Como o estresse salino afeta as plantas?

Como o estresse salino afeta as plantas?

O estresse salino é uma condição que pode ter uma influência direta na produtividade das culturas, uma vez que quando há um excesso de sais presentes no solo a capacidade de absorção de água da planta é muito afetada e desencadeia uma série de outros efeitos indesejados.

Para falar sobre o assunto, a Verde convidou Doutoranda em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras, Mestre Produção Vegetal pela Universidade Federal de São João del-Rei e Professora Adjunta da Faculdade Arnaldo, Ana Clara Pimenta, para o “Encontro com Gigantes – Como o estresse salino afeta as plantas?”.

O evento foi promovido pela Verde, empresa que produz os fertilizantes BAKS®, K Forte®, K Forte Boro e Silício Forte, no dia 24 de junho de 2021.

Você pode conferir a conversa, mediada por Fernanda Santos, na íntegra pelo link:

A origem do estresse salino

É de comum conhecimento que os fatores ambientais, como temperatura e as chuvas, exercem influência no desenvolvimento da planta e consequentemente na sua produtividade.

A professora Ana Clara explicou que esses fatores ambientais podem dar origem aos estresses bióticos e abióticos nas plantas e o que diferencia esses dois grupos é o seu agente causal. Enquanto os estresses bióticos são causados por agentes vivos, como insetos, os estresses abióticos são causados por agentes não vivos, como os sais.

O estresse salino, então, é um tipo de estresse abiótico que acontece quando existe uma alta concentração de sais no ambiente de cultivo, como:

  • Cloretos;
  • Sulfatos;
  • Carbonatos;
  • Sódio;
  • Cálcio;
  • Magnésio.

Ele pode ter origem natural ou antrópica, sendo causado na agricultura principalmente pelo manejo inadequado da irrigação, adubação e drenagem. A salinidade se torna um problema relevante quando a concentração de sais se eleva ao ponto de prejudicar o rendimento econômico das culturas e que alguns ambientes são mais suscetíveis para esse problema, como destacou a Doutoranda Ana Clara:

“Quando temos um problema de alta salinidade, o que vai retirar e lavar os sais do contato com as raízes da planta, será a água proveniente da chuva ou irrigação. Com isso, precisamos tomar mais cuidado principalmente em ambientes com baixa precipitação pluviométrica e não-irrigados, pois a salinidade se manifesta de forma mais acentuada.”

O relatório Relatório da FAO com participação da Embrapa estima que cerca de 76 milhões de hectares no mundo apresentam salinidade induzida pela ação do homem, uma área maior que toda a terra arável do Brasil. (Fonte: Daniel Beckemeier - Unsplash)

O relatório Relatório da FAO com participação da Embrapa estima que cerca de 76 milhões de hectares no mundo apresentam salinidade induzida pela ação do homem, uma área maior que toda a terra arável do Brasil. (Fonte: Daniel Beckemeier – Unsplash)

Como então o estresse salino afeta as plantas?

Os efeitos do estresse salino nas plantas

O estresse salino é uma condição que impacta negativamente um dos principais mecanismos da planta de absorção de água, como explica a professora Ana Clara:

“O movimento da água no sistema solo-planta-atmosfera acontece principalmente pela diferença de potencial. Quando temos uma grande concentração de sais, o potencial osmótico, que é aquele relacionado com a salinidade, se torna mais negativo. Como a água se movimenta do maior para o menor potencial, a maior presença de sais na zona radicular dificulta o processo de absorção de água pela planta.”

Quando a planta não consegue absorver toda água necessária para realizar seus processos metabólicos, os estômatos se fecham para reduzir as perdas d’água pelo processo de transpiração. Os estômatos são aberturas microscópicas encontradas principalmente nas folhas, responsáveis por realizar as trocas gasosas que incluem vapores d’água, dióxido de carbono (CO2) e oxigênio (O2).

Esse fechamento estomático reduz a assimilação de (CO2) pela planta e impacta diretamente na fotossíntese, o processo pelo qual as plantas convertem a luz solar e os nutrientes absorvidos em energia necessária para a produção de flores, frutos e grãos.

Dentre os diversos efeitos que o estresse salino causa na planta, a Doutoranda Ana Clara evidenciou que eles têm um maior impacto nos estádios iniciais de desenvolvimento das culturas e diversas pesquisas apontaram para possíveis impactos na(o):

  • Germinação;
  • Volume e comprimentos de raízes;
  • Massa seca.

Além disso, a salinidade pode gerar uma série de efeitos secundários, como a toxicidade. Os sintomas dessa condição aparecem quando os íons são acumulados em altos níveis nos tecidos vegetais e gera a queima da borda das folhas:

A professora Ana Clara destacou que quando identificamos visualmente a queima da borda das folhas ou qualquer resposta da planta, aquele problema já vem sendo decorrente. Então, é importante identificarmos o estresse salino precocemente. (Fonte: PEREIRA, A. C. P. - 2020)

A professora Ana Clara destacou que quando identificamos visualmente a queima da borda das folhas ou qualquer resposta da planta, aquele problema já vem sendo decorrente. Então, é importante identificarmos o estresse salino precocemente. (Fonte: PEREIRA, A. C. P. – 2020)

A tolerância ou susceptibilidade da planta ao estresse salino vai depender tanto dos seus mecanismos fisiológicos, bioquímicos e enzimáticos para lidar com ele, quanto de diversos outros fatores, como:

  • Concentração de sais;
  • Granulometria do solo;
  • Duração da exposição;
  • Interação com outros estresses;
  • Espécie;
  • Estádio de desenvolvimento.

Cada planta vai apresentar uma faixa de tolerância específica a salinidade e que precisa ser levada em consideração no momento da análise das condições da água e do solo do ambiente escolhido para implantação da lavoura.

O manejo do estresse salino

Para entender a ações mais efetivas para mitigar os efeitos do o estresse salino e manejá-lo precocemente, é preciso encontrar mecanismos para sua mensuração. Um deles é através do parâmetro denominado Condutividade Elétrica (CE), como explicou a professora Ana Clara:

“A CE mede a capacidade da água ou solo em conduzir eletricidade e cresce proporcionalmente à medida que a concentração de sais aumenta. Então, quanto os maiores valores de CE maior será a concentração de sais.”

Ao obter esses valores, é possível traçar diversos planos de ação que vão desde a escolha de cultivares tolerantes as condições naturais de salinidade do solo a escolha de fertilizantes com baixo índice salino.

“Devemos prestar muita atenção do manejo da água para fins agrícolas, uma vez que ela pode se tornar salinizada dependendo do manejo de adubação. Em um estudo realizado nas regiões de janaúba e Jaíba, quase 80% dos poços amostrados continham salinidade de média a alta.”

Por fim, Ana Clara concluiu sobre a importância do investimento em novas pesquisas para entender mais a fundo esses diferentes mecanismos e respostas das plantas aos impactos do estresse salino:

“Precisamos investir nas pesquisas para conseguir entender mais sobre como a salinidade afeta as diferentes espécies e genótipos que estão disponíveis para o cultivo e é muito importante entender como as plantas respondem diante de fatores que possam afetar o seu desenvolvimento.”

Para entender mais sobre como o estresse salino afeta as plantas, confira o vídeo do Encontro com Gigantes na íntegra!

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