de nutrientes no solo

Quando pensamos no uso de fontes de nutrientes na agricultura, a disponibilidade deles corresponde a todas as reações e processos pelos quais passa um nutriente, desde a sua liberação na solução do solo até a sua absorção durante o ciclo de uma cultura.

Esse conceito, citado pelo professor Ríbamar Silva, da Universidade Federal do Acre, mostra que existe uma interdependência entre a liberação de nutrientes na solução do solo e a capacidade desse mesmo nutriente permanecer nas camadas mais superficiais do solo para ser utilizado.

Fontes de enxofre muito solúveis em água, como o sulfato de potássio, apesar de liberarem rapidamente o enxofre para a solução do solo, os nutrientes não conseguem permanecer por muito tempo na região da rizosfera das plantas.

Isso acontece porque os nutrientes que não são absorvidos ficam muito suscetíveis ao processo de lixiviação, quando eles são perdidos para as camadas mais profundas do solo. Em um curto prazo, isso acaba levando a uma baixa disponibilidade de enxofre no solo.

 

Nem sempre escolher fertilizantes muito solúveis em água pode ser a melhor escolha.

Uma das formas de favorecer o aumento da disponibilidade de nutrientes, principalmente considerando o longo ciclo produtivo do eucalipto, é com o uso de fontes de enxofre com liberação progressiva de nutrientes e com longo efeito residual, como o enxofre elementar.

Diferentemente das fontes de enxofre muito solúveis em água, o enxofre elementar precisa passar por um processo de oxidação microbiana para ser absorvido pelas plantas.

Processo este que garante uma liberação progressiva do enxofre sem sofrer perdas de nutrientes por lixiviação, como destaca a Dra. Ilca Puertas, Pós Doutora em Agronomia:

“Esse processo elimina a chance de perda do nutriente por lixiviação. Então você tem certeza que aquilo que você tá colocando no solo é o que vai ficar no solo e que a planta vai absorver. Então isso já um grande ganho em relação às fontes de sulfato.”

2. Melhorar a atividade microbiana do solo

Algumas formas de enxofre, como o enxofre orgânico e enxofre elementar, dependem da ação dos microrganismos do solo para poderem ser absorvidos pelas plantas. Por isso, melhorar a atividade microbiana do solo é outra prática que pode evitar a deficiência de enxofre no eucalipto.Ciclo Do Enxofre Em Povoamentos Florestais Com Suas Principais Entradas (Setas Azuis), Transformações (Setas Pretas) E Saídas (Setas Vermelhas).

Ciclo do enxofre em povoamentos florestais com suas principais entradas (setas azuis), transformações (setas pretas) e saídas (setas vermelhas). (Fonte: Circular técnica IPEF, 2015)

O processo de transformação do enxofre orgânico e do enxofre elementar pode ser realizado por diferentes gêneros de microrganismos, dependendo da disponibilidade de oxigênio no solo.

Na sua ausência, ele é realizado pelas bactérias fototróficas do gênero Chlorobium e Cromatium, enquanto na presença do oxigênio pelas bactérias quimiotróficas do gênero Thiobacillus, Sulfolobus e Sulfobacillus.

A Doutora Rafaela Santos, em sua participação no evento Encontro com Gigantes, explica que as principais formas para favorecer os microrganismos do solo envolvem:

  • Adoção de sistemas de produção integrados e de rotação de culturas;
  • Escolha dos fertilizantes sem cloro e com baixo índice salino;
  • Uso da adubação verde e produtos biológicos;
  • Incremento da matéria orgânica do solo.

3. Otimizar o equilíbrio dos nutrientes no solo

Um último ponto que merece atenção no momento de realizar a adubação do eucalipto é a otimização do equilíbrio dos nutrientes no solo, visto que outros nutrientes podem interferir na absorção do enxofre e vice-versa.

Quando o teor de enxofre no solo é baixo, como acontece no Cerrado, a utilização de fertilizantes concentrados com elevados teores de fósforo pode provocar a deficiência de enxofre.

Da mesma forma, o excesso de enxofre pode comprometer algumas vias metabólicas na ausência de fósforo. Esse excesso ou elevados teores de nutrientes no solo, geralmente, pode acontecer por dois motivos: a recomendação incorreta das dosagens ou o insumo aplicado na lavoura.

Para evitar a recomendação incorreta das dosagens, o agricultor deve estar sempre atento à metodologia usada para fazer a análise de solo para não subestimar nem superestimar a fertilidade dos talhões.

No artigo Soil assays for the recognition of sulphur deficiency, H. M. Reisenauer explica que enquanto alguns extratores conseguem avaliar apenas a fração do sulfato solúvel e parte do sulfato adsorvido, outros também conseguem extrair porções do enxofre orgânico contido nas amostras de solo.

Já a questão do insumo aplicado na lavoura está relacionada principalmente à sua dispersão no campo, uma vez que ela pode acontecer de forma desigual devido ao fenômeno de segregação dos nutrientes ou mesmo do tamanho das partículas dos fertilizantes.

Em fertilizantes compostos por misturas de grânulos, por exemplo, cada matéria-prima tem um tamanho de partícula e densidade diferentes.

Quando misturadas e colocadas nos equipamentos de distribuição do fertilizante no solo, as partículas menores tendem a ser depositadas no início da aplicação, e as maiores ao final do processo, e levam à uma distribuição desuniforme dos nutrientes no campo.

Já partículas muito grandes de fertilizantes, como acontece com o enxofre elementar granulado e pastilhado, também não garantem uma distribuição uniforme do enxofre no campo. Aumentando, assim, a possibilidade de que alguns pontos da lavoura recebam enxofre demais, causando uma super adubação, e outros receberem enxofre de menos.Comparação Da Distribuição Do Enxofre Granulado Ou Pastilhado E O Baks®, Fertilizante Com Enxofre Micronizado Da Verde Agritech. O Número De Partículas Da Ilustração É Baseado Em Uma Distribuição De 30Kg Por Hectare, Considerando Um Cálculo Proporcional Entre O Peso E Concentração De Cada Produto.

Comparação da distribuição do enxofre granulado ou pastilhado e o BAKS®fertilizante com enxofre micronizado da Verde Agritech. O número de partículas da ilustração é baseado em uma distribuição de 30Kg por hectare, considerando um cálculo proporcional entre o peso e concentração de cada produto.

Assim, o agricultor deve sempre se atentar na hora da escolha de fertilizantes multinutrientes, evitando aqueles que possam gerar o problema da segregação de nutrientes e buscando por fontes de enxofre que tenham partículas menores, como o enxofre elementar micronizado.

A deficiência de enxofre no eucalipto pode ser evitada com a adoção de diferentes práticas agrícolas

Em resumo, estão inclusas dentre as boas práticas agrícolas para se evitar a deficiência de enxofre no eucalipto:

  • Uso de fontes de enxofre com liberação progressiva de nutrientes e com longo efeito residual;
  • O favorecimento das populações de microrganismos do solo;
  • Escolha de fertilizantes multinutrientes livres do problema de segregação e que tenham partículas menores de enxofre.

Dessa forma, o agricultor consegue alcançar o máximo potencial produtivo e de qualidade da sua floresta de eucalipto ao implementar essas diferentes práticas agrícolas!

 

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