Veja os preços do Cloreto de Potássio e outros fertilizantes usados na agricultura brasileira

Veja os preços do Cloreto de Potássio e outros fertilizantes usados na agricultura brasileira

Com quase 70 milhões de hectares destinados à atividade agrícola, de acordo com o Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra realizado em 2018, o Brasil é um grande consumidor de fertilizantes. Entre os fertilizantes utilizados na agricultura brasileira estão o Cloreto de Potássio, a ureia, o sulfato de amônio e o MAP. Veja quais são as características e os preços desses fertilizantes!

A necessidade do uso e os preços dos fertilizantes no Brasil

Além do tamanho continental da sua área agrícola, existe um outro fator que faz com que os fertilizantes sejam essenciais para a agricultura brasileira.

Acontece que boa parte dos solos do país apresenta uma baixa disponibilidade de nutrientes, em razão de serem antigos e intemperizados.

Entre os nutrientes mais utilizados na agricultura brasileira, estão o potássio, o nitrogênio, o enxofre e o fósforo. Mas, quanto custa o potássio? Qual o preço vou pagar pelo nitrogênio? Quais são os fertilizantes mais utilizados para fornecer esses nutrientes? Quais são as suas vantagens e limitações? Veja a seguir as respostas para essas perguntas.

1. Cloreto de Potássio

O Cloreto de Potássio, ou KCl, é um dos fertilizantes mais utilizados como fonte de potássio para as lavouras. Isso se deve ao alto teor de potássio desse haleto metálico salino, que tem aproximadamente 47% de cloro e 53% de potássio.

O método mais comum de obtenção do KCl é pela extração a partir de minerais como a silvita e a carnalita. Entretanto, ele pode vir de outras fontes. Por exemplo, ele é um subproduto da produção de ácido nítrico a partir de nitrato de potássio e ácido clorídrico.

O Cloreto de Potássio disponibiliza o nutriente rapidamente para as plantas. Isso é positivo em certos contextos, como por exemplo nas culturas de ciclo rápido, que precisam do potássio mais urgentemente.

Quando o solo apresenta teores muito baixos de potássio e é preciso elevar os níveis em pouco tempo, o KCl também é uma boa opção. Entretanto, ele também tem algumas limitações.

Uma delas é que, como outras fontes de disponibilização rápida, o Cloreto de Potássio está mais sujeito à lixiviação. Como esse fenômeno faz com que parte dos nutrientes se desloquem para as camadas mais profundas do solo, longe das raízes das plantas, parte do que é aplicado não é aproveitado pelas plantas.

Assim, o agricultor acaba tendo que realizar reaplicações mais frequentes. Somado a isso, o alto índice de cloro do KCl faz com que o agricultor aplique esse elemento em excesso no solo.

Mesmo sendo um micronutriente importante para as plantas, o cloro é requerido em quantidades muito pequenas, que normalmente o próprio solo já fornece. O uso de Cloreto de Potássio como adubo acaba colocando muito cloro no solo.

Como ele é composto por aproximadamente 47% de cloro, o uso excessivo do KCl pode fazer com que muito cloro seja aplicado no solo.

Isso tem como consequências toxidade para as plantas e, para o solo, o aumento da salinidade e da compactação do solo.

Em razão disso, o cloro tem um efeito biocida, como descreve a pesquisadora Heide Hermary no artigo Effects of some synthetic fertilizers on the soil ecosystem, ao dizer que aplicar 200kg Cloreto de Potássio é equivalente a despejar 1600 litros de água sanitária no solo.

Mas, qual o preço da tonelada do Cloreto de Potássio? De acordo com o relatório ACERTO Weekly Fertilizer Report Brazil do dia 14 de outubro, o preço pago pela tonelada do KCl no porto (CFR) varia entre U$ 760,00 e U$ 780,00.

Em reais, esse valor fica entre R$ 4.187,60 e R$ 4.297,80, na cotação do dia 14 de outubro.

2. Ureia

A ureia agrícola, cuja fórmula química é CO(NH2)2 é um fertilizante amídico perolado, granulado ou pastilhado.

Para se obter esse fertilizante, é preciso que haja uma sintetização em condições de temperatura e pressão elevadas, a partir da amônia e do gás carbônico, para que, ao final do processo, seja obtido um adubo com altas concentrações de nitrogênio.

Uma das principais vantagens da ureia como fertilizante é que ela tem uma boa concentração de nitrogênio: uma média de 45%, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Entretanto, o nitrogênio da ureia não está nas formas que as plantas conseguem absorver: a nítrica (NO3) ou amoniacal (NH4+). Por isso, a ureia agrícola precisa passar por transformações químicas para que ela seja eficiente como fertilizante.

Essas transformações são dependentes de parâmetros como umidade, pH e níveis de oxigênio do solo e, caso eles não estejam em condições ótimas, o nitrogênio da ureia pode ser perdido para a lixiviação e volatilização.

Assim, o agricultor precisa estar atento a isso na hora de utilizar a ureia agrícola ou recorrer a alternativas como a ureia revestida, que tem uma liberação mais gradual do nitrogênio e é menos sujeita à lixiviação.

Mas, quanto o agricultor brasileiro paga pela tonelada de ureia? O relatório ACERTO Weekly Fertilizer Report Brazil do dia 14 de outubro mostra que o preço da ureia no porto (CFR) sai por um valor entre U$ 780,00 e U$ 800,00 a tonelada.

Em reais, esse valor fica entre R$ 4.297,80 e R$ 4.408,00, na cotação do dia 14 de outubro.

3. Sulfato de Amônio

O sulfato de amônio, também conhecido como SAM, é um composto químico cuja fórmula é (NH4)2SO4. A forma mais comum de obtê-lo é misturando amônia e ácido sulfúrico. Entretanto, ele ocorre naturalmente em um mineral raro formado em fumarolas marinhas e como resultado da queima de carvão, a mascanhite.

Uma das vantagens do uso do sulfato de amônio como fertilizante é que ele contém dois importantes nutrientes para o desenvolvimento das plantas: o nitrogênio (20%, na forma amoniacal) e o enxofre (entre 22% e 24% na forma de enxofre sulfatado).

Outro ponto positivo do uso do sulfato de amônio no manejo agrícola é que o amônio (NH4+) e o enxofre sulfatado (SO42-) presentes nele fazem com que esses nutrientes estejam disponíveis mais rapidamente para as plantas.

Entretanto, o sulfato de amônio também tem suas limitações. Uma das principais é o seu alto índice de salinidade, que é de 69%. Assim, o seu uso pode aumentar a salinidade do solo, o que pode afetar o microbioma do solo e prejudicar o desenvolvimento das raízes das plantas.

Uma das formas de evitar isso é fazer o parcelamento da aplicação do sulfato de amônio, mas a longo prazo isso pode aumentar os custos de produção, já que são necessárias mais entradas na lavoura durante o ciclo produtivo, gerando mais gastos operacionais.

Outra limitação do uso sulfato de amônio como adubo é o seu alto potencial para acidificar o solo. Isso porque a transformação do amônio (NH4+) em nitrato (NO3) pelos microrganismos do solo acaba liberando íons de hidrogênio (H+) no solo.

Por fim, o enxofre sulfatado do sulfato de amônio tem uma alta mobilidade no perfil do solo, fazendo com que ele seja mais suscetível ao fenômeno da lixiviação.

E qual o preço do sulfato de amônio no Brasil? O relatório ACERTO Weekly Fertilizer Report Brazil do dia 14 de outubro aponta que o agricultor brasileiro paga entre U$ 385,00 e U$ 415,00 pela tonelada de sulfato de amônio no porto (CFR).

Isso representa, em reais, um valor entre R$ 2.121,35 e R$ 2.097,60, na cotação do dia 14 de outubro.

4. Fosfato Monoamônico 11-52 (MAP 11-52)

Também conhecido como MAP, o fosfato monoamônico é um fertilizante granulado universal de liberação rápida. Ele pode ser obtido por meio do tratamento da amônia com ácido fosfórico.Esquema da produção do fosfato monamônico (MAP), que também resulta na produção do fosfato diamônico (DAP)

Esquema da produção do fosfato monamônico (MAP), que também resulta na produção do fosfato diamônico (DAP) (Fonte: DIAS e LAJOLO, 2010).

Uma das vantagens desse fertilizante é que ele pode nutrir o solo com o fósforo e o nitrogênio, já que ele tem entre 10 e 12% de nitrogênio amoniacal e 50 a 54% de fósforo. Assim, o agricultor consegue fornecer ao solo esses dois importantes nutrientes com um único produto.

Entre as desvantagens do MAP, estão a sua acidez, o que faz com que seu uso seja limitado a solos neutros e básicos. Além disso, ele também tem um índice salino relativamente alto, de 34%, o que faz com que o seu uso requeira cuidados para não desequilibrar esse parâmetro no solo.

E o preço? Quanto o agricultor brasileiro paga pela tonelada do MAP 11-52? O relatório ACERTO Weekly Fertilizer Report Brazil do dia 14 de outubro indica que o preço no porto (CFR) da tonelada do fosfato monoamônico 11-52 varia de U$ 750,00 a U$ 780,00.

O valor em reais fica entre R$ 4.132,50 e R$ 4.297,80, na cotação do dia 14 de outubro.Preços dos principais fertilizantes utilizados no Brasil e a comparação com o valor pago no início do ano (Fonte: ACERTO Weekly Fertilizer Report Brazil 01/01/2021 e 14/10/2021)

Preços dos principais fertilizantes utilizados no Brasil e a comparação com o valor pago no início do ano (Fonte: ACERTO Weekly Fertilizer Report Brazil 01/01/2021 e 14/10/2021)

Analisando as suas opções, como o agricultor brasileiro pode ter um melhor custo-benefício na hora de comprar os insumos para o manejo agrícola?

Avaliar qual é o melhor fertilizante e investir em opções que fogem do convencional

Avaliar as vantagens e as limitações de cada tipo de fertilizante, bem como ter uma boa ideia das necessidades da sua propriedade é essencial para que o agricultor faça as melhores escolhas na hora de comprar fertilizantes para o manejo agrícola.

Além disso, um passo importante para economizar e ter um custo-benefício melhor é procurar por fontes diferentes das convencionais, incluindo fertilizantes nacionais, que são menos sujeitos às instabilidades socioeconômicas internacionais que podem influenciar no preço dos fertilizantes importados.