Conheça a biotita e seu uso como fonte de potássio agrícola

O potássio é um dos nutrientes mais requeridos pelas plantas e a sua inclusão no manejo nutricional agrícola é essencial para garantir mais produtividade e qualidade para a lavoura. A biotita vem sendo estudada como uma fonte de potássio na agricultura, mas quais são as suas vantagens e as suas desvantagens como fertilizante?

O que é biotita?

A biotita é um composto mineral da classe dos silicatos, pertencente ao grupo dos filossilicatos e do subgrupo das micas. Sua fórmula química é K(Mg,Fe2+)3[AlSi3O10](OH,F)2. Conhecida como “mica de ferro”, a biotita costuma ocorrer em rochas ígneas e metamórficas.

Diferentes apresentações da biotita, vistas no microscópio

Diferentes apresentações da biotita, vistas no microscópio (Fonte: UFGRS)

Uma das características que chama a atenção na biotita é a presença do potássio, além do magnésio, em sua composição. O potássio é um dos elementos do grupo dos macronutrientes, junto com o fósforo e o nitrogênio. Isso significa que ele é exigido em grandes quantidades pelas plantas durante o seu processo de crescimento.

O potássio é considerado o elemento da qualidade do produto agrícola, por causa dos diversos processos bioquímicos  e metabólicos das plantas em que ele está envolvido. Entre esses processos, estão:

  • Fotossíntese;
  • Ativação enzimática;
  • Transporte de fotossintatos no floema;
  • Crescimento celular;
  • Síntese proteica;
  • Regulação do potencial hídrico das células;
  • Amenização de estresses bióticos e abióticos;

Segundo a Embrapa, no estudo Aspectos relacionados ao mapeamento da disponibilidade de potássio nos solos do Brasil, boa parte dos solos brasileiros tem baixa disponibilidade de potássio. Isso significa que, para o melhor rendimento e qualidade da produção agrícola, é preciso realizar a adubação com esse nutriente.

Atualmente, fontes alternativas aos fertilizantes convencionais de potássio, como o Cloreto de Potássio, têm sido pesquisadas no Brasil e no mundo. A biotita é uma dessas fontes alternativas, mas quais as vantagens do uso da biotita como fertilizante de potássio?

Principais vantagens da biotita

Entre as principais vantagens da biotita utilizada como fonte de potássio está o fato de que ela permite uma liberação mais gradual do nutriente no solo. Isso acontece porque o potássio contido nela precisa passar por um processo de intemperismo para que seja disponibilizado para as plantas.

Isso faz com que, diferentemente de fontes que contém o potássio mais solúvel, como o Cloreto de Potássio, ela tenha um efeito residual no solo. É o que descobriram Ivaniele Nahas Duarte e outros pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no estudo Biotita: Fonte de potássio para a agricultura.

Teores de potássio no solo após o cultivo de milheto m função de doses e fontes de

Teores de potássio no solo após o cultivo de milheto m função de doses e fontes de potássio aplicadas num solo contendo 12% argila. A biotita teve um efeito residual no solo maior que o KCl. (Fonte: DUARTE et. al, 2012)

Outra vantagem do uso da biotita como adubo potássico é que esse composto é encontrado em rochas presentes em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil. Isso poderia ajudar a diminuir a dependência externa do país de potássio.

Atualmente, quase todo o potássio utilizado na agricultura brasileira vem de outros países. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), só de Cloreto de Potássio, 98% são importados. Isso deixa o agricultor brasileiro à mercê de fatores como a variação cambial do dólar e os acontecimentos sócio-políticos que influenciam o preço dessa commodity.

As limitações da biotita

A biotita, no entanto, tem algumas limitações no seu uso como fertilizante de potássio. A principal delas é que ela tem uma eficácia relativamente baixa em relação a fontes mais convencionais, como o Cloreto de Potássio (KCl).

Ivaniele Nahas Duarte e seus colegas compararam a eficiência da biotita com o KCl em seu estudo sobre esse composto mineral. Os pesquisadores identificaram que ela teve apenas 54% de eficiência em relação à disponibilidade de potássio para as plantas,  quando comparada com o Cloreto de Potássio.

Uma das formas de driblar essa menor eficácia é processar a biotita. No estudo Rocha contendo biotita como fonte alternativa de potássio para fertilizante após processamento térmico com aditivos, Antônio Clareti Pereira e outros pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais conseguiram aumentar a disponibilização de potássio da biotita através do processamento térmico do composto mineral.

Entretanto, esse processo pode fazer com que o produto final fique mais caro, tornando a biotita economicamente inviável. Existem, então, outras fontes de potássio além da biotita?

A inovação é a chave para encontrar novas fontes de potássio

Sim. Embora a biotita tenha potencial para ser utilizada como fonte alternativa de potássio e tenha suas vantagens, é preciso mais pesquisas para garantir que ela tenha tanto eficácia agronômica quanto uma boa relação de  custo-benefício.

Outras fontes, como as que são feitas a partir do Siltito Glauconítico, conseguem oferecer potássio para a lavoura de maneira eficiente e com um bom custo-benefício, graças ao seu bom teor de potássio e às propriedades benéficas da glauconita.

Ficar atento ao mercado e às inovações no campo da pesquisa é essencial para o agricultor que quer ter uma lavoura mais produtiva e com mais qualidade, utilizando fontes de potássio sustentáveis e de qualidade.