Saiba mais sobre o uso do nitrato de amônio como fertilizante

O nitrogênio é um dos elementos mais requeridos pelas plantas e, por isso, é preciso que ele seja reposto a fim de manter os níveis adequados de produtividade e qualidade da lavoura. Uma das formas de fazer isso é através da adubação com o nitrato de amônio. Descubra mais sobre o nitrato de amônio, seu uso como fertilizante, suas vantagens e limitações.

O que é o nitrato de amônio?

O nitrato de amônio é um composto cuja fórmula molecular é NH4NO3. Normalmente, ele pode ser produzido a partir da reação entre o sulfato de amônio e o nitrato de cálcio. Entretanto, outro meio de obter esse composto é reagindo a amônia gasosa com uma solução de ácido nítrico.

O nitrato de amônio contém 32% de nitrogênio em sua composição, sendo 50% na forma amoniacal e 50% na forma nítrica. O nitrogênio é um elemento que está no grupo conhecido como macronutrientes primários sendo, de maneira geral, o mais requerido pelas plantas em seus processos de crescimento.

Quantidades de nitrogênio requeridas em algumas culturas

Quantidades de nitrogênio requeridas em algumas culturas (Fonte: Nutri-fatos, INPI)

Entre os papeis desempenhados nitrogênio no ciclo vital das plantas, estão:

  • Atuação direta na fotossíntese, já que é parte constituinte da clorofila;
  • Constituição de substâncias essenciais, como vitaminas, carboidratos e proteínas;
  • Atuação no desenvolvimento do sistema radicular.

Um dos principais sintomas da deficiência de nitrogênio é a clorose, ou seja, o amarelecimento das folhas da planta. Associado a isso, está a redução do crescimento radicular. Assim, sem níveis de nitrogênio adequados, as plantas têm sua capacidade produtiva reduzida.

Pensar a adubação com nitrogênio dentro do manejo agrícola, portanto, é importante para que as lavouras mantenham seus níveis de produtividades. Nesse sentido, o nitrato de amônio é uma fonte de nitrogênio que tem algumas vantagens para o agricultor.

As principais vantagens do nitrato de amônio na adubação agrícola

Uma das principais vantagens do nitrato de amônio utilizado como adubo é que ele contém as duas formas nas quais o nitrogênio fica disponível para as plantas. Comparando o nitrogênio nítrico e o nitrogênio amoniacal, o nítrico apresenta uma disponibilidade mais imediata para as plantas, enquanto o amoniacal tem uma disponibilidade mais prolongada.

Isso acontece porque as plantas absorvem somente o nitrogênio nítrico. O nitrogênio amoniacal precisa passar por um processo chamado de nitrificação, no qual ele se transforma na forma nítrica, podendo então passar para o sistema vegetal. Assim, o nitrato de amônio supre as necessidades mais urgentes das plantas e também mantém os níveis do nutriente no solo sob a forma amoniacal.

Outra vantagem do nitrato de amônio é que, quando comparado com outros fertilizantes nitrogenados, há uma menos perdas por volatilização e menos acidificação do solo. Isso porque o processo de nitrificação libera íons de hidrogênio H+ no solo, aumentando a acidez. Como o nitrato de amônio já fornece parte do nitrogênio na forma nítrica, há menos nitrificação do que em outras fontes.

Entretanto, o uso do nitrato de amônio como fertilizante também tem algumas limitações.

Limitações do uso do nitrato de amônio como fertilizante

A principal limitação do nitrato de amônio é que ele tem um alto poder oxidante. Isso faz com que, ao interagir com outras substâncias ou exposto a condições inadequadas, ele potencialize os riscos de combustão.

Embora a forma como o nitrato de amônio utilizado como adubo seja estável e não inflamável, o agricultor precisa tomar alguns cuidados no seu manuseio, transporte e aplicação:

  • Armazenar o nitrato de amônio em local seco, fresco e arejado;
  • O local de armazenamento também deve ser abrigado de intempéries diversas;
  • Evitar guardar o insumo junto com produtos não fertilizantes;
  • Não deve ser guardado ou utilizado próximo de produtos inflamáveis e de possíveis faíscas.

Outra limitação é que boa parte do nitrato de amônio utilizado no Brasil é importada. Segundo a empresa de consultoria agrícola Nutrição de Plantas Ciência e Tecnologia (NPCT), 77% do nitrato de amônio que a agricultura brasileira usa vem de outros países.

Essa dependência externa faz com que o mercado agrícola brasileiro fique à mercê das instabilidades econômicas internacionais, como por exemplo a variação cambial do dólar, que encarece o preço dos fertilizantes importados. Além disso, fatores políticos e sociais em outros países também podem ter impactos no mercado internacional de fertilizantes.

Fontes alternativas e novos avanços tecnológicos

O nitrato de amônio é um fertilizante que tem vantagens para o agricultor, como um bom teor de nitrogênio e a disponibilização do nutriente nas duas formas que a planta pode absorvê-lo, uma mais imediata e outra mais prolongada. No entanto, é preciso muita atenção e cuidado na hora de guardar, manusear e aplicar o fertilizante.

Uma alternativa para o agricultor é fornecer o nitrogênio através de outras fontes, como a ureia. A ureia é mais estável e oferece menos riscos que o nitrato de amônio e ainda pode ser combinada com outras fontes, como o Siltito Glauconítico, que ajuda a reduzir as perdas do nitrogênio por lixiviação e volatilização.

A esturtura glauconita presente no Siltito Glauconítico reduz as perdas de nitrogênio por lixiviação e volatilização

A esturtura glauconita presente no Siltito Glauconítico reduz as perdas de nitrogênio por lixiviação e volatilização (Fonte: Débora Moreira)

As inovações tecnológicas trazem novas fontes de adubação para o mercado agrícola, que potencializam o uso das já existentes e melhoram a eficiência do manejo nutricional. Por isso, para ter mais produtividade, mais qualidade e um uso mais sustentável do solo, o agricultor precisa estar atento a esses avanços.