O que é o sulfato de amônio

Entenda o que é o sulfato de amônio e o seu uso como adubo

O sulfato de amônio, ou SAM, é um fertilizante utilizado no manejo agrícola como fonte de nitrogênio e enxofre. O fornecimento desses dois importantes nutrientes para as plantas é uma das principais vantagens desse adubo, mas ele também tem desvantagens que podem trazer problemas para o agricultor. Entenda melhor o que é o sulfato de amônio e os pontos a favor e contra o uso dele como fertilizante na agricultura.

O que é o sulfato de amônio (SAM)?

Também conhecido como SAM, o sulfato de amônio é um composto químico cuja fórmula é (NH4)2SO4. Ele geralmente é obtido através da mistura da amônia e do ácido sulfúrico, embora ocorra naturalmente também em um mineral raro formado em fumarolas marinhas e como resultado da queima de carvão, a mascanhite.

Em termos de nutrientes agrícolas, o sulfato de amônio contém:

  • 20% de nitrogênio na forma amoniacal;
  • Entre 22 e 24% de enxofre sulfatado.

O nitrogênio faz parte do conjunto dos macronutrientes primários, junto com o potássio e o fósforo, sendo exigido  em altas quantidades pelas plantas. Ele está envolvido em processos vitais para o crescimento vegetal, como:

  • Atuação direta na fotossíntese, já que é parte constituinte da clorofila;
  • Constituição de substâncias essenciais, como vitaminas, carboidratos e proteínas;
  • Atuação no desenvolvimento do sistema radicular.

Já o enxofre está no grupo dos macronutrientes secundários, juntamente com o cálcio e o magnésio. De maneira geral, ele é o 4º nutriente mais consumido pelas plantas, estando ligado principalmente a funções de metabólicas. Ele tem participação ativam na formação de moléculas orgânicas envolvidas no ciclo de vida vegetal como:

  • Aminoácidos;
  • Proteínas;
  • Enzimas.

Devido à sua importância e grande quantidade requerida no ciclo de vida das plantas, é preciso que se faça a adubação com esses elementos, para que sejam mantidos os níveis de produção necessários para sustentar a população mundial.

As principais vantagens do uso do sulfato de amônio na agricultura

Por ter dois importantes nutrientes para as plantas, o sulfato de amônio é utilizado como fonte de nutrição no manejo agrícola. A principal vantagem do SAM como adubo é que ele consegue fornecer dois importantes elementos para o desenvolvimento vegetal em um único insumo.

Além do mais, as formas com que o sulfato de amônio disponibiliza esses elementos são as que as plantas conseguem absorver: o amônio (NH4+) e o enxofre sulfatado (SO42-). Isso faz com que eles estejam disponíveis mais rapidamente para as plantas.

Quando o agricultor precisa fazer uma reposição rápida desses nutrientes no solo, como quando há um quadro de deficiência aguda, por exemplo, isso é uma vantagem. Entretanto, o sulfato de amônio tem alguns problemas quando usado como fertilizante. Mas, quais são essas desvantagens?

Sulfato de amônio: um fertilizante com problemas e que pode sair caro

Um dos principais problemas do uso do SAM como adubo é o seu alto índice de salinidade, de 69%. A salinidade tem impactos muito grandes na qualidade do solo, como, por exemplo, afetar o microbioma do solo, diminuindo a produtividade da lavoura, e prejudicar o desenvolvimento radicular das plantas.

Isso faz com que, para que não haja problemas em relação a esse parâmetro, o agricultor precise fazer parcelamentos na hora de aplicar o insumo no manejo agrícola. A longo prazo, isso aumenta os custos de produção, já que são necessárias mais entradas na lavoura durante o ciclo produtivo, gerando mais gastos operacionais, por exemplo.

Outro problema é que ele tem um alto potencial para acidificar o solo. Isso acontece porque, com os microrganismos do solo realizam um processo de oxidação chamado nitrificação. Durante esse processo, o amônio (NH4+) é transformado em nitrato (NO3-).

Durante a nitrificação, são liberados no solo íons de hidrogênio (H+) para cada NH4+, o que diminui o pH do solo, tornando-o mais ácido. Assim, para contornar esse problema, é preciso que o agricultor recorra à calagem.

Já como uma fonte de enxofre, o sulfato de amônio tem o problema da lixiviação. O enxofre sulfatado, embora seja a forma que as plantas conseguem absorver esse elemento, tem uma alta mobilidade no perfil solo. Isso faz com que ele seja perdido para as camadas mais profundas.

Fontes que são muito suscetíveis a esse problema fazem com que o agricultor perca parte dos nutrientes que coloca no solo. Além disso, atualmente fenômenos provocados pelas mudanças climáticas podem alterar os ciclos de chuva, fazendo com que possam ocorrer chuvas inesperadas que aumentam a incidência da lixiviação.

Há ainda o fato de que o sulfato de amônio é, em sua maioria, um fertilizante importado. Dados da empresa de consultoria agrícola Nutrição de Plantas Ciência e Tecnologia (NPCT) indicam que 87% do SAM utilizado no Brasil  vem de outros países. Atualmente, a China e a Bélgica são os maiores produtores de sulfato de amônio no mundo.

Essa dependência externa faz com que o mercado agrícola brasileiro fique à mercê das instabilidades econômicas internacionais, como por exemplo a variação cambial do dólar, que encarece o preço dos fertilizantes importados. Além disso, fatores políticos e sociais em outros países também podem ter impactos no mercado internacional de fertilizantes.

Diante disso, como o agricultor pode encontrar fontes alternativas para o sulfato de amônio?

Outras formas de nutrir a lavoura com nitrogênio e enxofre

Embora tenha vantagens, como disponibilizar nitrogênio e enxofre em um único produto, o sulfato de amônio traz, como visto, uma série de limitações quando utilizado como adubo na agricultura. Assim, o agricultor pode pensar em alternativas para nutrir a lavoura com nitrogênio e enxofre.

Uma saída é fornecer o nitrogênio através da ureia. Esse insumo tem um teor do mais elevado desse elemento, se tornando, comparativamente, mais barato para o agricultor. O seu uso pode ser combinado com outras fontes de adubação, como o Siltito Glauconítico, que ajuda a reduzir as perdas do nitrogênio por lixiviação e volatilização.

A esturtura glauconita presente no Siltito Glauconítico reduz as perdas de nitrogênio por lixiviação e volatilização

A esturtura glauconita presente no Siltito Glauconítico reduz as perdas de nitrogênio por lixiviação e volatilização (Fonte: Débora Moreira)

Já a adubação com enxofre pode ser feita através do enxofre elementar micronizado, que é uma forma altamente concentrada e eficiente de enxofre. Entre as vantagens desse fertilizante estão o fato de que ele não sofre com a lixiviação e tem uma disponibilização mais gradual dos seus nutrientes.

Estar atento às inovações tecnológicas, que permitem que novas fontes de adubação agrícola sejam pesquisadas e disponibilizadas no mercado é importante para o agricultor que quer ter mais produtividade, mais qualidade e um uso mais sustentável do solo na sua lavoura.