Como as mulheres podem superar os desafios do agronegócio e aproveitar as suas oportunidades

Como as mulheres podem superar os desafios do agronegócio e aproveitar as suas oportunidades

A presença das mulheres no agronegócio vem crescendo e existem muitas oportunidades a serem aproveitadas. Entretanto, ainda existem diversos desafios que elas enfrentam, seja no campo ou no ambiente empresarial. Um exemplo é a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Então, como superar esses desafios e possibilitar que as mulheres do agronegócio possam aproveitar todas as oportunidades do setor?

Para falar sobre o assunto no “Encontro com Gigantes – Mulheres no Agro: desafios e oportunidades”, a Verde convidou:

  • Vanessa Sabioni, Fundadora e Presidente da AgroMulher e Mestre em Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV);
  • Marina Fusco Piccini, Fundadora da AgroSchool e MBA em Comércio Exterior e Relações Internacionais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV);
  • Geysa Borini, Sócia Fundadora da ASSOBIO Soluções Socioambientais e Engenheira Agrônoma pela USP/ESALQ;
  • Fernanda Dornela – Consultora de Pesquisa na WantU, Doutoranda em Administração na Universidade Federal de Lavras (UFLA).

O evento foi promovido pela Verde, empresa que produz os fertilizantes BAKS®, K Forte®, K Forte Boro e Silício Forte, no dia 14 de outubro de 2021.

Você pode conferir a conversa, mediada por Rinamara Martins, na íntegra pelo link:

 

Os desafios que as mulheres enfrentam no agronegócio

O agronegócio foi, por muitas décadas, um ambiente pouco inclusivo e plural, impondo muitos desafios para as mulheres que desejavam ingressar nesse mercado de trabalho.

Essa condição se mostrava ainda mais difícil para as mulheres pertencentes a outros eixos do gênero, como destacou Fernanda Dornela:

“Sob a minha ótica enquanto pesquisadora, o que eu vejo ainda muito presente é essa questão cultural histórica e a falta do reconhecimento da diversidade, deixando de considerar as diferentes intersecções entre os diferentes eixos de opressão. Então quando eu falo que é difícil para uma mulher branca estar inserida no agronegócio, que ainda é considerado um setor predominantemente masculino, é mais difícil ainda para uma mulher negra.”

Esses desafios estão associados às desigualdades de gênero presentes no setor, principalmente daquelas relacionadas a aspectos culturais e de remuneração.

Na recente pesquisa realizada pela Agroligadas, em parceria com a Corteva Agriscience, a Associação Brasileira do Agronegócio e o Sicredi, 56% das 408 mulheres entrevistadas acreditam ganhar menos do que os homens no agronegócio. Isso a despeito das entrevistadas terem a percepção de que a desigualdade de gênero tenha diminuído nos últimos anos.

Somado a isso, Vanessa Sabioni ressaltou que as instituições de ensino mais tradicionais não têm contribuído positivamente para um maior empoderamento das representantes femininas do setor:

“A faculdade nos prepara tecnicamente e não para o mundo corporativo. Nós não temos o preparo que deveríamos ter para entender como o mercado funciona e as suas relações. Só mesmo atuando que eu fui entender como o mercado era.”

Ainda assim, mesmo em um cenário desfavorável, diversas mulheres em todo o país começaram a enfrentar esses desafios para conquistar seus direitos e espaço no agronegócio.

As mulheres devem protagonizar a sua trajetória

O espaço que as mulheres vêm conquistando hoje no agronegócio é, segundo Marina Fusco Piccini, um reflexo do comprometimento e da entrega de resultados.

As mulheres que protagonizam a sua trajetória no agronegócio não têm medo de enfrentar os desafios, porque elas sabem que isso as fortalece.

Por isso, Marina Fusco Piccini também destaca que é muito importante que cada vez mais as mulheres desenvolvam a sua autoconfiança, para encontrar o seu próprio jeito de lidar com as situações, e se respeitem:

“Você é a sua melhor companhia: é preciso respeitar o ritmo, o processo, se respeitar. Faça com que a sua trajetória seja saudável e que você tenha orgulho de olhar para trás e se sentir realizada e em paz.”

O empoderamento feminino que veio sendo construído ao longo dos anos com essas atitudes se consolida também com a constante capacitação, como destacou Geysa Borini.

Na mesma pesquisa realizada pela Agroligadas, 95% das representantes entrevistadas acredita que melhorar a capacitação profissional está entre as principais prioridades necessárias para lidar com o mercado de trabalho.

Entretanto, essa capacitação para preparar as mulheres para crescer no mercado de trabalho, independentemente do ambiente que elas estejam, não deve ficar limitada a elas.

Segundo Vanessa Sabioni, a formação de lideranças também é igualmente importante:

“A formação de lideranças deveria ser uma regra, porque as lideranças inspiram a cadeia de quem está executando. As empresas devem focar no treinamento dos líderes e gestores da companhia, porque esses gestores vão estar liderando outras pessoas que estarão representando tudo o que a companhia quer oferecer para o mercado.”

No ambiente empresarial, Marina Fusco Piccini que também destacou que é essencial ter uma ouvidoria que funcione para gerar a cultura de mudança. Mas, quanto tempo realmente leva para haver uma mudança?

A conquista da mudança de cultura do agronegócio é um processo constante

A conquista da mudança de cultura no agronegócio, assim como em qualquer outra área, é um processo constante, que não vai acontecer de uma hora para outra.

Por isso, Geysa Borini recomenda encontrar o propósito da vida para saber aproveitar a jornada tanto quanto a conquista final:

“Tem momentos difíceis em toda trajetória, mas nós temos que aproveitar todo o caminho e não só a conquista lá no final. O caminho tem que ser prazeroso, com pessoas que te somam e em um trabalho que você gosta, se lembrando sempre de quem você é, e de todo o nosso esforço e estudo que a gente tem para estar ali.”

Nessa jornada, Fernanda Dornela também relata a importância e os benefícios da formação de redes.

Ela explica que a atuação em conjunto com outras profissionais proporciona um maior acesso a recursos, capacitações, oportunidades, reconhecimento e valorização que as mulheres não teriam acesso se fossem atuar individualmente.

Para entender mais sobre os desafios e oportunidades das mulheres no agro, confira o vídeo do Encontro com Gigantes na íntegra!

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