Entenda Como O Conflito Entre Rússia E Ucrânia Afeta A Agricultura Brasileira

Entenda como o conflito entre Rússia e Ucrânia afeta a agricultura brasileira

A agricultura é um dos setores mais importantes da economia brasileira, representando um quarto do PIB do país. Além disso, o agro também é um dos setores mais globalizados da economia nacional. E por isso o conflito entre Rússia e Ucrânia pode trazer muitos impactos para a agricultura do Brasil, incluindo o risco de falta de fertilizantes e, em consequência, de alimentos. Entenda como a situação entre Rússia e Ucrânia afeta a agricultura brasileira!

O conflito entre Rússia e Ucrânia e seus impactos na agricultura do Brasil

O conflito no Leste Europeu teve início em 24 de fevereiro de 2022 com grandes impactos na economia mundial. O dólar, por exemplo, apresentou alta na taxa cambial e as bolsas de valores despencaram ao redor do mundo. Além disso, os reflexos desse conflito podem ser grandes na agricultura brasileira.

Nos últimos dias, pode-se observar que os preços globais de commodities importantes dispararam. O preço do petróleo, por exemplo, subiu para acima dos U$ 100 por barril, um patamar que não era visto desde 2014. Commodities mais especificamente agrícolas, como o trigo, também tiveram altas.

Os impactos disso no agronegócio brasileiro começam, por exemplo, com a alta do preço dos combustíveis. Isso prejudica não somente a logística de transportes internas no país, como também pode ter reflexo nos preços de fretes internacionais de insumos utilizados na agricultura brasileira.

Já a alta nas commodities como a do trigo pode afetar as relações de troca e encarecer os preços dos alimentos para o consumidor final, além de desestabilizar o mercado internacional, já que tanto a Rússia quanto a Ucrânia são grandes exportadoras de trigo.

Mas, existe outra questão que pode ter graves consequências para o agro brasileiro, incluindo a possibilidade de falta de alimentos: os fertilizantes. A Rússia por exemplo, suspendeu a exportação desses insumos. Mas, como isso afeta o Brasil?

O risco da falta de fertilizantes

A Rússia é um dos grandes players do mercado de fertilizantes, em especial do potássio. O gigante do Leste Europeu, juntamente com a Bielorrúsia e o Canadá, controla cerca de 80% do comércio mundial desse fertilizante que é extremamente importante para a agricultura do Brasil.

Só em 2021, de janeiro a novembro, a Rússia foi responsável por 29% das importações de potássio sob a forma de Cloreto de Potássio (KCl) para o Brasil. As informações são de um relatório da StoneX, empresa de inteligência de mercado. Dados consolidados do governo federal brasileiro mostram que de janeiro a dezembro esse percentual foi ainda maior, totalizando pouco mais de 33%.

Nos últimos dias, o governo russo informou, através do seu Ministério da Indústria e do Comércio, a suspensão das exportações de fertilizantes. De acordo com o órgão, a medida se deu por questões logísticas.

Ainda de acordo com o governo russo, a recomendação para que os produtores de fertilizantes do país parem a exportação de fertilizantes deve ser mantida até que haja garantias de que o transporte dos produtos possa ser regularizado.

A medida é relacionada às sanções econômicas e de outra natureza, como o fechamento do espaço aéreo a voos, que países como os Estados Unidos têm aplicado à Rússia. Essas restrições acabam afetando o fluxo de escoamento dos fertilizantes.

O governo brasileiro, através da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que o Brasil não está na lista de países aos quais a Rússia vetou a exportação de fertilizantes. Entretanto, as dificuldades logísticas devem inviabilizar o transporte dos insumos enquanto durar o conflito.

Outro fator que pode impactar o mercado de fertilizantes é que a Rússia também é um grande fornecedor de gás natural para a Europa. Assim, o conflito pode aumentar o preço e até mesmo ocasionar a falta desse combustível, o que teria repercussão nas indústrias produtoras de outros tipos de fertilizantes e desestabilizar ainda mais o mercado.

Há ainda mais um ponto a ser considerado nessa questão, que é a Bielorrússia. O país também figura entre os maiores produtores e exportadores de potássio do mundo e é um dos aliados da Rússia no conflito contra a Ucrânia.

Além disso, a Bielorrússia tem enfrentado uma série de crises provocadas pelas ações do atual presidente, Aleksandr Lukashenko, que intensificaram a crise migratória na fronteira com a Polônia.

A resposta dos Estados Unidos e da União Europeia foi a ampliação de sanções que afetam a BPC, a empresa estatal de exploração de potássio bielorrussa.

Tais sanções têm o potencial de tensionar ainda mais o mercado de potássio e já há relatos da suspensão do fornecimento de potássio vindo da Bielorrússia, devido ao fechamento das fronteiras da Lituânia, país da União Europeia que é uma das principais rotas de escoamento do potássio bielorrusso.

Para o diretor de Fertilizantes da StoneX, Marcelo Mello “é uma situação séria. Há risco concreto de desabastecimento, se a sanção realmente interromper o fluxo bielorrusso de exportação, porque o volume é muito grande. Cerca de 20% do Cloreto de Potássio importado do Brasil vem da Bielorrússia”, analisou Mello.

Mas, por que essas crises podem ter tanto impacto no agronegócio brasileiro?

O problema da dependência externa de fertilizantes

Os acontecimentos recentes e as suas repercussões deixam exposta a fragilidade do agronegócio brasileiro quando o assunto são os fertilizantes.

E, nesse cenário, há um destaque para o potássio. A maior parte do potássio utilizado na atividade agrícola do Brasil é sob a forma de Cloreto de Potássio (KCl) e, atualmente, o país importa 98% do KCl de nações como a Rússia, a Bielorrússia, o Canadá, e a China.

Além da própria questão da globalização do agronegócio, a dependência do Brasil de outros países para importar fertilizantes, em especial o potássio, é um fator que deixa o agronegócio vulnerável.

Mesmo antes do conflito entre Rússia e Ucrânia, ainda em 2021, vários outros acontecimentos envolvendo esses players se encadearam para formar uma “tempestade perfeita”.

Essa tempestade resultou na escalada dos preços dos fertilizantes o que deve ter ainda impactos nos preços de 2022, agravados pela guerra no Leste Europeu.

No Canadá, por exemplo, duas importantes plantas de produção de potássio anunciaram um fechamento repentino, o que também desestabilizou o mercado e reduziu ainda mais as opções de importação brasileiras, restando a China e a Rússia.

Na Rússia, além da questão com a Ucrânia que pode ameaçar o fornecimento de potássio para outros países, há a tendência da própria nação russa de limitar as exportações de fertilizantes. Cenário semelhante se projeta na China, que passa por uma crise energética e tem optado por fortalecer o mercado interno.

Além disso, as instabilidades no mercado internacional podem gerar problemas de logística que têm potencial para afetar o fornecimento de potássio ao Brasil. Mas, o que fazer diante disso?

Aumentar a oferta de potássio brasileiro é imperativo

Diante de tal cenário, é imperativo que o Brasil fortaleça o mercado interno de fertilizantes, aumentando a oferta de potássio nacional. E novas fontes de potássio são a chave para isso.

Um exemplo são os fertilizantes potássicos que a Verde Agritech desenvolve utilizando tecnologias de alta performance aliadas à natureza, a partir de uma matéria-prima nacional, produzidos em São Gotardo – MG.

“Usamos há muitos anos o Cloreto de Potássio, sem buscar novas alternativas. Temos o nosso potássio aqui e ele vai proporcionar muitos benefícios para o solo”, comenta o Dr. Alysson Paolinelli, conhecido como Pai da Agricultura Tropical e um dos nomes mais importantes do agronegócio brasileiro.

O Dr. Alysson Paolinelli faz parte do conselho da diretoria da Verde Agritech e teve um papel importante na definição das ações da empresa:

“Não há razão para que o Brasil continue a importar essa quantidade de fertilizante para o nosso solo. O Brasil tem reservas. Pude, lá dentro do conselho, ajudar para que a empresa tomasse esse rumo e mostrei exatamente aos seus dirigentes quais são as possibilidades brasileiras do uso de produtos naturais, como é o caso do que a Verde Agritech oferece.”

O potássio nacional também é uma aposta de agricultores de destaque no agronegócio brasileiro.

É o caso de Laercio Dalla Vecchia, Campeão Nacional de Produtividade do CESB 2020 e que utiliza o K Forte®, um dos fertilizantes produzidos pela Verde Agritech. Laercio comenta sobre a importância de utilizar o potássio brasileiro e que beneficie o solo:

“Nós temos em nosso solo milhões de seres vivos trabalhando ao nosso favor. Então, cabe a nós cuidar deles, preservar eles. Se a natureza trabalha ao nosso favor, não tem por que nós irmos contra. E, além do mais, a maioria, ou total, do nosso Cloreto de Potássio vem de longe. E o K Forte® é um produto inteiramente nacional, produzido aqui no Brasil e com vários benefícios. Então é super bom!”

 

Laercio Dalla Vecchia conta sobre o uso do K Forte® e a importância de valorizar o potássio nacional.

Valorizar e fortalecer o agronegócio brasileiro é a saída

A globalização do agronegócio e a dependência do Brasil de países fornecedores de fertilizantes são fatores que fragilizam o setor e, em momentos de crise, como o conflito entre Rússia e Ucrânia, faz com que haja perigo inclusive de falta de alimentos.

Assim, promover a redução da dependência externa em tempos de incertezas e instabilidades que elevam os custos e procurar soluções que beneficiem o solo, potencializando ainda mais a agricultura brasileira, é valorizar e fortalecer o agronegócio do Brasil, tornando-o ainda mais gigante no cenário mundial.

Compartilhe esta publicação