Saiba quais são os sintomas de deficiência de potássio na soja

Saiba quais são os sintomas de deficiência de potássio na soja

O aumento do potencial produtivo e a redução do ciclo das variedades mais recentes de soja têm dificultado cada vez mais o manejo eficiente do potássio na cultura. Uma das consequências disso é o aparecimento de sintomas de deficiência de potássio na soja. Veja quais são eles e como evitá-los.

Os sintomas de deficiência de potássio na soja

Os sintomas de deficiência de potássio na soja são um reflexo direto da dinâmica do potássio no solo e de suas funções dentro da planta.

Entender a função do potássio nas plantas é importante para compreender os sintomas de deficiência do nutriente na soja.

Como o potássio não integra compostos orgânicos, ele é um macronutriente muito móvel nas plantas. Isso faz com que, em condições de baixa disponibilidade, a planta realoque o potássio das folhas mais velhas para atender as exigências nutricionais dos órgãos mais jovens.

Assim, geralmente os sintomas de deficiência de potássio vão se manifestar no terço inferior das folhas mais velhas das plantas.

Essa característica foi destacada por Gerdi J. Sfredo e Clóvis M. Borkert no Documento 231 – Deficiências e toxicidades de nutrientes em plantas de soja: descrição de sintomas e ilustração com fotos, da Embrapa.

Entretanto, no caso da cultura da soja esses sintomas também podem aparecer no terço superior das plantas, como observado no estudo Adubação para soja em terras baixas drenadas no Rio Grande do Sul.

Essa condição pode acontecer principalmente em cultivares de soja com crescimento indeterminado.

Nesses cultivares, o potássio é mais demandado inicialmente na formação dos grãos do terço inferior e médio das plantas, o que leva ao aparecimento dos sintomas visuais de deficiência no terço superior.Expressão de sintomas visuais de deficiência de potássio no terço superior de plantas de soja, sob diferentes regimes de adubação potássica.

Expressão de sintomas visuais de deficiência de potássio no terço superior de plantas de soja, sob diferentes regimes de adubação potássica. (Fonte: VEDELAGO, 2014)

Inicialmente, a baixa disponibilidade de potássio leva à redução da taxa de crescimento e produtividade da soja.

Nessa condição, a planta geralmente ainda não apresenta o aparecimento de sintomas visuais de deficiência e se encontra numa condição conhecida como “fome oculta”.

Esses dois sintomas são um reflexo direto das funções que o potássio desempenha na soja. A redução da taxa de crescimento acontece porque o potássio está envolvido com a síntese da enzima RuBisCO, a principal enzima responsável pela fixação de carbono da planta e consequentemente seu crescimento.

Já a queda de produtividade, está relacionada tanto com a função do potássio como transportador de fotossintatos da planta, quanto com o seu papel de ativador enzimático. Vale ressaltar que o potássio ativa mais de 50 enzimas, que são responsáveis por controlar a velocidade e regular diversas reações bioquímicas.

A redução mais acentuada de disponibilidade de potássio no solo leva ao surgimento de manchas amarelas a partir das folhas mais velhas. O avanço dos sintomas pode levar a necrose e a quebra das áreas necrosadas, devido a formação da poliamina putrescina.Folha de soja com sintoma de deficiência de potássio.

Folha de soja com sintoma de deficiência de potássio. (Fonte: BORKERT et al., 1994)

Segundo a Embrapa, além de sintomas foliares, a deficiência de potássio também pode levar ao aparecimento de outros sintomas que estão muito associados às funções do potássio na planta já citadas, como:

  1. Grãos pequenos, enrugados, deformados, com baixo vigor e poder germinativo;
  2. Vagens chochas;
  3. Atraso na maturação da planta;
  4. Hastes verdes;
  5. Retenção foliar.

Todos esses sintomas se expressam de acordo com a disponibilidade de potássio no solo e podem surgir mesmo em condições de dosagens adequadas de potássio. Mas, como isso acontece?

Condições que levam à expressão de sintomas de deficiência

As condições que levam a expressão de sintomas de deficiência na cultura da soja, envolvem dois principais aspectos do sistema de produção: a condição do solo e o tipo de fertilizante potássico aplicado na lavoura.

A condição do solo pode ter uma grande influência na dinâmica de potássio, uma vez que ela pode levar a retenção de potássio nas partículas do solo, num fenômeno conhecido como adsorção.

A preferência de adsorção dos cátions nas partículas do solo fica com aqueles de maior densidade e consequentemente são esses que ficam mais fortemente retidos no solo. Ela pode comprometer a quantidade e movimentação do potássio na solução do solo e, consequentemente, a sua disponibilidade para as plantas.

No estudo Sorção de potássio em amostras de solo submetidas à aplicação de vinhaça, Lorena M. Nicochelli e outros pesquisadores observaram que o íon potássio teve maior interação com a fração sólida das amostras que possuíam maior percentual de argila e capacidade de troca catiônica (CTC), do que aquelas amostras de sedimento cuja composição é predominantemente arenosa.

Também, vale-se ressaltar que o fenômeno de adsorção pode ser potencializado com a maior presença de íons de potássio livre na solução do solo.

Segundo a teoria de Langmuir, a sorção aumenta linearmente com o aumento da concentração de soluto e aproxima-se de um valor constante quando atinge o limite de número de sítios de sorção nas partículas do solo.

Essa condição de uma elevada presença de íons de potássio livre na solução do solo acontece principalmente com a aplicação de fontes muito solúveis de potássio, que leva ao segundo aspecto do sistema de produção: o tipo de fertilizante potássico aplicado na lavoura.

Fontes de potássio muito solúveis, como o Cloreto de Potássio (KCl), praticamente liberam todo o conteúdo de potássio no solo no momento da aplicação. E isso leva a um desequilíbrio entre a taxa de disponibilização dos nutrientes pelo fertilizante e a taxa de absorção de potássio pelas plantas.

Com isso, a quantidade de potássio que não é absorvida pelas plantas fica livre na solução do solo. Além dos íons de potássio ficarem mais vulneráveis ao fenômeno conhecido como lixiviação.

A lixiviação acontece quando os nutrientes são carregados para as camadas mais profundas do solo e compromete o desempenho da soja, uma vez que a lavoura não terá uma nutrição adequada, já que parte das dosagens de potássio aplicadas estarão inacessíveis para o sistema radicular das plantas.

No livro Fertilizantes de eficiência aprimorada, os pesquisadores Márcio Valderrama e Salatiér Buzetti estimam que 40% a 70% dos fertilizantes usados no manejo agrícola podem se perder por lixiviação e  volatilização.

Como, então, evitar essas condições que podem levar a expressão de sintomas de deficiência e proporcionar uma boa nutrição de potássio para a cultura da soja?

Como corrigir a deficiência de potássio da soja através da adubação?

Para proporcionar uma adubação potássica eficiente na cultura da soja sem a expressão de sintomas visuais de deficiência e toxicidade, é preciso adotar algumas boas práticas, como:

  1. Investir no solo, garantindo um bom equilíbrio entre os aspectos que podem influenciar na disponibilidade de potássio, como pH e CTC;
  2. Aplicar a dosagem adequada de potássio de acordo com a análise de solo mais adequada para o sistema de produção;
  3. Escolher fontes de potássio que mais atendam de forma equilibrada os momentos de maior e menor demanda nutricional da lavoura.

A aplicação equilibrada de fontes de potássio na lavoura pode ser alcançada buscando a utilização de fontes mais solúveis nos momentos de maior exigência nutricional da soja, combinada com uma adubação de plantio com fontes de liberação gradual de potássio.

Assim, ao preconizar o uso das boas práticas de adubação, o agricultor consegue alcançar a máxima eficiência da adubação potássica, como também melhorar os resultados da lavoura de soja.