Novas maneiras de desenvolver produtos é a chave para uma agricultura mais sustentável

Encontrar formas alternativas e sustentáveis de produção já é um requisito para diversos segmentos do mercado, incluindo produtos de nutrição vegetal. Com fontes finitas de recursos e a grande demanda principalmente de macronutrientes pelas culturas, cada vez mais pesquisas estão sendo desenvolvidas visando otimizar os resultados dos insumos já utilizados e encontrar fontes alternativas e sustentáveis de nutrientes.

Entenda mais sobre os principais desafios das fontes convencionais de nutrição vegetal e alguns dos resultados promissores obtidos no campo das pesquisas.

As fontes convencionais de nutrição vegetal e seus principais desafios

Dentre os principais nutrientes utilizados nos programas de nutrição vegetal, os macronutrientes se destacam pelas maiores quantidades demandadas pelas plantas.

De forma análoga, maiores quantidades de produtos são necessárias para atender essa exigência nutricional e com isso os macronutrientes acabam sendo o enfoque de muitas pesquisas em busca de produtos alternativos e sustentáveis.

Mas é válido ressaltar que até mesmo os micronutrientes são essenciais para o crescimento e desenvolvimento pleno das plantas. E o desequilíbrio nutricional é o que muitas vezes leva às limitações de produtividade das culturas.

A Lei de Liebig, também conhecida por Lei dos Mínimos, estabelece que o desenvolvimento de uma planta será limitado pelo nutriente disponível em menor quantidade, mesmo que todos os outros elementos ou fatores estejam presentes.

A Lei de Liebig, também conhecida por Lei dos Mínimos, estabelece que o desenvolvimento de uma planta será limitado pelo nutriente disponível em menor quantidade, mesmo que todos os outros elementos ou fatores estejam presentes.

Os macronutrientes são divididos em dois grupos principais: primários e secundários. O grupo dos macronutrientes primários é composto pelo:

  • Nitrogênio (N);
  • Fósforo (P);
  • Potássio (K).

Já o grupo dos macronutrientes secundários é reúne os seguintes elementos:

  • Cálcio (Ca);
  • Magnésio (Mg);
  • Enxofre (S).

Ainda assim, para os três nutrientes primários são necessários concentrações maiores do que o total do restante dos macronutrientes juntos. Então, para suprir essa demanda nutricional, na agricultura as fontes de nutrientes mais convencionais utilizadas são os fertilizantes, e em especial aqueles com origem mineral.

Para adubação nitrogenada, os principais fertilizantes utilizados são:

Dentre as limitações que permeiam as fontes nitrogenadas destacam-se as perdas pelos processos de lixiviação e volatilização. Essas perdas acontecem principalmente por grande parte dessas fontes serem muito solúveis e sofrerem uma rápida disponibilização no solo, além da liberação da amônia (NH3) pela ação dos microrganismos, que é altamente volátil.

Para a adubação fosfatada, estão inclusos fertilizantes como:

Algumas fontes fosfatadas, além de apresentarem vulnerabilidade a sofrer perdas por lixiviação, tendem a acidificar o solo, como é o caso do superfosfato simples. Um solo mais ácido pode apresentar uma menor disponibilidade de alguns nutrientes (especialmente fósforo e molibdênio) e maiores níveis de toxidez por alumínio e manganês.

Por fim, entre os fertilizantes potássicos mais utilizados encontram-se:

Além de serem ainda muito dependentes da variação de preços do mercado externo, grande parte delas podem apresentar um elevado potencial para salinização e esterilização do solo, como o caso do cloreto de potássio.

E os danos não ficam limitados somente aos efeitos negativos desses fertilizantes no solo, mas como também relacionados ao processo produtivo. Grande parte dos fertilizantes que passam por tratamentos químicos, podem gerar rejeitos que possuem potencial danoso para o meio ambiente se não tiverem a destinação e tratamento adequados.

Buscando alternativas mais sustentáveis, algumas pesquisas já evidenciam alguns produtos com potencial para a agricultura brasileira.

Fontes de nutrientes alternativas e sustentáveis apresentam resultados promissores

As pesquisas envolvendo fontes de nutrientes alternativas e sustentáveis vem buscando encontrar soluções para a substituição parcial ou total dos fertilizantes convencionais ou ainda encontrar mecanismos que otimizem a ação desses insumos e reduzam o seu uso

Quanto ao nitrogênio, uma das principais linhas de pesquisa envolve os microrganismos fixadores de nitrogênio. Segundo a Embrapa, estima-se que esses microrganismos na agricultura tenham uma contribuição mundial de 60 milhões de toneladas de nitrogênio por ano.

Para culturas como soja e feijão, é verificado um aumento da nodulação e da produtividade em grãos por hectares quando na presença de rizóbios, bactérias presentes no solo que tem a capacidade de converter o nitrogênio atmosférico em formas absorvidas pela planta.

Esses resultados foram comprovados nos estudos:

  • Nodulação e rendimento de soja co-infectada com Bacillus subtilis e Bradyrhizobium japonicum / Bradyrhizobium elkanii, pelos os pesquisadores Fábio Fernando de Araújo e Mariangela Hungria.
  • Fixação biológica de nitrogênio em cultivares de feijão‑caupi recomendadas para o Estado de Roraima, pelos pesquisadores Shirlany Ribeiro de Melo e Jerri Édson Zilli;

E os benefícios dos microrganismos para a qualidade do solo vão muito além da fixação de nitrogênio no solo, como explica a Doutora em Microbiologia Aplicada e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Dra. Márcia Maria Rosa Magri:

Já a matéria Where there’s waste there’s fertilizer, publicada no site da Soil Science Society of America, traz uma pesquisa realizada pela faculdade Tel-Hai e pelo MIGAL – Instituto de Pesquisas da Galileia, em Israel, que descobriu como produzir um fertilizante fonte de fósforo a partir de águas residuais de laticínios.

O que os cientistas fizeram foi misturar  água usada para a lavagem dos úberes das vacas, que contém altos níveis de fósforo por causa dos detergentes misturados a ela, ao resíduo resultante de processos de tratamento de água potável, que é rico em alumínio. A interação entre os dois elementos resultou em uma substância rica em fósforo que teve ação semelhante à dos fertilizantes tradicionalmente usados na indústria agrícola.

E até mesmo matérias-primas mais convencionais, como as rochas, podem ser alternativas muito viáveis para a produção de fertilizante. É o caso do Siltito Glauconítico, uma rocha explorada pela Verde na região de São Gotardo, em Minas Gerais.

O Siltito Glauconítico é uma rocha sedimentar rica em minerais potássicos que, segundo o estudo Glauconitic Siltstone as a multi-nutrient fertilizer for Urochloa brizantha cv, Marandú, apresenta um teor de potássio que varia entre 7% a 14%.

Uma das vantagens em relação às demais rochas exploradas para produção de fertilizantes, está no fato do seu processamento envolver apenas a moagem mecânica do material, não gerando a necessidade da criação de uma barragem de rejeitos e ainda não exigir uma escavação profunda, o que traz mais sustentabilidade ambiental.

Além disso, o Siltito Glauconítico é rico em glauconita, mineral utilizado como fertilizante nos Estados Unidos desde 1760, onde é chamada de Greensand devido à sua cor esverdeada. Seu uso foi muito difundido por conta dos diversos benefícios que apresenta, como:

  • Aumento da capacidade de retenção de água e nutrientes do solo;
  • Redução de perdas de nitrogênio;
  • Preservação de microrganismos no solo.

Com tantos benefícios das novas fontes alternativas e sustentáveis de nutrição vegetal, qual o futuro do setor?

O futuro da nutrição vegetal

A nutrição vegetal tem um papel essencial para garantir uma agricultura mais sustentável. Segundo Eurípedes Malavolta, em seu estudo O futuro da nutrição de plantas tendo em vista aspectos agronômicos, econômicos e ambientais, o papel positivo da nutrição mineral no manejo de nutrientes pode conseguir:

  1. Redução do impacto da agricultura na mudança climática via diminuição na emissão de gases de efeito estufa (GEE);
  2. Aumento na produtividade das culturas e pastagens e, assim, diminuir a necessidade de desflorestamento e de drenagem de áreas úmidas, reduzindo a emissão de óxidos de nitrogênio dos adubos minerais e orgânicos;
  3. Aumento no sequestro de carbono através de várias práticas, como plantio direto e melhoria da estrutura do solo com a elevação do teor de matéria orgânica.

Para isso, cada vez mais o agricultor poderá contar com uma maior acessibilidade de informações com a crescente expansão da agricultura digital e com cada vez mais alternativas sustentáveis para nutrição das suas culturas, como o Siltito Glauconítico.

Gostou deste assunto? Veja como o Sr. Daniel Birk, produtor de café no município de Monte Carmelo, em Minas Gerais. já está utilizando uma dessas novas fontes de nutrição.

Leia em : Cafeicultor de Monte Carmelo-MG fala sobre os benefícios do K Forte®

 

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