Saiba quais são os desafios da análise de solo e entenda como superá-los para ajudar a agricultura brasileira a produzir mais

A multiplicidade de solos com características próprias faz com que técnicas e soluções muitas vezes não sejam universais, funcionando para determinados contextos e para outros não.

A necessidade de ter isso em mente, assim como a aproximação entre produtores e centros de pesquisa é a chave para o futuro da análise de solos.

Para falar sobre esse assunto, Victor Monseff de Almeida Campos, Engenheiro Agrônomo pela UNESP, especialista em Manejo de Solo pela ESALQ/USP e mestre em Agricultura (Cafeicultura) pela Universidade de Trieste, na Itália e proprietário da Ribersolo Laboratório de Análises Agrícolas, participou do “Encontro com Gigantes – Análise de solo: tudo o que você precisa saber sobre o presente e o futuro?”.

O evento foi promovido pela Verde no dia 11 de junho de 2020.

Você pode conferir a conversa, mediada por Fernanda Santos, na íntegra pelo link:

Um dos desafios da análise de solo é lidar com as diferenças.

As características do solo não são homogêneas no mundo. Diferenças climáticas, diferentes biomas e diferentes intervenções do homem fazem com que tenha suas especificidades e particularidades com relação ao solo. Por isso, as técnicas e ferramentas para a análise do solo também não devem ser vistas como soluções universais.

Victor Monseff, além de produtor agropecuário e proprietário da Ribersolo Laboratório de Análises Agrícolas, é membro da Nuffield, organização internacional presente em mais de 40 países e que tem o objetivo de promover a troca de experiências de pessoas do setor agropecuário do mundo todo na busca de inovações e avanços na área.

Graças a sua experiência na Nuffield, Victor pôde constatar a realidade de que não existe uma ferramenta mágica quando se fala de análise do solo:

“Às vezes determinados sensores fazem sentido pra alguns casos, pra outros não. No Brasil a gente está mais preocupado com a questão da fertilidade. Não existe uma solução única, porque cada local tem as suas especificidades (a realidade do Brasil, por exemplo, é diferente da realidade da África ou da Holanda)”.

Segundo Victor Monseff, a ideia de que uma nova técnica ou ferramenta de análise do solo será a universalmente aplicada e o catalisador da próxima revolução na área faz com que muitas vezes sejam cercadas de falsas expectativas: “Às vezes o produtor se ilude com uma tecnologia e existe uma decepção. Quando a gente se ilude com uma tecnologia, a gente queima essa tecnologia”.

Isso é prejudicial, porque quando essa tecnologia não apresenta bons resultados em determinados contextos, ela acaba sendo descartada. Entretanto, mesmo que ela não se aplique em um caso específico, ela pode, em integração com outras técnicas e tecnologias, trazer um entendimento melhor da realidade daquele solo e trazer mais benefícios para o produtor, como mais eficiência dos processos, mais produtividade e mais rentabilidade.

Ainda sobre as diversidades de realidades agroeconômicas, Victor Monseff falou também sobre a necessidade de localizar os conhecimentos da área, que muitas vezes são produzidos pensando em solos de outros países: “A gente pode usar o que eles tão falando, mas a gente tem sempre que adaptar para a nossa realidade”.

Para isso, na opinião de Victor, é preciso que haja uma aproximação maior entre os centros de pesquisa e os produtores agrícolas:

“A maioria dos produtores de sucesso que eu visitei nos países que eu fui, tinham um relacionamento estreito com os centros de pesquisa, com as universidades. A hora que os produtores perceberem que esse relacionamento precisa ser maior, nós vamos ter um crescimento muito grande”.

Com produtores e centros de pesquisa trabalhando juntos, Victor Monseff acredita que a distância entre os sistemas de produção bons e ruins no Brasil pode ser diminuída: “No Brasil hoje a gente tem sistemas fantásticos. O grande problema é que a gente tem sistemas muito ruins, a média é baixa. A discrepância entre os bons sistemas e os sistemas muito ruins é muito grande”.

A redução dessa discrepância é essencial para que a agricultura brasileira como um todo avance e se torne cada vez mais produtiva e competitiva. Para isso, além da aproximação entre produtores e centros de pesquisa, é preciso que haja a difusão do conhecimento e a facilitação do uso integrado das novas tecnologias.

Outro assunto abordado durante a conversa com Vitor Monseff foi as diferentes perspectivas de produção agrícola e o conflito entre o que pode ser chamado de agricultura convencional e a agricultura orgânica. Para ele, esses dois jeitos de produzir alimentos não são mutuamente excludentes:

“Existem dois mundos paralelos e eles não se chocam. Nós temos uma grande parcela da população querendo e precisando de um alimento barato. E nós temos uma parcela da população que já se alimentam o suficiente e que estão buscando certificação, qualidade, etc. E não temos como falar que um está certo e outro está errado”.

Dentro desse contexto, está o uso de novas soluções tecnológicas, como os pós de rocha e os remineralizadores. Para Victor Monseff, é preciso que o assunto seja visto com seriedade: “O grande problema do uso de pó de rocha e remineralizadores é a generalização sobre o assunto. Existem coisas que são muito boas e coisas que não têm tanta utilidade”.

Entender os diferentes contextos, integrar e facilitar o uso de novas tecnologias, além de aproximar pesquisadores e produtores são os elementos essenciais para que a análise de solos seja cada vez mais capaz de auxiliar a agricultura a crescer.

Não perca os próximos eventos! Confira toda a programação do Encontro com Gigantes e faça sua inscrição pelo link:

https://www.kforte.com.br/encontrocomgigantes/