Como o excesso de cloro pode prejudicar a rentabilidade, a qualidade e a produtividade da cultura da cana

Como o excesso de cloro pode prejudicar a rentabilidade, a qualidade e a produtividade da cultura da cana

O uso de fertilizantes potássicos com altos teores de cloro, como o Cloreto de Potássio (KCl), é uma prática recorrente no manejo nutricional da cultura da cana. Porém, o excesso de cloro pode causar efeitos indesejados no solo e nas plantas que podem prejudicar a rentabilidade e a produtividade do seu agronegócio.

Os efeitos do cloro no agroecossistema

O cloro é um micronutriente responsável por atuar em alguns processos essenciais para o crescimento e desenvolvimento da planta. Entretanto, as situações de toxidez acabam sendo muito mais recorrentes que as de deficiência nutricional.

Isso acontece porque o cloro é exigido em pequenas quantidades pelas plantas e no Brasil é comum a utilização de fertilizantes com altas concentrações de cloro, como o Cloreto de Potássio (KCl).

De acordo com o Ministério da Economia, o país importou mais de 10 milhões de toneladas de Cloreto de Potássio somente em 2019. Considerando que o KCl é composto por cerca de 47% de cloro, é possível concluir que foram aplicados quase 5 milhões de toneladas de cloro advindos somente desse fertilizante potássico.

A aplicação desse grande volume de cloro leva a uma influência negativa no solo, nas plantas e pode reduzir a eficiência de outros insumos agrícolas, como os produtos biológicos. Estudos apontam que aplicar 200kg de KCl é equivalente a despejar 1600 litros de água sanitária no solo.

No solo, o cloro tem potencial para causar a compactação e ainda reduzir as populações de microrganismos benéficos. Os principais impactos negativos da compactação são sentidos no sistema radicular das culturas e redução da microbiota do solo, ocasionando perda de diversas interações estabelecidas entre as plantas e microrganismos.

 

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Os microrganismos são importantes para o desenvolvimento das plantas.

Quais são os efeitos negativos diretos e indiretos do cloro na cultura da cana?

Como o excesso de cloro pode afetar a cultura da cana

Os primeiros impactos negativos do excesso de cloro na cana estão diretamente relacionados aos efeitos desse elemento no solo: a compactação e a redução da população de microrganismos.

No estudo Stabilization of Expansive Soil Using Potassium Chloride, pesquisadores indianos verificaram que o excesso de cloreto diminui a umidade e aumenta a compactação do solo. E como a cana apresenta cerca de 85% do seu sistema radicular concentrado em até 50cm de profundidade, ela é muito afetada por esse fenômeno.

Trincheira expondo o sistema radicular da cana-de-açúcar.Trincheira expondo o sistema radicular da cana-de-açúcar. (Fonte: SÁ, M. A. C. – Embrapa Cerrados)

Além disso, o efeito biocida que o cloro apresenta leva à perda dos diversos benefícios que poderiam ser obtidos com as interações estabelecidas com os microrganismos.

Os pesquisadores da Embrapa identificaram o potencial de 5 bactérias diazotróficas para substituir 100% da adubação nitrogenada no primeiro ano de cultivo da cana-de-açúcar, no boletim Eficiência agronômica do inoculante de cana-de-açúcar aplicado em três ensaios conduzidos no Estado do Rio de Janeiro durante o primeiro ano de cultivo.

E não são somente com esses 5 microrganismos que a cultura interage. No artigo Unlocking the bacterial and fungal communities assemblages of sugarcane microbiome os pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram em único exemplar de cana-de-açúcar 23.811 tipos de bactérias e 11.727 grupos diferentes de fungos.

Outros problemas que o excesso de cloro pode gerar para a cultura da cana, estão relacionados a absorção desse elemento pela planta. Isso pode comprometer não apenas a produtividade da cultura, mas também a qualidade dos colmos e até mesmo diminuindo a vida útil do maquinário agrícola, como explica o Gerente Técnico da Verde, Rodrigo Mac Leod:

 

No estudo Nutrição potássica em soqueira de cana-de-açúcar colhida sem queima, o pesquisador Hilário Júnior de Almeida identificou que a toxidez do cloro pode ser um fator limitante no crescimento e na produtividade de colmos da cana-de-açúcar.

O excesso de cloro também tem potencial para reduzir o perfilhamento, processo que leva a emissão dos ramos laterais e formação da touceira da cana.

Um estudo feito pela Verde em parceria com a Delta Sucroenergia, mostrou que o uso de Cloreto de Potássio em comparação com outra fonte livre de cloro reduziu o perfilhamento da cana-soca em 11,56%.

Considerando que o excesso de cloro tem potencial para reduzir a produtividade, qualidade e rentabilidade da cultura da cana, como evitar seu uso excessivo no sistema de cultivo?

Evitando o uso excessivo de cloro no sistema de cultivo

Para evitar o uso excessivo de cloro no sistema de cultivo é preciso encontrar alternativas para a sua principal origem: os fertilizantes potássicos com altas concentrações de cloro, como o Cloreto de Potássio (KCl).

É essencial que o agricultor esteja atento às formulações dos fertilizantes introduzidos na sua lavoura e busque por alternativas que tenham sua eficiência agronômica comprovada, como os fertilizantes produzidos a partir do Siltito Glauconítico.

São fertilizantes como o BAKS®, o K Forte® e o Silício Forte que, além de serem uma fonte potássica multinutriente de liberação progressiva, apresentam silício em sua composição.
O silício é um elemento benéfico que já demonstrou diversos benefícios em estudos, incluindo o incremento de produtividade da cultura da cana.

Dessa forma, o agricultor garante a aplicação de uma fonte de potássio que vai mitigar os efeitos do excesso de cloro na cultura da cana e que ainda pode potencializar a produtividade da sua lavoura.