Conheça estratégias para melhorar o manejo de potássio na cultura do milho

O potássio está entre os três nutrientes mais absorvidos pela cultura do milho, tendo um papel essencial no crescimento da cultura e formação dos grãos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estima que, em média, 30% do potássio absorvido é exportado para os grãos e essa grande mobilidade dificulta o manejo desse nutriente na milhocultura. Conheça algumas estratégias para contornar essa dificuldade.

A importância de realizar um bom manejo de potássio na cultura do milho

O potássio é um macronutriente primário muito requerido e exportado pela cultura do milho. No artigo Doses e épocas de aplicação de potássio no desempenho agronômico do milho no cerrado piauiense, Fabiano André Petter e seus demais colegas pesquisadores verificaram que quase todas as variáveis avaliadas para determinar o desempenho agronômico do milho foram influenciadas pelas doses de potássio, incluindo:

  • Altura de plantas;
  • Diâmetro do colmo;
  • Altura de inserção de espiga;
  • Produtividade de grãos.

Produtividade de grãos de milho em função de doses de potássio em latossolo amarelo do cerrado piauiense.

Produtividade de grãos de milho em função de doses de potássio em latossolo amarelo do cerrado piauiense. (Fonte: PETTER, F. A. et al., 2016)

Além da influência direta do potássio em diversos parâmetros de crescimento e produtividade da cultura, muitos trabalhos também têm apontado a influência significativa desse macronutriente na defesa contra fitopatógenos em cultivares moderadamente suscetíveis ou resistentes.

A presença de potássio em níveis adequados confere maior resistência aos tecidos, por aumentar a espessura da cutícula e da parede celular das plantas. Dessa forma, ele é responsável por dificultar a penetração dos fitopatógenos e o progresso da infecção, por também estar relacionado com o acúmulo de substâncias que apresentam ação fungistática.

Nos ensaios conduzidos na dissertação de mestrado Efeito do nitrogênio e do potássio na intensidade da Antracnose Foliar (Colletotrichum graminicola) e na nutrição mineral do milho, o Me. Diego de Oliveira Carvalho concluiu que a adubação potássica influenciou significativamente o período de latência do fungo em até 21,7%, o que reduz a quantidade de esporos produzidos e consequentemente o tamanho e a quantidade de lesões na planta.

A Embrapa aponta que o aumento dos ensaios de campo com o milho nos últimos anos, estudando as respostas do milho ao potássio, pode ser atribuída aos seguintes aspectos:

  • Intensificação do uso de sistemas de produção;
  • Aumento do uso do milho como planta forrageira;
  • Uso de híbridos de milho de alto potencial produtivo e ampliação das áreas irrigadas;
  • Crescente conscientização dos agricultores para recuperação da fertilidade do solo;

Com a crescente relevância que o potássio tem para a cultura do milho, quais são as estratégias que podem melhorar o manejo desse macronutriente?

O manejo eficiente do potássio na cultura do milho

O manejo eficiente do potássio na cultura do milho começa com a interpretação da análise de solo e foliar, pois existem muitos fatores que podem interferir no transporte e na absorção dos nutrientes de forma geral.

No artigo Bases teóricas e experimentais de fatores relacionados com a disponibilidade de potássio do solo às plantas usando trigo como referência, por exemplo, o autor Sirio Wiethölter observou que a taxa de absorção de K pela planta é inversamente proporcional ao poder-tampão desse nutriente no solo.

Com isso, as análises são capazes de indicar quais fatores limitantes que podem estar presentes e quais práticas complementares a adubação precisam ser adotadas, a fim de garantir uma boa disponibilidade de potássio na solução do solo.

Após o ajuste das características do solo, deve ser avaliado o potencial produtivo e o tipo de exploração da cultivar para adequar a adubação potássica às exigências nutricionais. Para plantios de milho silagem, por exemplo, a exportação de potássio pode ser quase o dobro daqueles destinados à produção de grãos.

Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem em diferentes níveis de produtividade.

Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem em diferentes níveis de produtividade. (Fonte: COELHO et al., dados não publicados)

Uma vez identificada a exigência nutricional da cultura, deve-se avaliar qual a fonte de potássio mais viável para o sistema produtivo, considerando todas as vantagens e desvantagens de cada insumo. Algumas fontes e matérias-primas potássicas disponíveis no mercado são:

Por fim, dentre os métodos de aplicação João Paulo Rezende David e seus colegas pesquisadores encontraram influências em diferentes variáveis dependendo do tipo de adubação realizado, no artigo O efeito de diferentes doses de potássio na adubação de base e cobertura na cultura do milho.

Nas condições do estudo, as melhores médias de altura da planta, altura de inserção da primeira espiga e diâmetro do caule foram influenciadas pela aplicação de potássio na base e na cobertura (estádio V5).

Já os parâmetros de grãos por planta e rendimento foram influenciados por uma dose maior de potássio em aplicação na base.

E com a agricultura cada vez mais integrada às novas tecnologias disponíveis, novos métodos de otimizar o manejo do potássio tem surgido.

A agricultura de precisão e o manejo do potássio na cultura do milho

O avanço das tecnologias de aplicação também vem permitindo o desenvolvimento de novos estudos acerca do manejo nutricional do milho.

No artigo Avaliação de intervenções em unidades de aplicação localizada de fertilizantes e de populações de milho, José P. Molin e seus colegas pesquisadores analisaram a viabilidade da agricultura de precisão na cultura do milho.

Os autores destacaram que a adoção das técnicas da agricultura de precisão permite a otimização de recursos disponíveis e fortalece os conceitos de agricultura sustentável. Isso se torna possível porque os agricultores passam a considerar a variabilidade espacial dos fatores de produção e aplicam apenas as quantidades necessárias em cada ponto.Mapa dos teores de potássio no solo (b) de recomendação (d) no experimento.

Mapa dos teores de potássio no solo (b) de recomendação (d) no experimento. (Fonte: MOLIN, J. P. et al, 2006)

Dessa forma, o avanço das tecnologias tem proporcionado a otimização das estratégias de manejo de potássio na cultura do milho e o fortalecimento dos conceitos da sustentabilidade.

Entender as funções do potássio na milhocultura, além de estar atento às novas tecnologias e às fontes de nutrição adequadas, são as chave para o agricultor ter mais sucesso em sua lavoura!

 

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