Saiba como superar os desafios e conheça as oportunidades da citricultura brasileira

Saiba como superar os desafios e conheça as oportunidades da citricultura brasileira

A citricultura brasileira é uma das cadeias produtivas agrícolas mundiais de maior destaque, sendo responsável por mais de um terço da produção mundial de laranjas e mais da metade da produção de suco concentrado. Mas, com o passar das décadas, esse cenário começou a mudar com o surgimento de novos desafios e oportunidades para o setor.

Para falar sobre o assunto, a Verde convidou a Doutora em Agronomia/Fitotecnia e Professora Adjunta do Departamento de Agricultura (DAG) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Dra. Ana Claudia Costa, para o “Encontro com Gigantes – A nova citricultura: desafios e oportunidades”.

O evento foi promovido pela Verde, empresa que produz os fertilizantes BAKS®, K Forte®, K Forte Boro e Silício Forte, no dia 16 de setembro de 2021.

Você pode conferir a conversa, mediada por Luiz Antônio, na íntegra pelo link:

 

Qual a importância da citricultura no Brasil?

O Brasil é o maior produtor mundial de laranjas e o segundo maior produtor mundial de limão ‘Tahiti’, duas frutas que englobam os 5 principais grupos de citros produzidos no país:

  1. Laranjas doces;
  2. Tangerinas e mexericas;
  3. Limas ácidas;
  4. Limões verdadeiros;
  5. Outros grupos: pomelos, toranjas, cidras.

Os citros são um grupo de plantas que contemplam os diversos gêneros cultivados na citricultura, como citrus, fortunella, poncirus, entre outros. Ou seja, apesar do Brasil ser o maior produtor mundial de laranjas, ele não é o maior produtor de citros, já que os citros englobam outros grupos de plantas.

No país, Dra. Ana Claudia destaca São Paulo como a principal região produtora:

“O cinturão citrícola do estado de São Paulo é a maior região produtora de laranjas do Brasil e engloba várias cidades do interior de São Paulo e algumas cidades do triângulo mineiro. Nelas, os agricultores empregam um alto nível tecnológico para produção de laranjas, que serão destinadas principalmente para produção de suco.”

Segundo o último censo agropecuário divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu quase 16 milhões de toneladas de laranja em cerca de aproximadamente 520 mil hectares.Produção média de laranja por estados entre os anos de 2016-2018.

Produção média de laranja por estados entre os anos de 2016-2018. (Fonte: SEPLAG/DEPLAN, 2020)

Além do grande impacto econômico que a atividade proporciona, que em 2020 movimentou 1,4 bilhão de dólares só com a exportação de suco de laranja de acordo com o relatório Comex Stat, a professora Ana Claudia ressaltou o impacto social da citricultura:

“Tanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista econômico, a citricultura é uma das cadeias produtivas agrícolas brasileira mais importantes, gerando milhões de empregos diretamente e indiretamente no mundo todo.”

Mas, para alcançar todo esse impacto social e econômico, como funciona um sistema produtivo de citros?

Os sistemas de produção de plantas cítricas

As plantas cítricas englobam uma variedade muito grande de frutas, com uma variabilidade genética também muito grande, o que permite atender a uma ampla gama de preferências dos consumidores.

A Dra. Ana Claudia exemplificou dizendo que, enquanto as laranjas de baixa acidez vão agradar mais as crianças e idosos devido ao sabor mais insípido das frutas, as laranjas sanguíneas terão preferência no mercado de bebidas, pela presença de um suco mais azedo.

Já dentro dos grupos das laranjas tradicionais, a que ganha maior destaque é a laranja pera, também conhecida por laranja pera rio. Isso acontece porque ela é altamente produtiva e produz um alto rendimento de suco de boa qualidade, geralmente acima de 52%.

Para cultivar essas diferentes variedades, os agricultores usam um método de propagação assexuada, conhecido como enxertia. A professora Ana Claudia explicou que uma planta cítrica formada através desse método de propagação permite associar em um único indivíduo dois materiais genéticos diferentes com características distintas.

Esses dois materiais genéticos correspondem à copa e a um porta-enxerto da planta. Enquanto o porta enxerto irá formar a base e o sistema radicular, a copa vai formar a parte aérea da planta e será a parte que de fato vai produzir os frutos.

Apesar da capacidade produtiva de uma planta cítrica depender da combinação copa e porta-enxerto escolhida pelo agricultor, esse método de propagação permite combinar diferentes características desejáveis, como explicou a Dra. Ana Claudia:

“O principal porta-enxerto utilizado no Brasil é o limoeiro “cravo”, por ser bastante rústico, com um sistema radicular vigoroso que é bastante tolerante ao déficit hídrico. E isso é bem interessante já que a maioria dos nossos pomares não são irrigados. Mas ele vem sendo substituído por outros porta-enxertos, como a tangerina “Sunki Tropical” e os Citrandarins.”

 

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Além dos porta-enxertos, também existem nutrientes capazes de amenizar os efeitos negativos do clima.

A criação dessas diferentes variedades, aliada ao avanço das tecnologias, trouxe uma tendência de redução dos espaçamentos de plantio das lavouras citrícolas. No Brasil, a densidade populacional dos pomares passou de 339 para 607 plantas por hectares entre de 1960 a 2018.

A professora Ana Claudia explicou que esse aumento da densidade de plantio contribuiu para o aumento da produtividade, apesar da redução da área plantada em decorrência de um dos maiores desafio enfrentado pela citricultura mundial: o greening.

Os desafios enfrentados pelos citricultores

O greening, também conhecido como Huanglonbing, HLB ou ainda amarelão dos citros, é um dos principais desafios enfrentados pela citricultura mundial.

Ele tem levado muitos agricultores a abandonar a atividade, devido ao aumento dos custos de produção para o controle da doença.

Segundo a Dra. Ana Claudia, no Brasil essa doença acomete cerca de 20% dos pomares. Diferentemente de outras doenças, ainda não existe um método de controle efetivo do greening e ele depende de uma ação conjunta da comunidade local:

“O manejo adequado do greening exige que todos os citricultores da região façam o controle do psilídeo, o vetor da doença, e removam as plantas sintomáticas. Se isso não for feito por todos, dificilmente um produtor sozinho terá sucesso no manejo do seu pomar.”

Isso acontece porque uma única planta doente no pomar contaminada com a bactéria serve de inóculo de transmissão para várias outras plantas. O indicativo da presença da doença são alguns sintomas visuais como:

  • Mosqueamento assimétrico nas folhas;
  • Eixo central da fruta (columela) torta;
  • Brotamentos amarelados (cloróticos);
  • Frutos pequenos.

Além dos desafios associados ao sistema produtivo, a professora Ana Claudia destaca a crescente tendência de substituição de sucos por outras bebidas, pela diversificação da dieta dos consumidores.

Nesse cenário, quais são as perspectivas do setor?

As novas oportunidades da citricultura

A Dra. Ana Claudia acredita que uma das formas de se conviver com os atuais desafios da citricultura brasileira, é investindo na diversificação das variedades dos pomares de acordo com as tendências do mercado externo.

Essa diversificação também deve chegar ao nível da escolha dos porta-enxertos e das variedades copa, para evitar grandes impactos na produção com o surgimento de novos problemas fitossanitários. E a Dra. Ana Claudia concluiu:

“Acredito que, hoje, com as ações do Fundecitrus e o auxílio das pesquisas, é possível conviver com o greening. Mesmo ele ainda sendo um desafio, é possível conviver com ele quando todos os citricultores da região se unem para manejar corretamente a doença.”

Para entender mais sobre os desafios e oportunidades da citricultura, confira o vídeo do Encontro com Gigantes na íntegra!

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