01-12-2020_Manejo integrado de doenças da soja aumenta a produtividade e rentabilidade da lavoura

Manejo integrado de doenças da soja aumenta a produtividade e rentabilidade da lavoura

As doenças que atingem a cultura da soja podem fazer com que a lavoura perca produtividade e rentabilidade. Mas como evitar esses problemas?

Realizar um planejamento do manejo integrado das doenças que atingem a soja é muito importante para que os níveis de produção continuem altos, mas para isso é preciso pensar uma série de passos.

Para falar sobre esse assunto, a Doutora em Fitopatologia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), sócia-proprietária e pesquisadora da PlantCare, Dra. Simone Brand participou do “Encontro com Gigantes – Manejo integrado de doenças na cultura da soja”.

O evento foi promovido pela Verde, empresa que produz os fertilizantes multinutrientes Silício Forte, K Forte®, K Forte Boro e BAKS, no dia 26 de novembro de 2020.

Você pode conferir a conversa, mediada por Rodrigo MacLeod, na íntegra pelo link:

Quatro passos principais para realizar um bom manejo integrado das doenças da soja

A soja é uma das culturas mais importantes do agronegócio brasileiro, com o país atualmente sendo o maior produtor de soja do mundo, conseguindo passar à frente de outro gigante desse mercado, os Estados Unidos.

Entretanto, lidar com as doenças e pragas é fundamental para manter esses altos níveis de produtividade e isso exige planejamento. A Dra. Simone Brand, Doutora em Fitopatologia pela ESALQ/USP, destaca que um bom planejamento exige quatro passos principais:

  1. Conhecimento do perfil químico, físico e biológico do solo;
  2. Conhecimento do material genético tanto das plantas da lavoura quanto de possíveis pragas, como nematoides;
  3. Tratamento de sementes;
  4. Manejo cultural, através da cobertura de solo e da rotação de culturas.

Cada um desses passos tem as suas especificidades de acordo com o local onde se encontra a lavoura e entender bem essas particularidades é fundamental para que o controle das pragas da soja seja bem-sucedido.

A Dra. Simone cita, por exemplo, a questão do manejo cultural. A cobertura de solo ajuda a diminuir respingos que podem espalhar agentes patológicos para áreas superiores da planta, mas é preciso analisar qual tipo de cobertura vai se adequar melhor ao agente que atinge a plantação.

Outro exemplo citado pela pesquisadora é em relação à rotação de culturas. Segundo a Dra. Simone, muitas vezes o intervalo que o produtor faz entre uma safra e outra de soja, com outra cultura, não é suficiente para eliminar os agentes patológicos:

“Nós não temos, via de regra no Brasil, sistemas estabelecidos de rotação de culturas. Nós não temos um tempo para que o resto do inóculo seja degradado antes que o próximo ciclo da cultura seja implantado. O período de uma safra de milho entre uma safra de soja e outro, por exemplo, não é o suficiente para eliminar o inóculo de algumas doenças. É preciso pelo menos dois anos. Existe a questão econômica, o produtor pensa ‘eu não vou deixar de plantar uma soja, que é rentável’, mas às vezes é preciso.”

Além disso, respeitar práticas como o vazio sanitário, quando não há nenhum tipo de plantação de soja, ajuda a evitar a contaminação por agentes altamente contaminantes que viajam pelo ar, como os inóculos da ferrugem asiática.

Mas e quando ocorre a infecção? É preciso utilizar outras estratégias, como o controle químico.

Controle químico: quando realizar e os cuidados necessários

Uma ferramenta importante no manejo e controle de pragas da soja são os agentes químicos utilizados para eliminar os agentes patológicos. A Dra. Simone explica que eles não devem ser utilizados para aumentar a produtividade e sim preservá-la em caso de necessidade.

Por isso, é preciso que os outros passos do manejo integrado, como o conhecimento do material genético das plantas e das doenças e o tratamento das sementes seja bem realizado.

Este último é de suma importância, já que, dependendo do caso, uma quantidade baixa de sementes infectadas com agentes patológicos pode levar a doença para uma grande quantidade de plantas, especialmente no caso dos fungos. A Dra. Simone também ressalta que:

“No mercado a gente tem boas opções de controle, mas mais voltadas para pragas, não tanto para fungos. E sempre que possível é melhor dar preferência para o tratamento industrial das sementes, porque ele tem mais uniformidade e não corre o risco de ter subdoses ou hiperdoses nas sementes.”

O conhecimento do material genético também é importante, já que ele está ligado diretamente à eficiência dos produtos utilizados no controle das pragas e doenças. Nessa área, é preciso avaliar parâmetros como mutações e resistências. Sobre as mutações, a Dra. Simone explica:

“Sempre que a gente pensa em controle químico, a gente pode pensar no fungo como uma fechadura. O defensivo vai ser a chave. Quando a gente tem uma mutação, a fechadura muda e o fungicida, a chave, não vai conseguir atuar.”

Por isso, é preciso sempre estar atento e fazendo análises para entender o perfil genético da praga que atinge a lavoura e adaptar o controle. O mesmo se aplica às pragas que têm resistência.

Segundo a Dra. Simone, em uma população de indivíduos, sempre há aqueles que são resistentes aos produtos utilizados e estes irão sobreviver à aplicação, se reproduzindo e tornando o tratamento inútil. Para diminuir esse efeito, é preciso variar os mecanismos de controle, fazer associações de produtos, etc.

Além disso, é preciso planejar o melhor momento de aplicar o agente químico, já que cada um vai agir em uma etapa do desenvolvimento do patógeno. Outro passo importante é combinar esse tipo de controle com outras estratégias.

Entre essas estratégias, está a nutrição adequada da lavoura de soja.

O papel dos nutrientes no aumento das defesas da lavoura de soja

O uso dos controles químicos é importante para combater a ação de patógenos já instalados na lavoura, assim como prevenir que eles consigam infectar as plantas em alguns casos. Entretanto, quando se fala de prevenção, é importante pensar também na nutrição, especialmente a com micronutrientes.

A Dra. Simone avalia que a nutrição em termos de micronutrientes ainda não está bem consolidada como prática na agricultura brasileira. Entretanto, ela ressalta que ela é importante para evitar que as pragas e doenças se instalem na lavoura.

Outro ponto destacado pela pesquisadora é que muitas vezes não há um equilíbrio na nutrição, com foco em nutrientes como o nitrogênio, potássio e o fósforo e o desbalanceamento dos outros:

“Equilíbrio é muito importante. Nós quando estamos bem nutridos, descansados, uma gripe não nos pega muito fácil. Assim também é com a planta. Com uma planta bem nutrida, não vai haver o impedimento da penetração dos patógenos, mas vai dificultar e atenuar.”

Nesse ponto, o silício, que não é nem um macronutriente nem um micronutriente, mas é considerado um nutriente essencial para as plantas, tem um papel muito importante no aumento das defesas naturais contra pragas e doenças.

O silício forma uma espécie de barreira física, tanto nas raízes quanto nas folhas, ajudando a retardar a penetração dos patógenos. A Dra. Simone exemplifica que nas raízes, por exemplo, isso vai ajudar a atrasar a penetração de nematoides. Já nas folhas, a barreira de sílica dificulta a penetração de fungos.

Isso possibilita tanto que sejam tomadas ações de controle com fungicidas ou outros produtos, quanto da própria planta ativar suas defesas, explica a pesquisadora:

“Se você pensar em atrasar a penetração do fungo, você tem mais tempo pra entrar com o fungicida. Então eles vão se complementando. Além disso, atrasou a penetração, dá tempo de a planta ativar as respostas de defesa e então quando ele penetrar, tem uma resposta melhor, como por exemplo as células se matarem pra evitar que o fungo se reproduza.”

Ter uma visão integrada do manejo é o mais importante

Concluindo a conversa, a Dra. Simone Brand ressaltou que nenhuma das ferramentas do manejo integrado funciona sozinha. O controle químico, por exemplo, é eficiente em algumas situações à curto prazo, mas há relatos de perda de eficiência com o tempo, por exemplo.

Para a Doutora em Fitopatologia, é positivo que hoje se pense mais no conjunto de ações:

“A gente tinha uma visão muito focada no controle químico, mas que bom que hoje a gente tem uma visão mais holística do sistema, pensando lá na base, na nutrição, no químico, etc. colocando vários tijolinhos no manejo.”

Para entender mais sobre o manejo integrado de doenças da soja, confira o vídeo do Encontro com Gigantes na íntegra!

Não perca os próximos eventos. Confira toda a programação do Encontro com Gigantes e faça sua inscrição pelo link: https://www.kforte.com.br/encontrocomgigantes/

Dra. Simone Brand – Simone Cristiane Brand é Doutora em Fitopatologia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP). Além disso, é sócia-proprietária e pesquisadora da PlantCare,  estação experimental que realiza testes de eficácia agronômica, elaboração de laudos, atividades de ensino e orientação acadêmica. Dentro da PlantCare, a Dra. Simone exerce atividades voltadas para pesquisa e prestação de serviços para empresas Nacionais e Multinacionais de Defensivos Agrícolas. Especialista em Agronegócio e Gestão de Negócios também pela ESALQ/USP, ela também é orientadora nos cursos de Agronegócio e Gestão de Negócios do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (PECEGE) da ESALQ. Simone Brand também é professora no curso de Pós-Graduação em Fitossanidade do Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (UNIFEOB).